Consultoria do Rock – Melhores de Todos os Tempos – Aqueles que Faltaram: por Flavio “Remote” Pontes, com participação do Minuto HM

Galera, vamos a mais um capítulo (d)”Aqueles que Faltaram“, da série “Melhores de Todos os Tempos“, idealizada pelo pessoal do Consultoria do Rock. Só que finalmente chegou a hora de uma dessas listas ser “de casa”: trata-se da lista do Remote – lá ele pode ser o Flavio Pontes; aqui, será sempre o Remote…

A lista encaixa muito com meu gosto pessoal, e creio com o da maioria por aqui, então é algo sensacional de ser devorado com olhos e, claro, ouvidos. Mais que isso, para mim a lista encaixa com a verdadeira proposta de 2 blogs / sites / whatever de rock, hard e metal, além de prestar justa homenagem a estes álbuns que podem ter circulado entre os mencionados mas não chegaram entre os 10 de cada ano – muitas vezes perdendo para coisas, digamos, “duvidosas”.

Passar um dia ouvindo estes discos da lista pode ser uma das melhores decisões que alguém pode tomar. E como quem manda a lista é o primeiro a comentar cada disco, e com o Alexandre normalmente sendo o primeiro, este será provavelmente o único post da série com os comentários sendo abertos pela dupla Remote-B-Side – não há privilégio maior que este para mim.

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Eduardo.


BADLANDS EM 1991: JAKE E. LEE, RAY GILLEN, JEFF MARTIN E GREG CHAISSON

Por Flavio “Remote” Pontes

Edição de Diogo Bizotto

Com Alexandre Teixeira Pontes, André Kaminski, Bernardo Brum, Christiano Almeida, Davi Pascale, Fernando Bueno, Mairon Machado, Ronaldo Rodrigues e Ulisses Macedo

Aqueles que vêm acompanhando a série percebem que minhas reverências são pelo rock pesado e algumas variações. A lista abaixo não fugirá desse tema. Percebo, ainda, que 80% dos discos foram citados anteriormente por algum participante da série em edições anteriores. Acredito, então, que esta lista acaba por não divergir das escolhas da Consultoria do Rock e ajuda de alguma forma, resolvendo alguns lapsos e dando-me a chance para homenagear ótimos trabalhos.


Uriah Heep – Demons and Wizards (1972)

Flavio: O Uriah Heep foi por muito tempo uma lacuna em minha discografia. Na verdade, achei que nunca gostaria da banda, pois sempre ouvia coisas aqui e ali e elas não me cativavam. Um amigo sempre insistia: “Ouça Demons and Wizards“, e eu ouvia uma música ou outra e não me animava. Faltava entender o álbum como um todo. Depois de muito, já recentemente, finalmente resolvi conhecer este trabalho. Gradativamente, o disco foi me ganhando a ponto de estar relacionando-o sem nenhuma hesitação. Está tudo aqui: rock progressivo com peso e grande performance da banda, desde o single “Easy Livin’” às mais “lado b”, como “Rainbow Demon” e “The Spell” (como deixar de destacar o trabalho do baixista Gary Thain?). A cozinha se completa com o excelente Lee Kerslake, que mais tarde ajudaria a ressuscitar a carreira de Ozzy Osbourne em seus primeiros discos solo. Há um trabalho vocal de grande qualidade, com apoio da banda a David Byron, que é dono de uma extensão e timbres fantásticos, que se destacam em, por exemplo, “Poet’s Justice” e na linda “Circle of Hands”. E ainda há os ótimos trabalhos dos “donos” da banda na época: Mick Box e Ken Hensley. Enfim, Demons and Wizards é um grande álbum, que merecia estar registrado aqui, ajudando a também me redimir por tantos anos em que não dei a devida atenção ao grupo.

Alexandre: Um pouco de hard rock, um pé no progressivo, algo do psicodélico da década anterior… Em minha opinião, este é o melhor álbum do Uriah Heep. Não é um grupo pelo qual eu tenha tanta admiração, mas este disco se destaca. Ele possui um grande hit – “Easy Livin’” –, uma faixa clássica – “The Wizard” – e um conteúdo bem equilibrado, demais canções de muito bom nível. O destaque absoluto entre os músicos é o excelente vocal de David Byron, mas é preciso também citar o papel importante do tecladista Ken Hensley na construção do som da banda. Seus timbres no órgão Hammond são a maior característica do grupo nessa época. Em contrapartida, considero Mick Box um guitarrista que perde em comparação aos grandes do instrumento da época, em especial se pensarmos em bandas com Deep Purple e Led Zeppelin. O grande baterista Lee Kerslake, que fez bonito nos primeiros álbuns de Ozzy Osbourne, tem um papel mais discreto, uma pena. Voltando às canções, é um álbum praticamente sem pontos fracos. Posso destacar facilmente, além de “The Wizard”, as faixas “Rainbow Demon”, “Paradise/The Spell” e “Circle of Hands”, a minha favorita. Acabei indicando mais de metade do álbum, veja lá… Um pouco abaixo das demais, “All My Life”, apesar dos vocais incríveis de Byron lá no fim da canção. O ano de 1972 é poderoso na música, com uma grande concorrência na praça, mas eu encontraria sim um espaço para este disco.

André: Uma das coisas pelas quais mais lamento é não ter participado das edições setentistas da série. Se eu estivesse entre os participantes, teria votado em Demons and Wizards, porque é um discaço. Caso alguém fale qualquer coisa negativa a seu respeito, ignore-o e coloque-o na sua “lista negra” de consultores. Guitarras lindas colocando grooves grudentos, solando (“Traveller in Time” é perfeita nisso)… David Byron tem uma garganta divina e as composições são brilhantes. “Easy Livin’” e aquela guitarra desconcertante, sinos, coro de vozes e Hensley destroçando seu teclado é uma das minhas faixas favoritas de todos os tempos. O ano pode ter sido concorrido, mas sim, foi uma injustiça o que fizeram com o Uriah Heep, que passou batido nos anos 1970.

Bernardo: Estamos falando de uma banda que lançou 12 discos entre 1970 e 1978, tornando-se, entre …Very ‘Eavy… Very ‘Umble e Fallen Angel, ícones tanto do rock progressivo quanto do hard rock setentista, e um dos principais responsáveis por isso é Demons and Wizards, que os alçou à fama. Intrincado, pesado e com uma atmosfera etérea, dá para entender o fascínio provocado à época.

Christiano: Demons and Wizards é considerado por muitos como a obra-prima do Uriah Heep. Embora a sequência de álbuns da fase Byron seja irrepreensível, não é um exagero dizer que este disco ocupa um lugar especial na discografia da banda. Não digo isso por conta dele trazer talvez a faixa de maior sucesso do Heep – “Easy Livin’” –, mas porque ele apresenta alguma coisa especial, um equilíbrio perfeito entre as experimentações de Salisbury (1971) e o peso e as melodias cativantes de Look at Yourself (1971). Aliás, como é assustador que esses três discos tenham sido concebidos em apenas dois anos. Além de todas essas qualidades, não posso deixar de afirmar que minha música preferida da banda está neste álbum: “Paradise/The Spell”, uma viagem meio progressiva e angustiantemente perfeita. Sem dúvidas, um dos melhores discos da década de 1970.

Davi: Disco bem bacana, com várias composições fortes. “Easy Livin’” é, indiscutivelmente, um clássico, mas também vale prestar atenção no slide guitar de “All My Life”, no teclado roqueiro de “The Spell”, nos violões de “The Wizard” enas harmonias vocais e na influência prog de “Poet’s Justice”. Bom disco…

Diogo: Mesmo em uma época de excessos, o Uriah Heep já era meio kitsch, dramático. Felizmente, isso funcionava a contento, talvez ainda mais em Demons and Wizards, que é um excelente álbum, no qual os excessos do grupo casaram bem em composições ajustadas. A aura mística de canções como “Circle of Hands” e “Rainbow Demon” combinou perfeitamente com os expressivos vocais de David Byron e com a atmosfera permeada de teclados criada por Ken Hensley, fazendo dessas duas os grandes destaques do disco. Digo isso pois realmente se trata de músicas magníficas, inesquecíveis, já que “Traveller in Time”, “Poet’s Justice” e “The Spell” também são exemplos da grande banda que um dia o Uriah Heep foi, ainda melhor ajustada com a entrada de Gary Thain e Lee Kerslake. “The Wizard” é outro momento de rara beleza que mostra como o Uriah Heep era uma formação única. Alerta aos interessados: não deixem de procurar uma faixa-bônus chamada “Why”, registrada ainda com Mark Clarke no baixo. Além do espetáculo dado pelo músico, trata-se de uma das melhores canções já feitas pelo Uriah Heep, evidente destaque no disco ao lado das citadas “Circle of Hands” e “Rainbow Demon”.

Fernando: Que vocalista fantástico era David Byron, não? Somente com esta extensão da série temos a real noção das maravilhas que ficaram de fora. Demons and Wizards é um disco extraordinário. Da linda “The Wizard” à progressiva “The Spell”, temos várias outras faixas marcantes. É deste disco, por exemplo, o superclássico “Easy Livin’”, que, com pouco mais de dois minutos, conseguiu condensar o que de melhor poderíamos ter da interação de guitarra, baixo e voz, sendo cada um deles protagonista, isso sem esquecer da brilhante linha de baixo. Só acho que a capa poderia ser um pouquinho melhor.

