Discografia-homenagem DIO – parte 11 – álbum: Dehumanizer

ÁLBUM: DEHUMANIZER

A capa de Dehumanizer

A capa de Dehumanizer

■ Gravação: 1991/1992 – Rockfield Studios, País de Gales.

■ Lançamento: 22/06/1992.

■ Produtor: Reinhold Mack.

■ O Álbum Vendeu mais de 500.000 Cópias.

■ O Álbum atingiu #40 nas paradas inglesas.

■ O Álbum atingiu #44 na Billboard – EUA.

Faixas:

1- Computer God –  6:10 6- Time Machine – 4:10
2- After All (The Dead) – 5:37 7- Sins Of The Father –  4:43
3- TV Crimes  – 3:58 8- Too Late – 6:54
4- Letters From Earth – 4:12 9 – I – 5:10
5- Master Of Insanity – 5:54 10 – Buried Alive – 4:47

Antes de iniciarmos a resenha de Dehumanizer, precisamos traçar um resumo do momento no início dos anos 90 da carreira de DIO e do Black Sabbath.

Como já exposto no review anterior, após a saída de Vivian Campbell em 1986, Dio havia trocado duas vezes de guitarrista na banda, na tentativa de obter o sucesso do início dos anos 80, sem porém alcançá-lo. Embora o clima na atual banda fosse o melhor possível, o duro fato é que não havia um horizonte comercialmente promissor para a banda DIO no início dos anos 90. Em paralelo, após a saída de Dio depois da turnê de Mob Rules, o Black Sabbath alternou vocalistas, alguns renomados (Ian Gillan e Glenn Hughes) na tentativa de resgatar o sucesso dos anos 70, também sem êxito. Uma coisa porém ficara clara desde a saída do baixinho em 1982: o motivo do rompimento na época não havia sido musical e sim, por desavenças pessoais, muitas delas frutos de mal-entendidos.

Naquele momento, o Sabbath novamente contava Geezer Butler, que voltara após a finalização da tournê com Ozzy (No Rest For The Wicked Tour) e completando a cozinha – Cozy Powell, que já estava com a banda desde o início da gravação do álbum Headless Cross (1988).

Com a oportuna aproximação de Geezer nos shows da banda DIO durante a turnê de Lock Up The Wolves, esses mal-entendidos são desfeitos e novamente abre-se o caminho para o retorno de Dio ao Black Sabbath. Haveria inicialmente uma formação do Black Sabbath inédita, um pouco mais misturada como Rainbow, já que Cozy já havia tocado com Dio na clássica formação do consagrado álbum Rising do Rainbow.

Ronnie resolve retornar para a Inglaterra, morando temporariamente em Birmingham, enquanto a banda inicia o processo de criação das músicas para o novo álbum, que inicialmente é chamado de Heaven and Hell II, mas apenas como um título provisório de trabalho. Neste momento, em entrevistas, a banda aponta que esta formação com Dio duraria apenas um álbum e turnê, e que Ronnie iria voltar para sua banda em seguida. Esta formação trabalha nas sessões “demo” no estúdio Rich Bitch em Birmingham, contando também com Geoff Nicholls nos teclados.

Destas sessões com Powell há a criação da base de Dehumanizer, incluindo canções que também não seriam incluídas no disco, como The Night Life (ou Next Time), cujo riff seria utilizado em Psychophobia do álbum Cross Purposes e Bad Blood. Essas canções foram registradas em um bootleg “The Complete Dehumanizer Sessions”. Computer God e Master Of Insanity são trazidas por Geezer Butler e fazem parte deste CD pirata, que vale apenas para o fã mais ardoroso do álbum.

Computer God – Versão Demo

Master Of Insanity – Versão Demo

Em Outubro/Novembro de 1991, Cozy Powell sofre um acidente e quebra a bacia ao cair de um passeio a cavalo, que o impossibilita de continuar o álbum. Para continuar a gravação de Dehumanizer, Dio sugere a participação de Simon Wright, mas o restante da banda rejeita, justificando que o estilo de Simon era muito “reto” para o que se propunha para o disco. Enfim, Vinny Appice retorna para a banda, trazendo a clássica formação de Mob Rules de volta. A banda gravaria inicialmente a faixa Time Machine para o filme Wayne’s World, no Ridge Farm Studios, em Surrey, com a produção de Max Norman para a seguir gravar o álbum, incluindo uma nova versão de Time Machine, no Rockfield Studios, com o produtor Rheingold Mack, conhecido pelos trabalhos com o Eletric Light Orchestra e Queen (como exemplo, o álbum clássico A Night At The Opera foi produzido por Mack e gravado neste mesmo estúdio).

