Cobertura Minuto HM – Shaman em São Paulo – 23/Set/2018 – Resenha

Cobertura Minuto HM – Shaman em São Paulo – 23/Set/2018 – Resenha

Nostalgia. Poder reviver tempos onde você era feliz, mas não sabia. Como diz o ditado mais que clichê: que atire a primeira pedra quem nunca passou por isso … Sim, você já leu exatamente essa mesma frase nesse post aqui.

Eu fiquei sabendo da reunião do Shaman enquanto lia que os ingressos para o único show em São Paulo se esgotaram em caráter meteórico. A comoção foi algo inacreditável. De um único show, foi para uma “apresentação extra”. Depois, um show fora de São Paulo. Hoje já é uma “mini-turnê”.

Confesso que não ia no show por motivos pessoais. Menos de uma semana antes da apresentação extra em São Paulo, a Road Crew emprestada pelo Rolf estava em cima da minha impressora (a capa era sobre a reunião da banda). Bateu aquela dor no coração e eu coloquei os álbuns para tocar. No meio do Reason, a compra do ingresso foi instantânea.

E foi assim que no Domingo, dia 23 de Setembro, essa pessoa que vos escreve estava indo às 19:00 horas para a Audio Club, na zona oeste de São Paulo, cantando pela rua, sozinho, com a ansiedade de um moleque de 14 anos que ia a um show de metal pela primeira vez na vida.

A Audio Club não é uma casa de shows. É uma balada. Nunca tinha ido lá antes. Local grande, com espaço externo dos bons e ótima sinalização. Não só tinha uma loja do Shaman com produtos oficiais como também tinha uns três ou quatro trailers de comida (acho que terceirizados) em um pedaço da parte externa. Muita gente comendo, fumando e jogando papo fora.

E o local estava abarrotado! Enquanto me dirigia para a parte interna da casa, ouvi um segurança comentar com outro “Hoje tá fácil. Ontem que tava o bicho.”. A apresentação extra não teve os ingressos esgotados, então fiquei curioso para saber como fora o dia anterior, até porque quando entrei no espaço interno, a quantidade de gente me assustou. Como que o pessoal que estava fora ia caber lá dentro? E olha que “estava fácil”, segundo o Segurança.

Internamente, a casa tem uma estrutura e uma sinalização impecável. O chão no centro é rebaixado (é a pista de dança da balada) e grades o cercam em suas laterais e ao fundo. Desnecessário dizer que os locais das grades estavam todos tomados, já que era uma visão mais privilegiada, principalmente para quem tem estatura mais baixa e tem que ficar se matando em meio ao público para conseguir ver o palco. Cheguei a lembrar do extinto Olímpia, na Lapa.

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dentro do local também havia uma loja de produtos oficiais. Camisetas custando R$80,00 e moleton de inverno por R$ 150,00. Também tinha pôster e CDs.

Dei uma volta pelo local e constatei que na parte rebaixada o retorno do som era muito melhor. Quem ficava na região das grades – com o chão mais alto – tinha o teto do Mezanino sob suas cabeças, que deixava o som mais “abafado” (pelo menos aos meus ouvidos).

Às 19:30 os clássicos do metal (me lembro de ter ouvido AC/DC, Accept e Sabbath) pararam e começou uma melodia de piano e violão clássico muito bonita. Todo mundo achou que iria começar, mas deu para ouvir que, simultaneamente, o pessoal atrás das cortinas começou a dar aquela última passada de som instrumento a instrumento.

A melodia clássica ganhou orquestração e se seguiu pelos próximos 30 minutos. Às 20:00 em ponto as cortinas se abriram. Já se sabia que não haveria banda de abertura. Quando todos esperavam aquela introdução musical, o telão inicia um filme. Excertos da trajetória da banda misturados com excertos de uma entrevista de André Matos em uma paisagem montanhosa (eu acho que foi gravado na região de Campos do Jordão, mas não dá para ter certeza).

Cerca de 5 minutos de filme e podemos ver Ricardo Confessori (bateria), Hugo Mariutti (guitarra), Luis Mariutti (baixo) e Fabio Ribeiro (teclados) entram ao palco para um setlist já conhecido por todos: os álbuns Ritual e Reason na íntegra. Começaram pelo Reason, com André Matos (vocal) entrando pouco depois, próximo ao início das letras. Abaixo à Introdução + Turn Away, seguido da faixa dois, homônima ao álbum, Reason:

Mesmo sendo uma reunião, o comprometimento do Shaman em entregar um espetáculo altamente profissional foi primoroso. O som estava muito bem montado, homogêneo e limpo. As luzes estavam muito variadas, com muitos efeitos e diversificações de estrutura pelos canhões. No palco, além dos instrumentos padrões de cada integrante, um teclado adicional e um piano na parte esquerda do palco para a utilização de André. As músicas foram executadas com a máxima precisão possível. Pena que os integrantes estavam meio que “secos” – dava para notar que não havia aquela amizade entre os integrantes, separados há muito tempo e que estavam juntos pelo último mês.