Mairon: Aqui está uma banda que realmente merecia ter tido mais espaço na série, e Demons and Wizards é uma bela escolha. A primeira parte da mágica história sobre a luta entre magos e demônios apresenta uma banda totalmente madura, estreando o talentosíssimo baixista Gary Thain e fazendo com soberania canções que marcaram época, como a baladaça “Circle of Hands” – com uma das introduções mais emblemáticas do rock e aquele arrepiante solo de slide por Ken Hensley – e “Easy Livin’”, com seu baita andamento e espetacular conjunto de notas entre baixo, órgão e guitarra que o ajudaram a vender mais de 3 milhões de cópias e fazer o Heep ser reconhecido mundialmente. Além disso, temos aquele conjunto de “sombra e luz” que poucas bandas na década de 1970 tinham tanta capacidade de fazer quanto o Heep. Basta ver a insanidade que é o peso de “Traveller in Time” – uma das faixas mais potentes do grupo, com um solo arrebatador do guitarrista Mick Box, mas ainda com uma doçura melódica durante seus trechos cantados pelo excelente David Byron, que também faz misérias em “All My Life” –, a fantástica “Rainbow Demon” – os acordes arrebatadores do órgão são para assustar – e as harmonias vocais trabalhadas à exaustão durante “Poet’s Justice”, na qual Ken Hensley solta-se ao órgão. Há espaços para momentos acústicos, exalados em “The Wizard” e, principalmente, durante “Paradise”, faixa que dá espaço para a sensacional “The Spell”, a canção mais linda de 1972. O trecho ao piano, com Hensley solando com o slide guitar e as vocalizações perfeitamente encaixadas, faz arrepiar até os cabelos caídos da cabeça de Esperidião Amin, lançando definitivamente o feitiço sobre os admiradores de um hardão setentista. Que música, senhoras e senhores. Gosto muito do encerramento da história, o álbum The Magician’s Birthday, também de 1972, que foi o que escolhi para a edição dedicada a esse ano, mas se este estivesse presente, principalmente no lugar de Harvest (Neil Young) ou Talking Book (Stevie Wonder), quiçá Machine Head (Deep Purple), eu iria aplaudi-lo de pé.

Ronaldo: O melhor disco dos ingleses, lançado no prolífico ano de 1972 (no qual o grupo lançou outro ponto alto de sua carreira, o sucessor The Magician’s Birthday). O maior trunfo de Demons and Wizards é a diluição dos clichês do grupo (vocais fantasmagóricos, gritos histéricos e dramatizações cafonas foram mais bem dosados do que nos demais discos do grupo) e a pegada exata na sonoridade para suas composições. Há grandes momentos acústicos (“The Wizard” e “Paradise” são de uma rara beleza), uma profusão da sonoridade do Hammond, linhas vocais muito bem construídas e arranjos inteligentes em toda a sua extensão.

Ulisses: Da série “já tentei gostar e não consigo”. Sou capaz de ouvir todos os méritos do grupo: a forte presença do Hammond por todo o registro, o vocal expressivo de Byron e os arranjos fantasiosos da banda. Mas somente algumas composições me impressionam, como “Poet’s Justice”. Deixo os comentários “de verdade” para os meus coleguinhas, mas admito que o resgate de um álbum tão querido por muuuitos roqueiros é super válido.


Kiss – Rock and Roll Over (1976)

Flavio: O Kiss é a primeira banda que me direcionou de forma definitiva para o rock. Em 1983, quando o grupo veio ao Brasil, fui conquistado e nunca mais abandonei essa paixão. Durante mais de um ano, tudo que eu ouvia era Kiss e nada mais. Depois de tantos anos conhecendo a banda, hoje vejo sua discografia de uma forma mais ampla. Lançado no mesmo ano que Destroyer (1976) e por muitas vezes considerado o irmão fraco, Rock and Roll Over foi gravado em um momento em que a banda já estava consagrada, mas ainda procurando seu verdadeiro som. Se os três primeiros foram de alguma forma mal produzidos, e o quarto em estúdio, o aclamado Destroyer, foi “superproduzido” em uma abundância de polidez e sofisticação por Bob Ezrin, o que tentar a seguir? Ao procurar o produtor Eddie Kramer, o grupo tentou um meio termo, reduzindo a sofisticação, tentando traduzir seu verdadeiro som para a bolacha. Ao gravar canções como “I Want You”, “Calling Dr. Love”, “Makin’ Love”, “Take Me”, “Ladies Room” e “Mr. Speed”, a banda consagrou seu estilo. Há pontos não tão interessantes? Sim, “Baby Driver” e “Love ‘Em and Leave ‘Em” são mais fracas e poderiam ser substituídas, mas o “core” do álbum é o que importa. Ao verificar Destroyer coerentemente colocado na edição dedicada a 1976, entendo que seu irmão Rock and Roll Over talvez seja o maior significado do que o Kiss realmente é, e desta forma não poderia ser esquecido.

Alexandre: Em 1975, com Alive!, a banda conseguiu atingir a popularidade, mas Destroyer, apesar de tantos hits, inicialmente não obteve a mesma repercussão do disco ao vivo. Essa situação foi parcialmente revertida com a balada “Beth”, mas a banda só foi realmente sedimentar sua força e excepcional vendagem de álbuns com Rock and Roll Over. Ao optar por trazer um produtor (Eddie Kramer) que os fizesse soar como deveriam, deixando os teclados e orquestras de Destroyer de lado, o grupo finalmente conseguiu mostrar pelo que seria reconhecido. Esse é, para mim, o maior mérito de Rock and Roll Over. Sou um fã confesso da banda, mas prefiro quando eles se arriscam um pouco mais, em álbuns como Lick it Up (1983), (Music from) The Elder (1981) e até em Revenge (1992). Preciso reconhecer, porém, que se me pedissem algo que representasse a banda, talvez indicasse este, ainda mais do que seu sucessor, Love Gun (1977). Faixas diretas, com o DNA festivo da banda, criatividade em alta, em especial para Paul Stanley, mas também nas faixas de Simmons. “I Want You”, “Hard Luck Woman” (que foi feita para Rod Stewart), “Calling Dr. Love” e “Makin’ Love” são músicas que hoje em dia entrariam em um setlist do grupo, 40 anos depois. Aliás, “Makin’ Love” tem um excelente solo de Frehley, um dos seus melhores. Só não o considero como algo que beira a perfeição pois há algumas faixas mais fracas, como “Baby Driver” e “See You in Your Dreams”. Trata-se, contudo, de um álbum absolutamente clássico, talvez o maior de todos na banda, até pela capa. A indicação é bastante correta.

André: Nada de especial, mais um bom disco do Kiss em sua melhor fase. Destaco o estilo despojado de “Mr. Speed” e a ótima balada cantada por Criss e sua voz rouca, “Hard Luck Woman”. Tenho preferência por alguns outros, até mesmo da fase oitentista da banda, mas é um Kiss clássico e agradável, que não faz feio em qualquer ambiente em que seja tocado.

Bernardo: Kiss tentando continuar o sucesso de Destroyer, álbum com tantos sucessos que parecia uma coletânea, alcançando mais ou menos o intento. O disco não é tão consistente e já denuncia a repetição na qual o Kiss cairia, mas não dá para ignorar “Calling Dr. Love” e “Hard Luck Woman”.

Christiano: Não sou um grande admirador do Kiss. Sendo assim, já adianto que, em termos musicais, Rock and Roll Over não me diz muita coisa. É um disco divertido, bastante enérgico etc. Traz algumas músicas realmente muito boas – “I Want You”, “See You in Your Dreams” e “Calling Dr. Love” –, outras dispensáveis e meio cansativas – “Take Me”, “Love ‘Em and Leave ‘Em”. Claro que a banda é muito importante para a história do rock. Além disso, o álbum é um registro da fase clássica dos mascarados. Continuo achando, contudo, imagem demais e música de menos.

Davi: Sei que muita gente virá com a reclamação de “mais um álbum do Kiss”, mas este ter ficado de fora foi realmente uma injustiça. Rock and Roll Over traz o Kiss em seu auge. Formação original hiperentrosada, na fase em que as aventuras com o álcool e as drogas ainda não haviam deteriorado a relação entre os músicos. O tracklist é quase perfeito. Peter Criss voltou a soltar o vozeirão em “Baby Driver” e “Hard Luck Woman” (musica que Paul Stanley compôs pensando em enviá-la para Rod Stewart, daí a levada meio Bread). “Makin’ Love”, “Take Me”, “Mr. Speed” e “Ladies Room”, embora não sejam exatamente hits (são clássicos para os fãs, mas duvido que quem não os acompanha de perto as conheça), são extremamente empolgantes. “I Want You” e “Calling Dr. Love” são clássicos absolutos que ganhavam ainda mais força nos shows. Para mim, a única bola fora é “Love ‘Em and Leave ‘Em”. Clássico!

Diogo: Rock and Roll Over talvez seja o melhor exemplo daquilo que é o Kiss, para o bem e para o mal. Explico: há algumas ótimas músicas, mas, no geral, a maior parte do disco varia entre o regular e o bom. São canções que, por mais que não sejam excepcionais, foram pensadas para soar bem nos shows, que é o território no qual o Kiss melhor se expressa. Álbuns bons quase na íntegra, como Destroyer (1976) e Creatures of the Night (1982), são exceções, e o melhor material geralmente sai das mãos de Paul Stanley. Os três grandes exemplos em Rock and Roll Over confirmam a tese. “I Want You” é uma excelente abertura, enquanto “Makin’ Love” flerta com o heavy metal e traz um ótimo solo de Ace Frehley. A melhor, porém, é “Hard Luck Woman”, mesmo não sendo cantada por Paul. Não que Peter Criss não faça um bom trabalho nessa balada de pegada country (ele faz), mas tanto a versão cantada por Paul no MTV Unplugged (1996, apenas no vídeo) quanto aquela interpretada por Garth Brooks (tendo o Kiss como banda de apoio) para o tributo Kiss My Ass: Classic Kiss Regrooved (1994) são ainda melhores. De resto, há um misto de boas faixas, como “Take Me” e “Calling Dr. Love”, com outras pouco memoráveis, caso de “Baby Driver” e “Love ‘Em and Leave ‘Em”.

Fernando: Disco clássico do Kiss! O dedilhado no início de “I Want You” até nos engana um pouco, mas depois da introdução é rock and roll até o fim. Mesmo as faixas menos lembradas são legais, como é o caso de “Mr. Speed”, “Baby Driver” e “See You in Your Dreams”. “Love ‘Em and Leave ‘Em” poderia estar até hoje nos setlists, mas entendo sua ausência. É uma pena, porém, que “Hard Luck Woman” não seja mais lembrada. Com Peter Criss cantando, é uma das faixas das quais mais gosto da banda. Gostaria de ver Paul Stanley, que foi quem a compôs, fazendo os vocais principais.