O álbum é lançado em 22 de junho de 1992, e já havia indícios que esta formação poderia se prolongar e não se limitar apenas a um novo álbum. Dependendo do resultado alcançado pelo álbum e na turnê, Dio poderia permanecer na banda. Nada oficial, porém é confirmado.

No encarte do cd, a 2a formação do Black Sabbath reunida

No encarte do cd, a 2a formação do Black Sabbath reunida

A turnê se inicia no Brasil em 23 de junho de 1992, sem o lançamento do álbum, nas terras brasileiras. Haveria quatro shows em São Paulo, dois no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre, entre 23/06 e 01/07/1992, e o setlist incluía as novas músicas do álbum como Computer God, Master Of Insanity, I, TV Crimes, Time Machine, uma mistura entre os álbuns da era Dio no Sabbath, como Heaven and Hell, Mob Rules, Neon Knights e Children Of The Sea e as clássicas da fase Ozzy, como Black Sabbath, War Pigs e Paranoid.

A tour se estende pela Argentina, antes de fazer a primeira “perna” nos EUA/Canadá entre 24/07 e 09/08/1992. Após participação no SuperRock 1992 na Alemanha em 15/08, a turnê européia se inicia realmente em 01/09, indo até 25/09, abrangendo entre outros os países Reino Unido, Itália, França, Holanda, Suíça, Bélgica.

BlackSabbath_Ticket_Dehumanizer_Boston_1992

Em outubro/novembro se daria a finalização da tour canadense/americana, a partir de 12/10 até 13/11/1992, onde em Oakland, há a participação de Carmine Appice tocando Paranoid.

Apesar do relativo sucesso, logo após o início da turnê, os velhos problemas de relacionamento da banda aparecem. Ronnie e Vinny não se juntavam a Tony e Geezer no ônibus após os shows, ficando cada dupla em um canto. Além disso, Ronnie sempre gostou de confraternizar com os fãs após os shows, enquanto Tony e Geezer rapidamente desapareciam.

A gota d’água se dá com o convite de Ozzy para o Black Sabbath participar nos seus supostos últimos dois shows da carreira em Costa Mesa. A ideia proposta era o Black Sabbath abrir para o Ozzy e também haveria uma participação de Ozzy junto com a banda, sem Dio. Por coincidência ou não, esses shows são agendados para os dias 14 e 15/11/1992, e o contrato de Dio com a banda era válido apenas até 13/11/1992. Dio se recusa a participar do show e novamente sai do grupo e declara que o Black Sabbath pode fazer o que bem entender em relação a estes shows. Rob Halford – um amigo de Dio – é chamado para participar do show, porém somente o faz com o consentimento de Dio, em conversa telefônica. Da mesma forma, Vinny Appice também participa com igual aprovação de Dio.

Dehumanizer seria relançado numa versão deluxe em 07/02/2011 que inclui um disco bônus com versões alternativas de algumas músicas como Master of Insanity, Letters from Earth e Time Machine (Wayne’s World) e algumas versões ao vivo do show gravado em 25/07/1992, na Flórida.

N.R.:

A contracapa de Dehumanizer

A contracapa de Dehumanizer

Um sonho realizado, que durou pouco. Antes de começar a apreciar o disco, fomos surpreendidos com o retorno da formação do Black Sabbath com Dio e em shows no Brasil. São poucas as lembranças daquele mágico dia, onde pudemos presenciar a força desta formação da banda. As novas músicas, embora totalmente desconhecidas, foram bem assimiladas, já como num prenúncio do grande álbum que viríamos a conhecer.

O terceiro disco em estúdio dessa formação não decepciona e traz um peso inédito para a banda; é com certeza o disco mais pesado de toda a carreira do Black Sabbath, talvez encontrando apenas em Born Again um rival para disputa. O retorno literalmente acidental da “cozinha” de Mob Rules trouxe uma mudança no panorama do que a banda vinha apresentando nos álbuns anteriores.