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Ritual e Reason são álbuns bem distintos, onde cada fã sempre terá o seu preferido (no meu caso, é o Reason, por ser mais arriscado e inovador). Mesmo assim, os clássicos de cada álbum são muito respeitados por todos. Após More, o cover do Sisters of Mercy, a bela balada Innocence foi cantada por todos em uníssono (atenção ao ventilador localizado no piano na cara do André dando aquele ar demodê – tinha um ventilador no piano e outro no centro do palco):

E aí chegou a minha preferida do Reason: Scarred Forever. Essa música tem um significado muito grande para mim. Me lembro de estar ouvindo ela no ônibus que me trazia pela primeira vez para Sao Paulo, onde iria fazer minha primeira entrevista de emprego na Capital. E o André Matos errou a letra! Na primeira entrada do refrão, ao invés de cantar “Always the MOMENT is right” ele cantou “Always the FEELING is right”.

Por mim, eu teria filmado o show inteiro, mas o meu celular não tem bateria nem espaço para isso. As demais canções de Reason (In The Night / Rough Stone / Iron Soul / Trial of Tears / Born to Be) seguiram com a plateia sempre bem ativa e cantando. Hugo se movimentava bastante e chamava a galera sempre que possível, pedindo acompanhamento com palmas ou para manter a alta energia que todos estavam. Todas as canções foram executadas de maneira fiel e, no final de Born to Be, inclusive, André inclusive bateu a táboa do piano (que dó que deu) para imitar o som da porta que se fecha, encerrando o álbum.

Você deve ter notado, pelos vídeos que se passaram até agora, que a voz do André não estava “igual ao álbum” ou como estamos “acostumados a ouvir”. Uma infinidade de teorias podem ser criadas aqui (existem mil e uma maneiras de se criticar alguém – o cara está velho, não aguenta mais, estava se poupando, está fora de ritmo – invente a sua), mas fato é: André não desafinou e foi muito fiel nas partes altas, principalmente nas canções de Ritual (que é mais voltado para aquele padrão do Power Metal alto e gritado).

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E falando em Ritual, antes de iniciar o álbum, um novo vídeo foi executado por cerca de 10 minutos, com imagens da banda em ensaios e momentos de criação de Reason. O Sascha Paeth pode ser visto nas filmagens. O vídeo acabou também com André tocando os acordes finais de Born to Be, que foi emendado com o áudio de Ancient Winds nas caixas da Audio Club, dando abertura à execução de Ritual.

E ai, meu amigo … ah, meu amigo!!! Aquele lugar implodiu!!! A dor nas costas sumiu, o pulmão puxou ar de onde não tinha, a Flying V começou a tomar uma surra de palhetada alternada, o bumbo duplo triplicou de velocidade, o som do local ficou Surround! Deixo vocês com Here I Am (e um soco no estômago) e Distant Thunder (e um soco na cara):

E quando eu pensava que nada mais poderia acontecer, em For Tomorrow, não é que o André me aparece com uma flauta daquelas peruanas?! O que eu pensei que seria um teclado quebrando um galho se tornou uma execução fiel de flauta.

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A flauta peruana (e uma fidelização impressionante na reprodução das canções)

Na sequência, Time will Come e Over Your Head não deixaram o pique cair. E, com isso, chegava a hora de Fairy Tale, talvez a música que mais tenha projeção no Shaman, visto que entrou até em novela da Rede Bobo. Que o André Matos iria aproveitar da situação, isso era fato (em outros shows do Shaman ele já fazia isso), mas nessa ele exagerou. O solo do piano antecedendo a canção foi legal, mas durante a execução de Fairy Tale ele fez diversas interrupções (uma canção de 6 minutos ficar com 9 é muita firula – teve até um pessoal que gritou “liga o ventilador” no meio de uma das paradas). Perdeu timing. Perdeu feeling.

Blind Spell e Ritual, que vieram em seguida, foram muito legais ao vivo. Blind Spell acho que foi a música que menos teve a fidelidade de execução (eu senti falta de um piano que dava uma melodia de fundo no segundo verso). Para fechar, tivemos Pride, que originalmente foi gravada com partipação de Tobias Sammet, vocalista do Edguy e líder do projeto Avantasia (que o André Matos já participou). O frontman do Shaman foi até os teclados e anuncionou Bruno Sutter (para quem não conhece, o Detonator).