Mairon: O Kiss entrou com alguns discos improváveis, mas não com aqueles que eu jurava que entrariam. Este é um daqueles sobre os quais tenho dúvidas, já que foi lançado após o clássico Destroyer, que entrou na edição abrangendo 1976 e que julgo melhor que Rock and Roll Over para representar a banda. O álbum possui muitos rocks tipicamente Kiss, tornando-o bem homogêneo. Basta ouvir a sequência com “Take Me”, a clássica “Calling Dr. Love” e “Ladies Room”. Os riffs são parecidos, não há muita mudança. A coisa continua similar em “Love ‘Em and Leave ‘Em”, “Mr. Speed” e “See You in Your Dreams”, meras canções com um refrão para grudar, um solo tímido e nada mais. Gosto muito da pegada de “I Want You” e “Makin’ Love”, que demonstram sim que o Kiss era capaz de fazer música boa além do rock tradicional. Joguem as pedras, mas “Baby Driver” me agrada bastante. É a canção de Criss que mais curto, junto a “Black Diamond”; e, francamente, Mr. Criss, poderíamos ter ficado sem ouvir “Hard Luck Woman”, né, meu caro? Dois álbuns do Kiss na mesma lista não ficaria bem, mas não deixa de ser um bom disco para curtir com amigos.

Ronaldo: Musicalmente, o Kiss sempre foi um grupo bastante limitado, mas foram magistrais na consolidação (e na venda) de uma atitude cativante ao público. Felizmente, Rock and Roll Over também traz alguns dos melhores momentos musicais do grupo. Disco bem produzido (supera em qualidade de gravação os lançamentos anteriores), com boa pegada, guitarras que são pura funcionalidade e economia e boas vocalizações. Estrofes e refrãos assobiáveis, tudo feito sob medida para divertir e agradar a generalidade do público rock.

Ulisses: Para um álbum do Kiss, banda que sempre me disse pouca coisa (curto apenas alguns hits), até que a audição foi agradável. Rock básico e sem pretensões, deixando os riffs de blues rock e o bom andamento das composições ditarem o bom aproveitamento do disco. Gostei da abertura, “I Want You”, da divertida “Mr. Speed” e da séria “Hard Luck Woman” – apesar de não gostar da voz de Peter Criss, ela se encaixa bem nessa faixa.


Scorpions – Taken By Force (1977)

Flavio: Eu sou fã da fase preliminar do Scorpions (Ulrich Roth), e já “carimbei” com aprovação a escolha do Fernando Bueno, Virgin Killer (1976). Entre os quatro com Roth, porém, considero como os dois melhores In Trance (1975) e Taken By Force. São muito parelhos, tive que fazer uma “escolha de Sofia” para tirar um deles. Na verdade, cheguei a considerar manter ambos, mas como são apenas dez… Escolhi Taken By Force também pela importância como influenciador para os guitarristas neoclássicos. “We’ll Burn the Sky” e, principalmente, “The Sails of Charon” são referências para os guitarristas que desenvolveriam o estilo. O álbum traz também um apontamento para um disco com canções mais calcadas na linha melódica vocal, de forma a tentar tornar a banda comercialmente mais acessível. Por um lado, considero interessante explorar a melodia, já que Klaus Meine tem performance soberba no disco (e na carreira toda), mas segundo se conta, esse direcionamento ocasionou a saída do gênio Roth após a turnê. Novamente, é ele o destaque, com solos irrepreensíveis e canções influentes. Considero destaques as duas já citadas, além da faixa de abertura e da lindíssima “Born to Touch Your Feelings”, mas gosto de todas. Sem Roth, a banda gradativamente se tornaria mais leve, mais comercial, a ponto de provocar meu desinteresse, mas isso é outra história. Ainda há outros consultores que, entre seus esquecidos, poderiam escolher In Trance também, que tal?

Alexandre: Que maravilha de disco! Em 1977? Fácil, fácil… A começar por Ulrich Roth, sempre… As linhas do virtuoso guitarrista, que está no meu top 5 da década de 1970, parecem saltar dos alto-falantes enquanto escrevo estas linhas. Este é, para mim, o melhor disco de estúdio dos alemães com Roth, em uma difícil comparação com In Trance e Virgin Killer. “The Sails of Charon” é o fiel da balança nessa comparação, porque ela sai do maravilhoso para o genial. Novamente, pontos para Ulrich, o compositor dessa obra-prima. Mas Taken By Force não é só isso, há diversas músicas fantásticas, como “Steamrock Fever”, “The Riot of Our Time” e, principalmente, “We’ll Burn the Sky”, outra aula de Roth. O disco até tem algumas faixas menos favoráveis, como “I’ve Got to Be Free”. Particularmente, não curto “He’s a Woman, She’s a Man”, que começa a desenhar uma linha mais comercial, motivo principal da saída do genial guitarrista solo pouco tempo depois deste lançamento. Por fim, preciso destacar o grande trabalho de composição de toda a banda, em especial Schenker, e também o timbre único de Klaus Meine. Suas linhas de interpretação ímpar, que se sobressaem também nas baladas, como “Born to Touch Your Feelings”, são a cereja do bolo neste excelente trabalho.

André: Mais uma prova de que o Scorpions passa longe de ser uma banda de baladas grudentas como tantos pensam. Disco hard rock com várias canções quase heavy metal. O fato é que, apesar do peso, o grupo continuou colocando suas melodias em composições do mais puro rock ‘n’ roll, nas quais é impossível não prestar atenção. “We’ll Burn the Sky” é simplesmente incrível e minha favorita. “Your Light” é empolgante e uma demonstração de bom gosto de linhas de guitarras e um swing delicioso de bateria. Esse período foi simplesmente mágico para os escorpiões.

Bernardo: Já dava para ver a banda que faria “Rock You Like a Hurricane” e “Still Loving You”, ainda que tudo pareça demais com o hard rock que estava na moda à época e que vinham cultivando desde In Trance. Entretanto, está lotado de bons momentos.

Christiano: Disco perfeito! Talvez, o melhor do Scorpions. Já abre com “Steamrock Fever”, mostrando a banda em seu auge tanto criativo quanto técnico. Digo isso com segurança, e mostro as provas: escute “The Riot of Our Time” e veja como ela flui por caminhos imprevisíveis, mesclando um rastro do experimentalismo dos tempos de Fly to the Rainbow (1974) à pegada mais pesada predominante no resto do disco. Por falar em peso, é impossível não mencionar aquele que talvez seja o auge dessa fase do Scorpions, “The Sails of Charon”, obra-prima escondida na discografia da banda. Ainda tem a clássica e pesada “He’s a Woman, She’s a Man”, além de Uli Jon Roth mostrando sua genialidade em “Your Light”. Um clássico.

Davi: Último álbum da fase Uli Jon Roth, ainda contando com uma sonoridade mais crua e mais pesada do que aquela a qual os fãs dos anos 1980 estão acostumados. Embora “Steamrock Fever” seja adorada entre os fãs, não me empolga tanto. Para falar a verdade, acredito que este seja o álbum da fase Uli que menos curto. Os destaques ficam por conta de “We’ll Burn the Sky” e do classicão “He’s a Woman, She’s a Man”, minha favorita.

Diogo: Taken By Force foi mais um firme passo em direção a um som mais pesado e ao mesmo tempo com maior apelo popular. Isso, claro, tendo como parâmetro o que a banda vinha fazendo até então, não o que fez de Blackout (1982) em diante. Nem por isso Uli Jon Roth deixou de marcar seu último registro ao lado da banda com faixas com sua assinatura e a fluidez ao instrumento que lhe era típica. “I’ve Got to Be Free” e “Your Light” são duas ótimas mostras de seu talento, mas “The Sails of Charon” é espetacular em sua pegada oriental, uma fortíssima concorrente a melhor canção já registrada pela banda. Felizmente, Rudolf Schenker e Klaus Meine não ficaram muito para trás, ajudando a fazer de Taken By Force um dos três melhores álbuns lançados pelo Scorpions. O peso acessível ao qual me referi mais acima fica evidente em “Steamrock Fever” e em “He’s a Woman, She’s a Man”, com contribuição do novato baterista Herman Rarebell, uma ótima inclusão ao line-up. Por outro lado, se escutasse “The Riot of Our Time” sem acompanhar os créditos, seria capaz de jurar que a composição é de Uli; claro, sem subestimar os talentos de Rudolf e Klaus. Aliás, méritos ao guitarrista base por musicar o poema que originou “We’ll Burn the Sky” e transformá-la em uma dinâmica semibalada, outro destaque evidente de um disco recheado de canções marcantes. É a segunda vez consecutiva que o Scorpions aparece aqui, mas não vou reclamar nem um pouco se In Trance der as caras em alguma outra edição.

Fernando: Os Scorpions emplacam dois discos em duas edições consecutivas. Até hoje não entendi por que o povo ficou tão chocado com a capa, fazendo com que tivessem que mudar para a alternativa horrível de colocar a mesma imagem que estava na contracapa. “Steamrock Fever” é um dos clássicos da banda. Não preciso nem ouvi-la para que a música não saia da minha cabeça. Li um comentário super engraçado em algum lugar aí, era mais ou menos assim: antes de Klaus Meine aprender a assobiar, o Scorpions era uma banda que detonava. E faz sentido, já que nesses discos dos anos 1970, o Scorpions era mais heavy do que hard e cada disco era uma pérola.

Mairon: O que eu tinha para escrever sobre este álbum está na Discografia Comentada que publiquei há algum tempo. Apenas para complementar o que foi dito lá, afirmo que a despedida de Uli Roth é impactante, carregada principalmente pelo inconfundível estilo do alemão em faixas épicas como “We’ll Burn the Sky” – uma linda homenagem de Monika Dannemann para seu falecido namorado, simplesmente Jimi Hendrix –, “The Sails of Charon” e “Your Light”. Para a alegria de muitos, ele fica quietinho, apenas concentrado em tocar sua guitarra magistralmente. A edição dedicada a 1977 foi praticamente perfeita, e mesmo não tendo votado neste álbum, acho que ele poderia muito bem estar ao menos no lugar do Kraftwerk.

