Discografia HM – Green Day – Dookie (1994)

Iniciemos o post pelo motivo de sua criação: registrar aqui minha homenagem a um álbum que fez parte do final da infância para a adolescência.

A grande verdade é que, tirando esse disco, em geral eu não gosto do som da banda. O consagrado “American Idiot”, por exemplo, é algo que eu passo com facilidade. Em geral, as “passadas de ouvidos” nos outros materiais do Green Day vão pelo menos caminho. Mas acho o Dookie a exceção / acerto da banda que – pasmem – foi formada em 1986. E quem aqui não tem um disco de uma banda que em geral é a exceção? Bom, isso daria um outro post, com certeza.

O platinado álbum em questão é o terceiro trabalho dos americanos. Contextualizando, em 1994 o grunge estava em evidência. O Nirvana, banda formada um ano depois, ainda existia e tinha força – Kurt morreria em abril daquele ano. O Oasis, outra banda que teve muita repercussão nos anos 1990 (e que talvez um dia eu faça algum tipo de homenagem, novamente um álbum apenas), só ganharia repercussão no ano seguinte com o (What’s The Story) Morning Glory?. Haviam bons álbuns de metal sendo lançados, apesar de certas bandas estarem passando por momentos conturbados e de mudanças. E, também, o CD, como mídia, já estava consolidado. Sem contar a que a MTV ainda tinha muita relevância, e no Brasil no foi diferente, ajudando a alavancar a banda. Mas a conclusão é que havia espaço para algo “estourar” – e estourou (certificado “Diomond” pela RIAA), e ouso dizer que elevou o gênero “punk rock” novamente a graus mais expressivos de exposição. Até hoje. é álbum mais vendido da banda.

Fazendo pesquisas aqui e ali do álbum, entende-se também que o Green Day estava “na hora certa, com as pessoas certas” para lançar seu flagship, trazendo para um termo mais da moda. Troca de gravadora, troca de produtor, teve de tudo. A banda gravou o disco em apenas 3 semanas e o mixou duas vezes, já que na primeira não estava satisfeita com o resultado – queriam algo mais “seco”, mais “honesto”.

O álbum aborda várias temáticas “fortes”, como problemas de relacionamentos, identidade, orientação sexual, masturbação, ex-namoradas, assassinatos, coisas malucas. Há também a questão das drogas, especialmente LSD, que circulavam e geraram resultados como a linha de baixo de “Longview”. Falando nela, a música foi justamente um dos singles do álbum, além de “Welcome To Paradise” e do vindouro (outro) hit “Basket Case”. A música aborda a temática dos ataques de pânico que o vocalista/guitarrista Armstrong tinha antes de efetivamente ser diagnostico com um problema desta ordem. “She” também é considerado single, mas apenas das rádios. Virou outro hit da banda e “ela” é a ex-namorada do mesmo Armostrong e também mencionada em “Sassafras Roots” e “Chump”. Por fim, e mostrando a força do disco, “When I Come Around” (creio que minha favorita do álbum, se tivesse que “pinçar” só uma) também é single e também é sobre mulher, quando Armstrong deixaria sua mulher após uma briga.

O álbum foi lançado com 14 faixas, sendo que ao final de “F.O.D.”, vem uma música escondida, “All By Myself”, do escrita e tocada pelo baterista Tré – é necessário avançar até depois do minuto quatro da música. Hoje em dia, nas plataformas de streaming, as músicas foram separadas, sendo a escondida a faixa de número 15 do disco – pois é, os chatos acabaram com a brincadeira.

O álbum traz uma capa cheia de “easter eggs”, e são muitos detalhes. Até “American Idiot” já aparece ali. O ábum se chamaria “Liquid Dookie” devido a frequentes diarréias que os membros da banda tinham quando em tour. Acharam “pesado demais” e retiraram “liquid” – nossa, que legal, não ficou específico :-). Há um Zeppelin indicando que o ano não foi bom e cachorros jogando bombas “Dookie” em cima do local e das pessoas no centro de Oakland, na Califórnia, mais especificamente na Telegraph Avenue. Temos uma mulher que parece a “Mona Lisa” mas na verdade é uma representação da mesma mulher do álbum de estreia do Black Sabbath (“what is this, that stands before me?”). Angus Young também está na capa. O grafite “Twisted Dog Sisters” são referentes a duas garotas de Berkeley. Temos uma provável “casa de entretenimento adulto masculino” também, além dos cachorros jogando sacos de… bom, vocês podem ver, não?

Do lado pessoal, eu gosto muito do álbum até a faixa 10, como já disse, minha provável predileta, “When I Come Around”. Depois disso, para meu gosto, as últimas e mais curtas ainda músicas não conseguem manter o nível, ainda que não me incomodem, mas não destaco. O finalzinho do disco tem a música escondida e é legal pelo fato em si, mas também sem destaques. E dentro das 10 primeiras, acho que todas mantém o mesmo nível de qualidade (novamente, há de se considerar a proposta!). Gosto e canto todas.

Olhem, eu aprendi bastante da banda fazendo este post – e confesso que nada disso me interessou muito. Só lendo, mal me atrairia escutá-los caso não conhecesse o trabalho. Mas para mim, nada disso tem a relevância como o resultado final, que é o que interessa. Trata-se de um álbum forte, “direto ao ponto”, com músicas rápidas e curtas (como o estilo pede), com viradas igualmente rápidas de bateria (ainda que muitas repetitivas, o que para mim de verdade não incomoda), riffs e bases simples embora intensas. As linhas de baixo seguem por aí também. Mas eu gosto! Talvez não seja “música para todo dia“, ainda mais depois do ouvido ter dado uma “maturada”, mas até hoje eu o escuto facilmente, sinto a energia do disco, bem como gosto quando uma rádio toca algo deste álbum.