Bruno Sutter foi uma excelente escolha. Além de já ter tido contato profissionalmente com o Luis Mariutti (que tocou no álbum ao vivo do Bruno, Alive in Hell), o “Detonator” do Hermes & Renato canta muito bem (muito melhor que o Tobias Sammet – desculpem aí os fãs do alemão) e não é estrelinha. O cara entrou para a canção final do show com um senhor gás, muita atitude e muita confiança. Cantou muito bem e saiu sem falar com a galera ou ficar agradecendo pela participação. Muito, mas muito profissional (e eu já estava sem bateria para uma fotinho sequer)!

Uma chuva de papel picado encerrou uma apresentação que foi muito marcante. Eu, como todo fã do Shaman, espero que eles resolvam voltar. Esses caras são parte de um grupo de músicos defensores do Heavy / Power Metal nacional. Mas que se for para houver retorno, que seja sincero e que voltem como Amigos (sim; com “A” maiúsculo).

Enquanto escrevo essa resenha, faz quase uma semana que o show se passou. Por todos os dias que se passaram desde então, me peguei cantarolando Shaman e lembrando do show sempre que me pegava despercebido. Se você tiver a oportunidade de vê-los, vá! Fã nenhum merece ficar de fora.

É … deu orgulho de ser Brasileiro!

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Beijo nas crianças!

Kelsei Biral

 



Categorias:Resenhas, Uncategorized

2 respostas

  1. Embora eu já esteja me planejando para os finais de semana em torno de 04 de outubro de 2019, a vida tem insistido em me afastar de todos os demais shows ‘menores’ que acabam acontecendo, que há coisa de dez anos eu não deixaria de comparecer nem à força. Este seria um deles.

    Tinha dúvidas sobre a qualidade do Sha(a)man desde sua criação, após a traumática separação do Angra (e do lançamento de seu ótimo Rebirth), mas lembro de ter comentado que tínhamos sorte de ter acabado não com uma, mas com duas grandes bandas – para quem gosta do estilo. Não gostava dos rótulos, apenas, já que à época André separava as coisas dizendo que “saiu do melódico para criar o ‘mystic metal'”… ninguém merece.

    Lembro que em 2002 estive na França em agosto e vi o Ritual à venda lá, antes mesmo do lançamento no Brasil. Goste ou não do estilo, era legal ver o Brasil representado fora do país. E há 16 anos eu escrevi um review do primeiro show do Shaman – favor perdoar a redação do moleque de 19 anos que eu era na época => http://www.angelfire.com/trek/concerts/shaman/140902/review.htm

    Infelizmente não terei a oportunidade de ver esta reunião de 2018. Gostaria sim que eles mantivessem a banda e que lançassem novas coisas, ou mesmo repetissem a reunião em outra ocasião, mas não acredito que seja o caso. O Shaman (assim como outras bandas) marcou fases da minha vida, boas e ruins, e há sempre o saudosismo ao ouvir Reason e Ritual. De pouco em pouco meu ‘random’ me apronta uma música desses dois álbuns, e a viagem é inevitável.

    Valeu pelo review!

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  2. Uma senhora cobertura, Kelsei. Demorei , assim como estou demorando para comentar o post do Somewhere In Time, mas é que eu queria ver e principalmente ouvir os vídeos . Em relação a cobertura, só posso elogiar….

    As fotos , os vídeos, as impressões , tudo muito bom. Um ponto de destaque é a participação da platéia, coisa que (acho) só desta forma com a banda em São Paulo. Posso estar enganado, mas é de impressionar a devoção do público presente. Não sei se há outro lugar no país com esse retorno.

    E eu com isso ? Bem, eu deixei de acompanhar o Angra e o Shaman ( por consequência) quando André, Mariuti e Ricardo deixaram o grupo original. O estilo já me cansava um pouco na ocasião, e a cisão foi a gota d’água. Hoje, muito anos depois, eu não me motivo a recuperar o tempo perdido ( apesar de ter voltado nos primeiros álbuns com o Edu no Angra – Rebirth e Temple of Shadows – esse eu tenho de ouvir mais), mas respeito o legado de ambos os lados da cisão. Acho o Ritual mais legal que o Reason ( que já ouvi bem, mas não bateu pela mudança de característica) e acho o dvd RItual Live muito bem gravado e mais interessante de acompanhar.

    Por fim, é lógico, não há o que dizer que não elogios aos músicos desta banda. Todos de excelência. André está, como todos os vocalistas de sua época e de antes dele, tendo que buscar os atalhos e dosar seus vocais para apresentar algo que justifique um padrão que ele sempre se empenhou em trazer. Acho que ele ainda consegue, com a dificuldade justificável e que afeta todos os vocalistas do gênero.

    Valeu!!!!!!!!!!!!!!

    Alexandre

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