Ronaldo: Cada vez mais pesado, o Scorpions definitivamente se afastou da psicodelia e, junto com o Judas Priest, escreveu a maioria das equações do heavy metal oitentista. Em Taken By Force, o som é bastante direto, a rítmica mais linear e as guitarras mais pesadas. Há que se destacar que o DNA setentista ainda se fazia presente em pequenas sutilezas que foram ignoradas pelas gerações seguintes dessa escola de som (coisas como o groove de guitarras sem distorção em “I’ve Got to Be Free” e um uso mais inteligente dos violões). Além disso, a produção sonora separa diametralmente o rock dos anos 1970 para o dos anos 1980: bateria e baixo eram devidamente valorizados nas mixagens, deixando o som encorpado e menos dependente das guitarras. Tudo isso é mérito deste grande disco, dessa grande banda.

Ulisses: O melhor álbum da era Roth, e não é só por causa da clássica “The Sails of Charon”; o disco inteiro é ótimo, tendo “We’ll Burn the Sky” e “I’ve Got to Be Free” como outros grandes destaques. A folksy “Your Light” também merece reconhecimento, assim como a balada “Born to Touch Your Feelings”, que é ótima no geral, mas encerra de forma estranha e desnecessária, com esquisitas vozes femininas. P.S.: Será que In Trance e talvez Fly to the Rainbow também serão resgatados por aqui?


Whitesnake – Ready an’ Willing (1980)

Flavio: O Whitesnake está representado na série, porém não em sua fase seminal, normalmente mais esquecida, já que não obteve grande sucesso comercial. A consolidação da banda no hard e no folk/blues rock com a mistura de três ex-membros do Deep Purple com a seção de cordas de Marsden, Moody e Murray está em Ready an’ Willing. Temos as ótimas “Fool for Your Loving”, a faixa-título e também aquela da qual mais gosto da banda: “Ain’t Gonna Cry No More”. Se você deseja um bom disco de rock, sem excesso de maneirismos e firulas, o apontaria como um ótimo exemplar. Ready an’ Willing também traz outras boas composições, como “Carry Your Load”, “Blindman” e “She’s a Woman”. Trata-se do album mais coeso da primeira fase, antes do grupo migrar para o hair metal do fim dos anos 1980, fato que desagradaria vários fãs mais tradicionais, mas conquistaria muitos outros.

Alexandre: Assim como é o caso do Kiss, considero que temos aqui mais um exemplo do que é a definição da banda, a sua essência. É evidente que há pelo menos dois Whitesnakes durante os anos em que a banda de Coverdale foi conhecida, mas esse é, para dizer o mínimo, o Whitesnake original e sua proposta inicial. Um hard rock calcado em blues, sem exageros de teclados e cabelos esvoaçantes do hair metal dos anos a seguir. Ainda que eu considere o álbum de 1987 algo que não dá muito pra criticar, identifico-me bem mais com essa fase inicial. Dentro dessa proposta, que durou até mais ou menos a época do primeiro Rock in Rio (1985), Ready an’ Willing é a melhor amostra. A começar por “Fool for Your Loving”, muito melhor aqui do que no insosso Slip of the Tongue (1989), com uma linha de baixo fantástica. Deixar essa linha de Neil Murray desfavorecida na versão “farofa” é um crime para entrar entre os grandes da história. O problema dessa fase inicial é que os trabalhos até 1982 trazem músicas ótimas ao lado de faixas pouco inspiradas. Neste disco, ao contrário dos demais, quase tudo é bom, e canções como “Blindman” (que tem sua introdução reproduzida no inicio de “Mistreated”, no álbum ao vivo lançado em seguida) e a própria faixa-título competem com as melhores obras da banda em toda a carreira. O ponto alto é “Ain’t Gonna Cry No More”, para mim a melhor faixa de todos os tempos do Whitesnake. Além da excelente melodia, há espaço para os teclados do saudoso Jon Lord, uma base usando guitarras e violões de 12 cordas em afinação diferente (Open C ou Dó “aberto”), solos com slide e novamente uma linda conducão de baixo de Murray. Outro ponto muito positivo na lista do Flávio.

André: Sempre serei fã do Whitesnake. É muito difícil Coverdale me decepcionar. Naquela fase ainda meio próxima do Deep Purple, Ready an’ Willing apresenta rocks blueseiros que a banda abandonaria pouco tempo depois para se focar no glam. Jon Lord e seus teclados dão um toque bem característico e “purpleano” em faixas como a famosa “Fool for Your Loving”. Micky Moody e Bernie Marsden podem não ser os guitarristas de mais nome que passaram pelo Whitesnake, mas são deles as guitarras dos cinco primeiros discos da banda, por muitos considerados os melhores. Por um mistério sobre o qual não faço ideia, ouço falar mais de John Sykes, Vivian Campbell e Adrian Vandenberg. Esses caras merecem mais créditos pela qualidade que a banda apresentava neste álbum. É um excelente registro, algo comum em se tratando de Whitesnake.

Bernardo: Deep Purple, Rainbow, Black Sabbath, Whitesnake, Blue Öyster Cult, Iron Maiden… O que seria do rock pesado sem Martin Birch? O homem ajudou a construir carreiras inteiras. A banda de David Coverdale é um exemplo. Ready an’ Willing ainda não mostrava um grupo completamente com aquela sonoridade que definiria um certo nicho comercial da música oitentista, mas “Fool for You Loving” já prometia muito.

Christiano: O disco mais Deep Purple do Whitesnake. Justamente por isso, talvez a melhor obra do grupo de Mr. Coverdale. Claro que as participações de Ian Paice e Jon Lord foram determinantes para essa semelhança. Mesmo sabendo que supergrupos não são sinônimos de qualidade, neste caso a coisa funcionou muito bem, o que leva a crer que os caras estavam bastante inspirados. Isso já fica claro logo na primeira faixa, “Fool for Your Loving”, que viria a se tornar um dos clássicos do Whitesnake. É interessante notar como a pegada meio blues, característica dessa fase, foi perfeitamente assimilada à sonoridade soul dos trabalhos de Coverdale com o Purple. Isso fica muito claro em músicas como “Love Man” e a faixa-título. Ótima escolha.

Davi: David Coverdale sempre foi um dos meus ídolos e o Whitesnake é uma banda que cresci ouvindo. Este disco é um dos meus favoritos deles (o que mais curto ainda é Slide It In, de 1984). Bem feliz de vê-lo por aqui. “Blindman” é uma balada interessante (dá a impressão de que ouviram “Soldier of Fortune” e “Ain’t No Love in the Heart of the City” no repeat e foram compor), mas os melhores lados B ficam por conta do rock “Black and Blue” e da balada “Carry Your Load”. Como se não bastasse, ainda nos brinda com os clássicos “Sweet Talker”, “Ready an’ Willing” e “Fool for Your Loving” na sequência. Não se faz mais discos como este.

Diogo: Ready an’ Willing representa o auge da primeira fase do Whitesnake, quando seu rock era bem menos hard e bem mais rhythm ‘n’ blues. Os lançamentos anteriores já vinham aperfeiçoando o estilo e contam com muitos destaques, mas foi neste disco que tudo ficou redondinho de vez, incluindo a produção de Martin Birch e a entrada de Ian Paice, completando aquela que muitos julgam ser a melhor formação do Whitesnake. A capa representando esse timaço, inclusive, acabou funcionando muito bem, mas não tanto quanto faixas como “Fool for Your Loving”, “Sweet Talker” e a faixa-título. A trinca abre o disco e confirma que, naquela época, nenhum ex-integrante do Deep Purple vinha com tanta força quanto David Coverdale. “Love Man” e “Black and Blue” são um pouco genéricas, mas “Carry Your Load” e “She’s a Woman” são duas canções dignas de nota, infelizmente esquecidas pela banda e por quase todos os fãs. O melhor mesmo, porém, são as baladas. Quem acha que “Is This Love” é uma boa representação do que o Whitesnake é capaz nessa seara só pode estar de brincadeira. “Ain’t Gonna Cry No More” e seu crescendo instrumental, passando do acústico para o elétrico, é uma das melhores obras da carreira de Coverdale. “Blindman”, lançada originalmente em seu primeiro disco solo, aparece em uma versão superior, ainda mais acachapante, com uma interpretação magistral e arranjos emocionantes, enaltecendo uma das mais belas letras que Coverdale já escreveu. Meu álbum favorito do Whitesnake é Slide It In (1984), mas o resgate de Ready an’ Willing é muito bem vindo.

Fernando: Esses primeiros discos do Whitesnake, nos quais eles tinham muito mais blues em sua música, são demais. Gosto da carreira toda da banda e não acho que David Coverdale fez algum álbum ruim, mas as fases são bem distintas. Acredito que “Fool for Your Loving” é uma das melhores faixas do grupo que mais usa a palavra “love” em suas músicas. Apesar do Whitesnake ser a banda de Coverdale, nessa época eles soavam muito bem como um grupo em que ninguém era maior que ninguém.

Mairon: Sou um fã confesso da Mark III do Deep Purple e um admirador pacífico da obra do Whitesnake, com exceção do disco de 1987, que é uma das melhores audições que já tive na minha vida. Três quintos da Mark III estão nessa formação do Whitesnake como sexteto, e é exatamente a falta dos dois quintos restantes que me impede de ser um fã ardoroso. Adoro faixas mais “purpleanas”, como “Sweet Talker”, que ficaria muito boa com um duelo vocal entre Coverdale e Hughes, a paulada “She’s a Woman”, fácil a melhor do disco, e a irmã novinha de “Soldier of Fortune”, a arrepiante baladaça “Blindman”. Bem que “Ain’t Gonna Cry No More” poderia ser toda acústica, hein? Também aprecio os teclados de “Carry Your Load” e o rock ‘n’ roll ao piano de Jon Lord em “Black and Blue” não é dos piores. Acho, porém, que o estilo das guitarras de Bernie Marsden e Micky Moody e, principalmente, da bateria de Paice não combina com faixas melosas como”Fool for Your Loving” (prefiro a versão presente em Slip of the Tongue). Canções simples demais, como a faixa-título e “Love Man”, que destacam principalmente a voz “sensual” de Coverdale, também não me conquistam. Poderia ter entrado no lugar do Joy Division ou de Bruce Springsteen, mas acho que não faria muita diferença no resultado final. Um bom disco, nada mais que isso.