Dio está inspiradíssimo em um vocal muito mais agressivo, que combina com uma mudança no aspecto lírico do disco. Desta vez não há espaço para dragões e castelos. O álbum traz temas mais atuais e discute um mundo onde computadores são tratados como deuses, os crimes feitos por influência da TV e discute o que há após a morte.

O som do álbum é ríspido como na pesadíssima Buried Alive, mas traz toques de suavidade, como na belíssima Too Late. Há espaço para as rápidas como em TV Crimes e Time Machine, mas a cadência característica da banda está fortemente presente, como nas impecáveis Computer God e Master of Insanity.

Para completar a temática e aproximar um pouco do que a banda já trazia, há a soturna e pesadíssima After All (The Dead) que infelizmente não foi tocada no show do Rio em 1992. Fica difícil escolher um ponto fraco e foi mais difícil ainda votar na pesquisa do Minuto HM, que apontou a excelente I como vencedora, uma música onde Tony Iommi novamente mostra como utilizar o efeito Wah-Wah no seu timbre característico que molda o estilo da banda.

Dehumanizer é um daqueles álbuns para apreciar como todo, uma autêntica aula do estilo e recomendado por nós a todos que curtem o verdadeiro Heavy Metal.

A influência deste trabalho é tão marcante na carreira do baixinho que a seguir haveria um novo direcionamento na sua banda, mas isso vamos falar no próximo capítulo.

Flávio Remote e Alexandre Bside.



Categories: Black Sabbath, Bootlegs, Covers / Tributos, Curiosidades, Deep Purple, DIO, Discografias, Entrevistas, Judas Priest, Músicas, Minuto HM, Pesquisas, Queen, Rainbow, Resenhas, The Beatles, Trilhas Sonoras

26 replies

  1. A qualidade deste post, Remote e B-Side, dispensa comentários que não sejam os melhores elogios que se possam dar…

    Eu quero separar minhas observações em duas partes: uma pessoal e uma, claro, da resenha e do disco. Farei aqui o comentário pessoal primeiro.

    Aprendi a gostar do disco com a paixão demonstrada pelo Rolfístico ao álbum, assim como “devo” a ele muito do que aprecio em termos de Dio em geral. Essa paixão dele fez com que eu me aprofundasse neste disco (além da carreira do baixinho, coisa que já fazia com menos intensidade).

    Mais para frente, quando passamos a falarmos mais (nós 4 – e, graças a ele, pudemos nos conhecer e este blog foi criado por isso), eu pude aprender muito mais de tudo, e continuo aprendendo diariamente com vocês sobre esse legado que envolve a carreira do Dio.

    Isso posto, farei mais tarde o comentário sobre o post/disco, mas primeiro precisava falar isso.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • E por isso pedimos uma PIZZA DE CALABRESA, POR FAVOR!!!!!

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      • (com o indicador apontado):

        MEU IRMÃO, BOA NOITE. OBRIGADO POR ESTAR AQUI. POR FAVOR, POR GENTILEZA, ME TRAGA AÍ UMA PIZZA MEIA 4 QUEIJOS, MEIA PORTUGUESA, POR FAVOR. E TRAGA UMA DE FRANGO COM CATUPIRY, POR FAVOR, OBRIGADO. VOU QUERER TAMBÉM UMA COCA COM MUITO GELO, SEM LIMÃO, O GELO EM UM COPO A PARTE, POR FAVOR, OBRIGADO, BOA NOITE!!!

        Uma sincera homenagem ao Rolfístico Personagem, o maior admirador do Dehumanizer que existe no planeta…

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

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  2. Dio cantando The Beatles e John Lennon, acho que tem outras músicas gravadas. Merece um post:

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    • Olá Murilo, primeiramente, seja bem-vindo ao Minuto HM. Obrigado pelo comentário e pela ótima contribuição – pena que não até o final das duas primeiras músicas, ainda assim um material bastante raro e lindo de se ouvir, principalmente para quem curte ambos – Dio e Beatles.

      A versão de Imagine, de Lennon, está muito linda também.

      Fique a vontade para comentar pela discografia do Dio e nos outros posts por aqui sempre, ok?