Arrisco dizer que este será meu único post aqui sobre punk, estilo que não gosto (Ramones, Sex Pistols, esses expoentes do estilo, quero distância), mas como (quase) tudo na vida, sempre há uma exceção. E eu – e minha adolescência – indicam esta.

Vai lá… são menos de 40 minutinhos (não tão “hm” assim no caso) :-).

Dookie – demos:

Dookie (playlist):

Live – Reading 2013 – Dookie executado na íntegra:

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categories: AC/DC, Black Sabbath, Curiosidades, Discografias, Green Day, Músicas, Resenhas

8 replies

  1. Este disco é um clássico
    Muito boa a homenagem
    When I come Around é sem dúvida um das melhores musicas da banda que tem composições excelentes

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    • Rolf, não apostaria que ouviria você chamando o álbum de clássico, me surpreendi, confesso. Muito legal. E sim, se considerarmos especialmente a década, é um dos expoentes.

      Vou concordo com When I Come Around, gosto muito, como disse no post, assim como as outras justamente até ela no álbum.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Nunca curti o estilo também, mas se tivesse de dar uma chance a alguma banda, seria para esses caras, pois acho o som “bem tirado”. Então vou abrir meus horizontes para o álbum e aceitar a indicação.
    When I come Around e She eu lembro de cara, sem esforço.
    Ótimo post, em algum momento eu volto aqui com um som decente de reprodução e boto os vídeos para rodar.
    Fica a dívida do Oasis, Eduardo, outra banda que não curto. Gostaria de ver o post sobre eles, neste mesmo formato.

    Alexandre

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    • B-Side, gostaria sim de contar com sua opinião sempre muito bem colocada por aqui. Seria uma honra, mas, claro, é de se considerar a proposta do estilo – isso posto, imagino que você pode até acabar gostando de mais coisa que She e a pelo jeito que é a “mais famosa” do blog aqui.

      Até pensei em indicá-lo para o próximo podcast, mas talvez seja muito pouco para os ouvidos sempre exigentes da galera…

      Sobre o Oasis, vamos ver… seria mesmo no mesmo estilo, já que também acho que somente um disco merece algo aqui… bom, uma hora sai 🙂

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Curto muito o Green Day porque foi uma banda que escutei muito na adolescência junto com a galera da escola. Porém é uma banda que eu curto de escutar os trabalhos em estúdio, nunca tive vontade de ir no show, não sei explicar o motivo. Mais um excelente post Rolim !!!

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    • Pois é, Marcinho, nossa geração acabou pegando bem isso, e nas rádios também tínhamos muito de Green Day, especialmente na 89.1 FM.

      Eu gostaria de ver um show deles mas como este do post com o Dookie na íntegra. Não sei se ao vivo teria paciência para o resto da banda que não me chama a atenção. Mas eles mandam bem ao vivo, portanto, pelo menos tendo bastante do Dookie já me animaria mais. Quem sabe um dia, perdi a vinda recente deles, vamos ver em uma próxima oportunidade.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  4. I DEEEECLAAARE I DOOON’T CAAARE NO MOOOOOREEE ….

    Eu me lembro muito bem quando dei play pela primeira vez no Dookie (sim, eu cresci na era dos CDs). Para quem nasceu na década de 80 (e cresceu na de 90), o Dookie tem um significado muito grande. Mesmo estando uns 15 anos sem escutá-lo, sou capaz de cantá-lo na íntegra, sem problema nenhum.

    Para mim ainda, que cresci no interior (cidade com 60 mil habitantes e ainda assim), o Dookie quebrou paradigmas e barreiras … “ow … o cara tá mostrando um cigarro dentro do encarte” …. “nossa …. o cara falou fuck numa letra”. Dookie é daqueles álbuns que não tem uma única música chata, para ser ouvido em uma tacada só … não dá para ver todos os detalhes da capa durante seus quase 40 minutos de duração.

    Eu vi o Green Day ao vivo (em época mais recentes, mas não vi o último show que fizeram recentemente). E muito legal! A banda esquece esse lance de gravata mal arrumada e maquiagem no olho e volta a ter a energia das apresentações da década de 90 … foram 3 horas de show de maneira incansável …. tenho história dessas hilárias que eu me zôo desse show – conto um dia em algum podcast.

    Não acho “When I come around” a melhor música do álbum, como muitos citaram aqui. Pra mim ela é a Fear of the Dark do Green Day – é um hit, mas de longe não chega perto de muitas outras músicas boas (e eu não aguento mais ouvir).

    E quanto ao Oasis, banda que canto qualquer coisa na ponta da língua, me avisa quando podemos começar a discografia que eu ajudo com prazer e em TODOS os álbuns!

    Bjo nas crianças!

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    • Kelsei, muito legal seu comentário, realmente este post me surpreendeu pois inicialmente achei que poderia até receber umas “mamonas” (pedras seriam mesmo exagero). No fim, realmente foi legal.

      Sobre você não ouvir o álbum e saber cantar, é meu caso também. E sobre a história para o podcast, já deixe aí em sua lista de pendências, como está a lição de casa para todos nós, hehehe (e eu mega atrasado, para variar).

      Ficou a dúvida se você tem uma música predileta deles ou do álbum em específico… e se sim, qual(is)…

      Sobre o Oasis, a surpresa aumentou ainda mais, pois achei que aqui só eu dava algum valor. E eu pelo jeito sou mais radical ainda, pois o tal valor só dou ao álbum que citei, com Wonderwall e Don’t Look Back In Anger puxando a fila. Interessante. Discografia? Wow… será? Que tal começarmos primeiro com o álbum talvez em uma resenha mais caprichada do que eu conseguiria fazer sozinho? Topa?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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