Ronaldo: Com uma ou outra exceção, não há muitos elementos neste disco do Whitesnake que já não tivessem sido explorados em profundidade pelo Deep Purple alguns anos antes. Originalidade não é tudo no rock; a ausência de inovação neste trabalho não o desabona como um bom disco de rock – empolgante, swingado, bem executado. David Coverdale, cada vez mais seguro em sua interpretação e dono do pedaço, dá um show particular neste lançamento. Uma voz versátil, potente, marcante.

Ulisses: Esse Whitesnake do início ainda possuía uma forte influência do blues. Ready an’ Willing talvez seja o maior clássico dessa época, muito devido ao hit “Fool for Your Loving”. Não morro de amores pela banda, mas o resgate do Flávio é acertado: David Coverdale e sua trupe (que ainda contava com os também ex-Purple Jon Lord e, neste caso, Ian Paice) acertaram a mão em boa parte das composições, sem exageros nem enrolações, vide a ótima “Ain’t Gonna Cry No More”. Mesmo as que não cheiram e nem fedem, como “Black and Blue” e “She’s a Woman”, não tiram o mérito do álbum.


Judas Priest – Defenders of the Faith (1984)

Flavio: Após o primeiro disco ao vivo, Unleashed in the East (1979), o Judas Priest procurou fazer um som mais direto e atingir o mercado norte-americano. Em 1984, a banda estava lançando seu quarto álbum dessa sequência, Defenders of the Faith, atingindo para mim o ponto certo dessa fase. A cozinha faz um trabalho seguro, sem destaque, mas também sem comprometer. Não há como deixar de destacar os vocais soberbos de Rob Halford e a dupla de guitarristas, em alternâncias de solos e riffs inspirados. Um disco quase sem defeitos, com grandes composições, em um desfile soberbo. Há músicas com andamento mais rápido, como a clássica faixa de abertura, “Freewheel Burning”, e “The Sentinel” (minha preferida dessa fase), além de outras mais cadenciadas, como a espetacular “Some Heads Are Gonna Roll” e “Heavy Duty/Defenders of the Faith”. Ainda há espaço para uma quase balada, a lindíssima “Night Comes Down”. Como houve grandes lançamentos em 1984, notadamente de heavy metal, talvez este petardo do Judas tenha acabado por não aparecer na edição dedicada a esse ano. Aproveitando então essa oportunidade, resolvi resgatá-lo.

Alexandre: Heavy metal colhido no pé, diria o meu grande amigo Rolf Henrique, que participa do Minuto HM comigo. Um bom disco de heavy metal na essência. Poucas vezes conseguiria uma definição tão próxima, no meu entender. Talvez somente em Holy Diver (1983), do Dio, e, sempre, no Sabbath. É fato que a banda já vinha na busca dessa sonoridade, e com assertividade, em dois álbuns anteriores, British Steel (1980) e Screaming for Vengeance (1982). Acredito, contudo, que em Defenders of the Faith eles subiram mais um degrau em se tratando de composições, linhas vocais e riffs de guitarra. Crédito total para Rob Halford e a dupla Tipton e Downing. O trabalho de Ian Hill é discreto e Dave Holland, no meu entender, é um baterista fraco, mas não consegue estragar o disco. Novamente vejo um álbum quase sem pontos fracos, no qual o metal domina 80% a 90% do conteúdo. Diversas faixas são tocadas nos shows até hoje, como “Freewheel Burning” e “The Sentinel”, para mim a melhor. Outro destaque é “Some Heads Are Gonna Roll”. Há um pequeno espaço para o hard meio datado de “Rock Hard Ride Free”, uma bela quase balada (“Night Comes Down”) e um sutil toque industrial/eletrônico ao metal, prioritariamente em “Love Bites”. No meu entender, ela é de longe a pior do álbum, mas vez ou outra é revisitada nos shows. Não compromete o resultado final, que é excelente.

André: Entre as grandes bandas, o Judas é a que menos costumo considerar bem. O que eu sinto é um álbum tecnicamente impecável, mas faltam mais faixas que me fisguem e grudem nos meus ouvidos, coisa que mesmo um Sabbath oitentista várias vezes consegue fazer comigo, até em seus discos menos cultuados. Além disso, considero as cinco primeiras faixas bem melhores que as restantes, que passam a pura impressão de serem fillers. A melhor é “Jawbreaker”. Talvez eu seja um dos únicos aqui a criticar a banda, mas já ouvi coisa melhor deles, até mesmo entre os quatro discos mais recentes (com Ripper Owens e tudo mais).

Bernardo: A banda não inventou muito, mas conseguiu manter o nível das composições vistas em British Steel e Screaming for Vengeance. “Freewheel Burnin’” e “Love Bites” são dois musicões.

Christiano: Uma tentativa explícita de atingir um público mais amplo. Por isso, características como o timbre datado de bateria talvez possam soar não muito bem para quem estava acostumado com os discos anteriores. Por isso mesmo, não considero Defenders of the Faith como um ponto alto na carreira do Priest. Não que o álbum seja ruim. Longe disso. Ele traz ótimas músicas, como “Jawbreaker”, “The Sentinel” e “Rock Hard Ride Free”, mas a vontade de conquistar um público maior acabou gerando músicas meio enfadonhas como “Love Bites” e “Some Heads Are Gonna Roll”.

Davi: Sem dúvidas é um clássico, mas sou obrigado a reconhecer que sinto falta de um som de bateria mais forte, mais na cara. Deixando isso de lado, o disco traz um Judas Priest afiado. K.K. Downing e Glenn Tipton com riffs certeiros, Rob Halford arrebentando como de costume. O repertório é recheado de ótimos momentos, como os hinos “Freewheel Burning” e “The Sentinel”. Também gosto muito de sons como “Rock Hard Ride Free”, “Eat Me Alive”, “Some Heads Are Gonna Roll” e, é claro, “Jawbreaker”. Contudo, continuo achando “Love Bites” chata pra cara***.

Diogo: Mantivesse o nível das quatro primeiras faixas, Defenders of the Faith seria o melhor álbum do Judas Priest lançado após o fim dos anos 1970. Apesar da produção datada (e da mixagem capenga) ter caído alguns degraus em relação a Screaming for Vengeance e indicar o futuro próximo, trata-se de uma sequência arrebatadora. O flerte com o incipiente speed metal, que seria escancarado posteriormente, dá as caras em “Freewheel Burning” e traz um Rob Halford cada vez mais articulado liricamente. “Jawbreaker” é aquele metalzão mid-tempo que o Judas Priest fazia como pouquíssimos, enquanto “The Sentinel” é uma festa para os amantes da dupla Glenn Tipton/K.K. Downing, que despejam riffs e solos enquanto Halford se esgoela em um dos melhores refrãos que o grupo já criou. Minha preferida, entretanto, é “Rock Hard Ride Free”, com grandes melodias vocais e mais uma articulação perfeita entre os guitarristas. O restante do álbum é fraco? Não! Só que não chega perto do nível das citadas. As melhores são “Eat Me Alive”, também flertando com o speed metal, e “Some Heads Are Gonna Roll”, com boas melodias. Uma coisa que fica bastante evidente é que a banda já havia passado do tempo de procurar um novo baterista, pois o estilo de Dave Holland não se ajustava mais a boa parte do material que o grupo vinha compondo. Não à toa, usou-se uma bateria eletrônica em Ram It Down (1988), no qual algumas faixas já indicavam os velozes caminhos que seriam traçados em Painkiller (1990). A versão oficial, no entanto, dá conta de que a escolha deveu-se a problemas de saúde de Dave.

Fernando: Entendo quando elevam este disco ao patamar de um dos melhores do Judas Priest. Eu não saberia escalonar agora meus preferidos, mas possivelmente colocaria uns quatro ou cinco à frente deste. Como desprezar um álbum com “Freewheel Burning”, “The Sentinel”, “Love Bites”, “Some Heads Are Gonna Roll” e “Night Comes Down”? Só clássicos! Fico me imaginando em 1984, com a consciência que tenho hoje, e não com a que eu tinha com então 6 anos. Que ano para o metal! Esse é o ano do qual tenho mais discos em minha coleção. São 65 e minha wishlist ainda possui mais sete!

Mairon: Um disco que começa com uma pancada como “Freewheel Burning” já merece estar na série, com toda a energia explosiva das guitarras de K.K. e Glenn, a voz agudíssima de Rob e a cozinha magnífica de Ian e Dave, em um prenúncio do que viria a ser “Painkiller”, anos depois. A pauleira segue com “Jawbreaker”, “The Sentinel” e a ótima “Eat Me Alive”, outra forte candidata a melhor do álbum, arrancando pescoços. Já temos indícios de que o som do Judas mudaria, seja em “Love Bites”, “Rock Hard Ride Free”, “Heavy Duty/Defenders of the Faith”, “Some Heads Are Gonna Roll” e, principalmente, “Night Comes Down”, uma das mais fracas da carreira do Judas. Com certeza, é o melhor disco do grupo nos anos 1980 (joguem as pedras). Com as várias barbaridades vergonhosas que entraram em 1984, Defenders tinha espaço só por conta de “Freewheel Burning” e “Eat Me Alive”. Que baitas músicas!!!

Ronaldo: Imagino e compreendo a importância deste disco para os fãs de heavy metal oitentista. Para quem quiser entender meu comentário a respeito deste álbum, sugiro ouvi-lo logo após a audição de Taken By Force e reparar especialmente na bateria e no baixo dos dois discos. Apesar das boas guitarras, o incômodo causado pela mixagem dos instrumentos joga qualquer bom riff de guitarra no lixo.