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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      • Ótimos vídeos que atestam a capacidade vocal do mestre Dio desde o início. Era impossível que tamanha voz não tivesse o reconhecimento merecido . Imagine ficou nada menos que fantástica na versão de Ronnie e seus companheiros do Elf.
        Aqui no Sabbath , suas contribuições são todas recheadas de momentos preciosos , como esse espetacular álbum.
        Murilo, também agradeço pela participação e desde já começo a avaliar uma possibilidade de trazer algo da carreira do baixinho pré- Rainbow.

        Alexandre Bside

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  3. Lembro-me de quando começou a “pipocar” rumores sobre a volta de Dio ao Sabbath, o empresário da banda foi questionado sobre isso e a resposta foi um direto “sem comentários”. Na época isso soou apenas como conversa fiada, jamais imaginaríamos que esta formação estaria junta novamente. Era mais um rumor idiota.
    Na época Dio estava com sua banda toda reformulada, o Sabbath finalmente se mantinha estável e com bons lançamentos desde Headless Cross… Não era possível essa união.
    Recordo que quando fiquei sabendo que era verdade, fiquei um pouco decepcionado, afinal havia gostado do Lock up the Wolves e muito mais ainda do TYR. Porem quando vi a banda no Ibirapuera pensei: “só mesmo essa formação poderia nos proporcionar isso!!!”. Ainda bem que não eram apenas rumores!

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    • Caro JP, obrigado pelos excelentes comentários, complementadores ao post. Registro aqui que compartilho da sua incredulidade da época, eu também fiquei surpreso com a volta, e é claro – ao ver o show do RJ, eu tinha a sensação de ter visto algo que atingia a perfeição em termos de HM, tal como a sua. O triste é o que viria a seguir: a decepção por ter durado tão pouco…

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  4. Pessoal, primeiramente, parabéns aos B-Side e ao Remote por mais um excelente post. É impressionante a qualidade do texto e do quanto aprendemos aqui.

    Dehumanizer é uma obra-prima do heavy metal. Poucos registros reunem tanta qualidade em uma só empreitada: formação, composição, peso, proposta do material.

    Eduardo, nosso presidente, muito obrigado por me referendar aqui neste post e nesse material. É uma honra muito grande pra mim poder ser associado ao grande Mestre Ronnie James Dio e a esta formação do Black Sabbath por você que é um grande conhecedor de metal e que se torna referência do metal nacional com essa qualidade de texto. Muito obrigado por seguir com o blog de forma primorosa.

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  5. só mais um ponto que quase esqueci: juntamente com o Flávio e Alexandre, tivemos a oportunidade de ver essa turnê aqui no Brasil num Canecão cheio porém não lotado, numa terça-feira de calor intenso e nos emocionarmos ao vermos essa formação ao vivo, numa época em que show internacional no Brasil era coisa rara e dificilima de ser ver

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  6. Mais um excelente post desse disco que teve uma votação bem divertida e polêmica. Ainda não considero I a melhor música embora tambem não saiba dizer qual deveria ganhar… Computer God ou After All, talvez…

    Que bom que vocês tiveram a oportunidade de serem os primeiros a conferirem essas músicas ao vivo. Um presente dos deuses (do metal) para fãs tão dedicados como vocês.

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  7. se deixar eu leio isso aqui umas 20 vezes

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  8. Lendo o post do dehumanizer pela quinquagésima vez

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  9. Flavio, recebi essa semana o CD triplo intitulado Rehearsals do Black Sabbath, que na verdade são as demos do clássico Dehumanizer.
    Algumas informações adicionais sobre as demos, a Next Time que você citou tem 5 versões, existem mais 10 musicas sem nome que estão intituladas como unknown song, unreleased track ou unreleased song e tem um cover o Ventures “apache”. O restante e’ o pré-dehumanizer com Dio, Geezer, Iommi e Cozy Powell. Um pecado essa formação não ter gravado nada oficial…
    Bem, gostaria de destacar que se não fosse por você e o Minuto HM eu jamais ficaria sabendo que essas Demos poderiam existir. Agradeço imensamente por isso!!!
    Como sempre digo, e’ mesmo um grande privilegio conviver com todos vocês aqui no Minuto HM!

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