Ulisses: Outro registro do Judas Priest que precisava ser resgatado é Defenders of the Faith. Contém logo de cara três das melhores composições do Priest oitentista: “Freewheel Burning”, “Jawbreaker” e “The Sentinel” – metaleiro nenhum bota defeito por aqui. Meu problema com o álbum está na segunda metade: “Some Heads Are Gonna Roll” é ultragenérica e as duas últimas faixas, curtinhas e antêmicas, poderiam ter sido limadas em favor de uma composição “de verdade”. Resta para “Night Comes Down” e “Eat Me Alive” a tarefa de salvar o dia – embora esta última tenha uma letra ridícula. Na edição abrangendo 1984, caberia substituir o Marillion ou o Minutemen.


Queensrÿche – The Warning (1984)

Flavio: Em 1985, eu havia descoberto definitivamente o rock ‘n’ roll, notadamente apontando para bandas de rock pesado. Após o primeiro Rock in Rio, outros grupos além do Kiss já estavam habitando minha discografia. Black Sabbath e Iron Maiden foram as primeiras, e o impacto de Piece of Mind (1983) e Powerslave (1984) foi devastador. Lembro então que, no colégio, um amigo falou-me do tal Queensrÿche. Ele dizia que o grupo estava em um patamar bem acima das “novas” bandas do momento, que eram Twisted Sister, Mötley Crüe, Quiet Riot etc. Ao ouvir The Warning, a conquista foi imediata. O disco traz a cara do heavy metal dos anos 1980, notadamente inspirado em Iron Maiden e Judas Priest, porém há um pouco mais. Em The Warning, todas as faixas têm ótimo nível. Algumas são tocadas até hoje, como “Take Hold of the Flame”. Dizer que o vocal de Geoff Tate é magistral é redundante, e há também ótimos backing vocals de Michael Wilton, Eddie Jackson e Chris DeGarmo. Além de “Take Hold of the Flame”, a faixa-título talvez seja a mais conhecida, e já de início mostra a capacidade da banda. Não posso deixar de ressaltar o excelente trabalho da dupla de guitarristas e da cozinha, impecável. Como pontos diferentes, há o arranjo orquestral na linda faixa de fechamento, “Roads to Madness”, e o apontamento para o surgimento do prog metal, tão cultuado no inicio dos anos 1990, com “NM 156”, na época a mais esquisita e difícil de entender. Depois de ouvir The Warning, dei razão para o meu amigo, eles estavam em outro patamar…

Alexandre: O ano de 1984 foi mágico para o metal/hard rock. De todas as edições da série, é a desse ano que mais me entristece pelos álbuns que ficaram de fora. O segundo disco desta lista lançado em 1984 é, como Defenders of the Faith, outro grande exemplo disso. Não é preciso ouvir muita coisa, basta escutar a faixa que fecha este espetacular álbum de estreia dessa banda, que muito merecidamente foi citada três vezes na série. “Roads to Madness” é uma suíte com mais de nove minutos que, para mim, rivaliza com “Rime of the Ancient Mariner”, do Iron Maiden, entre as excelentes canções de heavy metal com longa duração. O grupo, nesse início de carreira, criou um álbum maduro de heavy metal com letras inteligentes, em um estilo que seria modificado nos próximos trabalhos. Dentro do heavy metal, fez muito bonito. O vocal de Tate é incrível. Poucas vezes se ouviu algo em tão alto timbre com tanta qualidade. As linhas de guitarra de Wilton e DeGarmo são ótimas, já desenvolvendo e costurando o que seria entregue especialmente em Operation: Mindcrime (1988), quatro anos depois. Há um solo dobrado pelos dois em “NM 156” que dispensa mais comentários. Eddie Jackson e Scott Rockenfield entregam um trabalho de muita qualidade, para se ouvir nos detalhes, como no baixo da faixa0-título e no emprego de sinos e rufadas para acentuar a poesia do final de “En Force”. Eu poderia ficar aqui escrevendo linhas e linhas sobre todas as faixas, pois não encontro ponto fraco. “NM 156”, por exemplo, iniciaria o caminho para o álbum seguinte, o justamente indicado Rage for Order (1986). Ao invés disso, prefiro destacar outra das minhas favoritas, “No Sanctuary”, com orquestra e teclados sublinhando a linda canção, além do single “Take Hold of the Flame”.

André: Sabe quando você pensa que uma banda tinha tudo para estar entre os gigantes do rock e algo aconteceu no meio do caminho? É aquilo que representa o Queensrÿche. Neste álbum me parecem aquele jovem jogador, tipo o Keirrison, promessa, matador, com um potencial enorme no meio do caminho. Faz algumas boas temporadas e agora é hora de voar… E não decolou. O Rÿche deu essa esperança até Empire (1990). Depois, disso, várias decepções pelos caminhos tomados. Digo fácil que, se essa banda soubesse o que fazer, hoje estaria lotando estádios e brigando para ser headliner ao lado de Maiden e Metallica. A banda, contudo, simplesmente peidou na farofa nos anos em que deveriam ter se estabelecido na cena. Deste disco, adoro “Take Hold of the Flame”, uma de suas melhores faixas. “Deliverance” também é fantástica. Trata-se de um álbum para mostrar que, com um pouco mais de gerenciamento por parte da gravadora, estariam brigando pelo topo do heavy metal. Mas como o mundo é um lugar cruel e paciência de fã tem limite, tá aí… Queensrÿche de hoje, fragmentado entre a versão de Tate e a do resto, tocando como banda de segundo escalão em casas noturnas bem menores do que se poderia imaginar.

Bernardo: Pra mim, o Queensrÿche é uma banda de um álbum só (Operation: Mindcrime), e o debut The Warning, apesar de não ser exatamente ruim, só reforça a impressão.

Christiano: Após a ótima estréia com um belo EP lançado em 1983, o Queensrÿche contou com melhores condições para gravar seu primeiro disco completo. The Warning mostra que a banda era capaz de reinventar o que entendíamos como heavy metal. Faziam isso trazendo influência de outros estilos, como rock progressivo, por exemplo. Isso fica claro quando comparamos The Warning com os álbuns lançados em sua época. Mesmo sendo ainda bastante influenciados por grupos como Iron Maiden (“En Force”, “Child of Fire”), é inegável que o Queensrÿche estava criando algo muito peculiar. “Take Hold of the Flame” e “Roads to Madness” já sinalizavam a ousadia dos rapazes, por serem músicas difíceis de enquadrar em algum tipo de rótulo pré-definido daqueles tempos. Ótima escolha.

Davi: Ainda fazendo um som mais simples e tradicional do que aquele que viria a apresentar nos magistrais Operation: Mindcrime e Empire, a galera do Queensrÿche apresentou um álbum empolgante, diminuindo um pouco as influências de Iron Maiden em relação ao EP autointitulado, embora elas ainda se façam presentes. Basta ouvir “Roads to Madness” ou reparar nas linhas de guitarra de “En Force”. A sonoridade está de acordo com a época. Os caras já tocavam incrivelmente bem e o repertório é empolgante. “Warning”, “Deliverance”, “Child of Fire” e o clássico “Take Hold of the Flame” são os destaques. Lançando a campanha #voltaDeGarmoeGeoffTate.

Diogo: Desde os primórdios, o Queensrÿche se destacou entre os companheiros de cena. Após um EP arrebatador, o álbum de estreia veio confirmar que não se tratava de fogo de palha. Mais refinado tanto musical quanto liricamente, o quinteto apresentou um heavy metal de forte influência britânica, mas com um pé fincado no progressivo, algo mais evidente na atmosfera geral do disco do que na estrutura das canções, talvez exceto “Roads to Madness”, épico que faz jus a essas influências, e “NM 156”. Em especial, duas canções me são muito caras: “Take Hold of the Flame” e “No Sanctuary”. A primeira chegou a ser um pequeno hit e solidificou o crescente sucesso do grupo, mostrando não apenas um vocalista muito acima da média, mas uma banda com grande domínio dos instrumentos e gabarito para compor. A segunda, infelizmente deixada de lado nos setlists e na memória afetiva de muitos fãs, expõe o lado mais melancólico do grupo e indica o caminho que seria seguido no sucessor, o estupendo Rage for Order (1986). Em meio a boas interações entre as guitarras e conduções criativas do baterista Scott Rockenfield, o Queensrÿche construiu uma identidade própria, com criatividade, senso melódico apurado e técnica em prol da música, resultando em grandes faixas como “Warning”, “En Force” e “Before the Storm”. Quem acha que a banda se resume a Operation: Mindcrime e Empire não sabe o que está perdendo. Até Promised Land (1994), o Queensrÿche só acumulou acertos. Por pouco, mas é o melhor disco relembrado pelo Flavio.

Fernando: Confesso que, da primeira vez que ouvi The Warning, não gostei do vocal de Geoff Tate. Achei exagerado demais. Eu já conhecia a banda por Empire e admito que cheguei a ele por conta de “Silent Lucidity”. Passado algum tempo, voltei a ouvi-lo e fui me acostumando, e aí sim o disco me pegou. Hoje é um dos meus preferidos junto a Empire (sim, gosto mais dele do que de Operation: Mindcrime, julguem-me).

Mairon: Mais um álbum de 1984. Trata-se da estreia de uma banda que aprendi a odiar, mas seus primeiros discos estão me trazendo cada vez mais uma indignação: por que foram virar o que viraram? Eles eram tão bons nessa fase inicial. Na edição da seção Consultoria Recomenda abordando EPs, Queensrÿche foi elogiado por mim, e o mesmo posso dizer deste álbum. Gostei bastante do estilo metálico que o grupo apresenta na faixa-título, das lembranças “wishbonashianas” de “No Sanctuary” e da rifferama de “Before the Storm”. “En Force”, “Take Hold of the Flame” e “Child of Fire” mostram aquele metal mais do mesmo, mas que sempre balança o pescoço. Mesmo que Tate seja uma cópia de Bruce Dickinson, o cara manda bem no gogó. Complementa o álbum “NM 156”, com interessantes efeitos sintetizados. “Deliverance” não me chamou atenção. Destaque ainda para os quase dez minutos de “Roads to Madness”, fortemente influenciada por nomes como o já citado Wishbone Ash, além de Iron Maiden e Judas Priest. Não acho que seja um dos melhores discos de todos os tempos, mas entraria fácil na edição dedicada a 1984 no lugar de Minutemen, Prince, The Replacements, Bruce Springsteen e Marillion. Aliás, reafirmo: essa edição traz uma pitada bem forte de vergonha.

Ronaldo: Ainda que imerso na influência do heavy metal dos primeiros anos da década de 1980, o Queensrÿche trabalha bem as dinâmicas e a colocação dos solos de guitarra, conseguindo um resultado distinto para o panorama da época. O foco deixa de ser as guitarras e os refrãos épicos para ser uma noção mais equânime de conjunto. Apontando para uma direção mais progressiva, a banda se dispõe a construir músicas menos lineares, e a resultante disso passa longe de ser maçante ou deslocada. “Before the Storm” é a música que melhor ilustra minhas considerações a respeito.

Ulisses: Ótimo resgate do Flávio. O primeiro full-lenght da banda já mostrava a que vinham: composições maduras, bem compostas e com atmosferas ímpares, destacando a impressionante técnica vocal do afinado Geoff Tate e a sincronia das guitarras de Chris DeGarmo e Michael Wilton. Um belo recorte entre o rock progressivo e o heavy metal tradicional (especialmente pelas vias do Iron Maiden), mas já com uma identidade sonora diferenciada das demais bandas.


Yngwie J. Malmsteen’s Rising Force – Marching Out (1985)

Flavio: O sueco é polêmico, tido como insuportável (em vários aspectos), mas não poderia tirar o segundo disco de sua carreira da minha lista. Novamente, há uma “escolha de Sofia”, e desta vez inverti meus critérios e não escolhi seu álbum mais infuente, deixando sua estreia para outro consultor. Na época do lançamento, já conhecia o trabalho do guitarrista no magnífico Rising Force (1984), mas em Marching Out Yngwie aponta para basear as canções também nas melodias vocais, com o excelente Jeff Scott Soto. Ao contrário do primeiro, há menos instrumentais, que também não deixam de ser arrebatadoras. O guitarrista vivia seu auge como compositor e as canções são memoráveis. Novamente, um disco que não tem pontos fracos, com excelentes canções na linha “neo-Rainbow”, como “I’ll See the Light Tonight”, a balada “Don’t Let It End”, a clássica “I Am a Viking” e as soberbas faixas instrumentais, principalmente a que dá título ao álbum. Lembro-me da dificuldade que era comprar o vinil na época, um lançamento importado e muito caro, perseguido por meses a fio e que até hoje habita minha coleção.

Alexandre: O guitarrista sueco havia assombrado boa parte do público e da crítica especializada com seu disco de estréia, em 1984. Motivado talvez por dar mais visibilidade ao seu trabalho, resolveu lançar no ano seguinte um álbum mais voltado para o heavy metal, cantado em quase sua totalidade. O resultado é ótimo, pois as músicas são poderosas, Jeff Scott Soto canta demais e Yngwie está no fino de suas performances. O lado A já abre com o riff sensacional de “I’ll See the Light Tonight”, música que nem o temperamental guitarrista se atreve a tirar dos seus setlists. Seguem a bela “Don’t Let It End”, uma introdução virtuosa de violões que antecede uma cacetada chamada “Disciples of Hell” e a épica “I Am a Viking”. Trata-se de um lado muito forte. O lado B é menos conhecido, mas isso não o desabona, muito pelo contrário. Lá estão duas instrumentais de harmonias lindíssimas (“Overture 1383” e “Marching Out”) ensanduichando as demais canções cantadas, também no nível do lado A. Quase não consigo citar as competentes participações dos irmãos Johansson (Jens e Anders) nos teclados e na bateria, respectivamente. São papéis de coadjuvantes a Malmsteen e Soto, mas quando há alguma possibilidade, seus espaços são preenchidos com qualidade, como quando Jens divide o solo com Yngwie em “Anguish and Fear” e “Caught in the Middle”. Uma pena que a criatividade do guitarrista se extinguiu e o restante da carreira é quase toda mais do mesmo, acrescida de uma “farofada” vez ou outra, que normalmente não ajuda. Não encontro faixas fracas no disco e ainda cito “Caught in the Middle” como outra de minhas favoritas.

André: Por mais que muitos digam o contrário, não raro sinto um certo preconceito de alguns para com o trabalho do egocêntrico guitarrista sueco. Sim, ele frita notas. Nesses primeiros discos, entretanto, e mais alguns dos anos 1990 e 2000, nunca vi isso transparecer mais do que a própria canção em si. O sujeito pode até ser intragável no dia a dia, mas não ouço sua guitarra tomando toda a canção para si como se deixasse todos os outros instrumentistas apenas fazendo fundo para que ele sole. Marching Out é muito bom, entre meus preferidos, junto com The Seventh Sign (1994), Facing the Animal (1998) e Unleash the Fury (2005) (sim, mesmo tão criticado, está entre meus favoritos), além da trinca inicial. Bangueio fácil ao som de “Disciples of Hell” e “Anguish and Fear”.

Bernardo: Esse sujeito nunca me passou nada além de técnica, técnica e técnica… Nunca me comoveu, empolgou ou arrancou alguma reação além de “nossa, toca bem ele”.

Christiano: É muito comum dizerem que Malmsteen é só mais um virtuoso, um atleta do instrumento etc. Acho uma enorme besteira reduzir a obra desse velho rabugento a críticas desse tipo. Ao contrário de muitos guitar heroes de seu tempo, o sueco sempre fez questão de compor músicas para toda a banda, que sempre contou com ótimos músicos e vocalistas. Neste exemplo temos Jeff Scott Soto, um dos grandes que acompanhou (e tolerou) Yngwie. Clássicos como “I’ll See the Light Tonight” e “I Am a Viking” mostram toda a habilidade de Soto, considerado por muitos como o melhor cantor que trabalhou com Malmsteen. Aliás, é sempre bom lembrar que o hoje balofo guitarrista revolucionou seu instrumento, criando discípulos por todo o planeta. Você pode não gostar, mas sua importância é inegável.

Davi: Depois de deixar todos embasbacados com Rising Force, com os clássicos “Black Star” e “Far Beyond the Sun”, lançando sua emblemática mistura de heavy metal com música clássica, o guitarrista sueco voltou a chamar atenção em Marching Out, nos entregando mais alguns clássicos, dessa vez “I’ll See the Light Tonight” e “I Am a Viking”. Jeff Scott Soto já tinha um belo domínio de sua voz. Malmsteen é um talento inquestionável. O cara pode ser um baita de um mala, mas não há como negar suas qualidades enquanto músico. Habilidade inacreditável, put* performance de palco. “On the Run Again” revive “Victim of the City”, dos seus tempos de Steeler. Fora as já citadas, os grandes destaques ficam por conta de “Caught in the Middle” e “Anguish and Fear”. Sem dúvidas, meu malvado favorito.

Diogo: É bem verdade que a carreira de Yngwie Malmsteen deu uma degringolada da segunda metade dos anos 1990 em diante, mas ignorar seu talento e sua influência é birra. Ao menos os quatro primeiros discos são essenciais para curtir e entender o trabalho desse sueco que pode ter ficado muito famoso por seu temperamento explosivo, mas foi essencial no desenvolvimento da guitarra desde seu primeiro álbum, fomentando uma geração de jovens músicos que se dedicaram cada vez mais a estudar o instrumento e levá-lo a patamares poucas vezes alcançados. Para minha sorte, Marching Out é justamente meu favorito, recheado de boas canções, que não se limitam a colocar Yngwie como protagonista, valorizando os (excelentes) músicos e o jovem Jeff Scott Soto, para muitos (a maioria?) o melhor vocalista com quem o sueco trabalhou. Aliás, reparem nos grandes guitarristas dessa época que optaram pela carreira solo ao invés de permanecerem nos domínios de uma banda. Difícil encontrar algum que trabalhe de maneira tão homogênea com seus colegas quanto Malmsteen, mas foi justamente ele que ficou com a má fama. Um quesito que merece crítica são as letras meio bobinhas, mas isso torna-se menor quando somos confrontados com pauladas da estirpe de “I’ll See the Light Tonight” (estupenda), “Don’t Let It End” (acreditem, houve uma época em que Malmsteen tinha boa mão para baladas e afins), “Disciples of Hell”, “On the Run Again”… Todo o álbum é bom. Não apenas um grande solista, o cara riffava bem demais, tal qual um Ritchie Blackmore no auge e cheio de esteróides. A produção pode ser datada, mas adoro o som que ele tira de sua Stratocaster, sujo apenas na medida certa, sem apelações desnecessárias.

Fernando: Muita gente torce o nariz para o sueco que conseguiu afastar muitos fãs por conta de seu egocentrismo e de suas idissioncrasias, mas a trinca inicial de sua carreira é irretocável – alguns também acrescentam Odyssey (1988) nisso. O disco também traz um merecido maior espaço para Jeff Scott Soto. Músicas como “I Am a Viking” marcaram demais. Realmente, é uma pena que um talento tão grande tenha sido ofuscado por um ego também enorme. Muitos citam sua velocidade e seus solos intrincados, mas ele também é fera em criar riffs sensacionais.

Mairon: Daqueles três grandes guitarristas (Vai, Satriani, Malmsteen), o último é, para mim, o mais fritador e exagerado. Não que ele não tenha talento, pelo contrário, toca muito, mas suas músicas não conseguem me agradar, principalmente porque acho Jeff Scott Soto, o vocalista deste disco, um gritão. Claro, apreciei com certeza sua agilidade no violão e a introdução de “Disciples of Hell”, esta última um clássico na carreira do sueco, que é estragada pelo vocal, além da linda “Overture 1383” e da melhor faixa, a espetacular “Marching Out”. Somente ela, mesmo com três minutos, é melhor que 50% daquela edição horrorosa abrangendo 1985. Então, tá dentro.

Ronaldo: Disco de um verdadeiro velocista de guitarra. Cada música tem cerca de um minuto ou mais de solos de guitarra; o que vem antes e depois dos solos é um power metal bastante datado e pouco memorável.

Ulisses: Um bom exemplo de que ser um virtuoso não significa ser, ao mesmo tempo, um bom compositor. Álbum genérico que impressiona em poucos momentos.


Temple of the Dog – Temple of the Dog (1991)

Flavio: Chris Cornell se foi de maneira trágica recentemente, e os sentimentos em relação a este disco são os mais confusos possíveis. O movimento grunge iniciou a década de 1990 destruindo o cada vez mais exagerado hair metal. Nada mais justo, a coisa havia passado do ponto muito tempo antes. A banda mais famosa do movimento, porém, nunca me cativou; sempre achei que faltava um mínimo de qualidade no som do Nirvana, e isso me afastou dela até hoje. Da mesma forma que o punk, não consigo aceitar muito bem a agressividade ou força por si só, sem um mínimo de harmonia e qualidade. Havia, porém, outras bandas colocadas no mesmo movimento que traziam esses outros aspectos. O Pearl Jam, em seu primeiro disco, além de Alice in Chains e Soundgarden, trazem muitas coisas interessantes, e Chris Cornell é uma delas. Temple of the Dog é um projeto de Cornell em homenagem a um amigo morto à época, Andrew Wood, que reuniu os futuros integrantes do Pearl Jam, inclusive o vocalista de apoio convidado, Eddie Vedder. Poderíamos dizer que se trata de quase um pré-Pearl Jam, com Chris Cornell cantando junto. O resultado é ótimo. Gravado sem pressões de gravadoras e autoproduzido, o disco é uma explosão de espontaneidade, com excelentes performances e canções, que acabou por fazer sucesso. Mais um dos discos que funcionam como um todo, Temple of the Dog trouxe os ótimos singles “Say Hello 2 Heaven”, “Pushin Forward Back” e “Hunger Strike” (a mais conhecida), além de outros petardos, como “Reach Down”, “Times of Trouble”, “Four Walled World” e a linda balada “Call Me a Dog”. Nunca planejei uma homenagem a Cornell, mas acabo deixando uma singela, incluindo este maravilhoso disco por aqui.

Alexandre: Bem, não há como escrever isto aqui sem lembrar do recente falecimento de Chris Cornell. E é este o álbum com Cornell do qual mais gosto, mais do que os discos com o Soundgarden, mais do que os trabalhos no Audioslave. Nessa época, Chris, que sempre foi tido como um ótimo vocalista, cantava demais. O disco inteiro é isso, timbres fora do comum mesmo. O que a princípio era um projeto homenagem, meio sem querer acabou por ser um dos melhores exemplos da cena em Seattle, e para quem quiser entender como, um dos melhores do gênero Grunge. Se a questão é comparar, só o comparo com Ten (1991), do Pearl Jam. Para mim, todos os demais álbuns da cena estão abaixo deste. Foi como capturar um momento, com a junção despretensiosa desses caras, disponíveis naquele instante. A mim pouco importa se é Grunge ou não. Importa é que as músicas são ótimas, que o fato de Chris se unir a Eddie Vedder em um bom punhado de canções é algo espetacular, e isso é o que fica. Em especial, a divisão dos vocais em “Hunger Strike”, mas também nas demais músicas, prioritariamente a cargo de Cornell, com alguns bons backings de Vedder. Dessas, “Say Hello 2 Heaven”, “Reach Down”, “Call Me a Dog” e “Four Walled World” se sobressaem. Há de se citar o bom trabalho do conjunto/projeto, que mostra uma química muito forte, inclusive na boa escolha dos timbres e na mixagem e produção. Tudo isso foi feito pelo grupo em coprodução com Rick Parashar, que se encarregou dos timbres de teclados e pianos que sublinham o disco. Para 1991, entraria tranquilo, na minha opinião.

André: Sei que ainda pode haver fãs sentidos pela morte de Cornell lendo esta matéria, mas já adianto que, desde sempre, nunca curti seu vocal. Podem conferir em outras edições da série das quais participei. Não adianta, é algo que não me vai. Se eu já não curtia o Soundgarden, seu projeto paralelo (com uma intenção bonita, diga-se de passagem) me é ainda menos apreciável.

Bernardo: Obrigado por lembrar deste disco um tempo após perdermos Chris Cornell. Que grande vocalista que, acompanhado de Eddie Vedder, fez um dos melhores discos dos anos 1990. Ouça “Hunger Strike” e comprove.

Christiano: Um supertime de músicos da cena de Seattle em uma espécie de colaboração entre membros do Soundgarden e do Pearl Jam, que estavam começando a ter enorme projeção mundial na época. O disco é um tributo a Andrew Wood, vocalista do Mother Love Bone, banda seminal para o que viria a ser conhecido como Grunge. O resultado desse projeto foi um ótimo álbum que gerou clássicos como “Reach Down”, “Hunger Strike” e “Call Me a Dog”. É desnecessário citar a voz marcante e o talento de Chris Cornell que, infelizmente, faleceu há poucos dias.

Davi: Este eu não esperava. Para quem está por fora, trata-se de uma homenagem ao vocalista Andrew Wood, do Mother Love Bone, que morreu aos 24 anos, vítima de uma overdose de heroína. Chris Cornell, outro herói do Grunge que nos deixou recentemente, era colega de quarto de Andrew e quis fazer uma homenagem ao amigo. Sem dúvidas, Cornell era a melhor voz daquela cena. Isso pode ser comprovado não apenas neste álbum, mas também em uma audição mais atenta ao clássico Badmotorfinger (Soundgarden, 1991). O material, em sua maioria, é mais arrastado e melódico que o som mais agressivo do Soundgarden – principalmente se comparado aos dias de Louder than Love (1989) – e da pegada hard do Mother Love Bone. As exceções ficam por conta da pesadinha “Pushin Forward Back” e da swingada “Your Savior”. Este disco caiu nas graças do público depois da explosão do Pearl Jam. Afinal, temos as primeiras gravações profissionais de Eddie Vedder nos hoje clássicos “Say Hello 2 Heaven” e “Hunger Strike”. O Pearl Jam estava sendo criado durante as gravações do disco e Vedder acabou sendo o escolhido para fazer os dois duetos. Também vale prestar atenção em “Wooden Jesus” e “Four Walled World”. Bela lembrança.

Diogo: Este é o único álbum presente nesta lista que eu não possuo em minha coleção, seja em formato físico ou virtual. Apenas conhecia “Hunger Strike”, que, inclusive, sequer é a melhor canção. Não à toa, pois acho que Eddie Vedder passa a léguas de distância de ser um vocalista tão bom quanto Chris Cornell. Seus futuros companheiros de Pearl Jam, felizmente, fazem um bom trabalho, com a maior cara de jam trabalhada e retrabalhada. Excedem-se em alguns momentos, que poderiam ter sido limados (“Reach Down” é desenecessariamente longa), mas quando são mais objetivos se saem muito bem. Um disco como este é, inclusive, um furo naquela teoria de que o Grunge é o punk rock que deu certo, pois a sonoridade que se ouve em Temple of the Dog tem muito mais a ver com aquele rock mais largadão feito nos anos 1970 dois dois lados do Atlântico (de Neil Young ao Faces, passando até por – juro! – Free e Bad Company) do que com a urgência do punk. Isso é um exemplo de como o sucesso do Nirvana distorceu as coisas, pois basta observar o restante da cena para perceber uma variedade bem maior do que se supõe. O mais interessante da história toda é que se trata de um projeto concebido antes da coisa toda estourar, então não devia haver toda a pressão e expectativa relacionada a formações desse tipo. O resultado? Ótimas canções como “Say Hello 2 Heaven”, “Call Me a Dog” e “Four Walled World”.

Fernando: Este é o único disco presente nesta edição que eu não tenho na minha coleção e foi o primeiro que pensei em ouvir quando soube da lamentável morte de Chris Cornell. Curioso é que as pessoas se interessaram mais por ele depois que o Pearl Jam ficou conhecido, por ter a participação de Eddie Vedder, do que necessariamente por conta de Chris Cornell. O dueto de ambos em “Hunger Strike” é ótimo. Bela lembrança!

Mairon: Um timaço Grunge fazendo um discaço Grunge, só pode ser coisa boa. Chris Cornell, Jeff Ament e, principalmente, Stone Gossard e Mike McCready são os caras que mais chamam atenção neste álbum. Claro, o batera Matt Cameron também, mas com exceção do swing de “Your Saviour”, ele não tem uma faixa na qual brilhe mais que os colegas. Os guitarristas são o cerne da épica “Reach Down”, 11 minutos de um Grunge de altíssimo calibre, com guitarras dobradas e solos matadores. Eles e Cornell arrasam na balada “Call Me a Dog”. Já Cornell leva com naturalidade a semibalada “Say Hello 2 Heaven”, a calminha (mas nem tanto) “Hunger Strike” e a essencialmente Grunge “Four Walled World”. Ainda temos o peso de “Pushin Forward Back” e os momentos acústicos de “Times of Trouble”, com um pequeno show particular de Cornell na harmônica. Talvez “Wooden Jesus” e “All Night Thing” sejam peças desnecessárias de um excelente disco. Em uma lista poderosa como a de 1991, Temple of the Dog poderia ter entrado no lugar do Death, ou até mesmo do irmão gêmeo Badmotorfinger. Baita lembrança!!

Ronaldo: Um disco tributo cuja concepção surgiu a partir de jam sessions. É possível notar que as músicas partem de fragmentos musicais muito simples, que foram sendo paulatinamente desenvolvidos em conjunto (ainda que sobre isso pesem as inúmeras repetições desses mesmos fragmentos). O resultado é muito eficaz, com um rock equilibrado e bem vocalizado. O disco passa aquele ar de ressaca que o rock vivia após a enxurrada de excessos do hair metal, ainda que certas músicas pudessem ser melhores com alguns minutos a menos.

Ulisses: Primeira vez que ouço este álbum na íntegra. Já sabia que era uma ideia de Cornell para homenagear um amigo falecido, mas não esperava encontrar Eddie Vedder fazendo alguns vocais de apoio. O CD é historicamente interessante por ser lançado antes da explosão da fama do Soundgarden (com Badmotorfinger, alguns meses depois) e do Pearl Jam. Trata-se de um rock bastante sólido, já com a cara dos anos 1990, e até bem melódico, destacando bons refrãos – soa como um exemplo de transição entre o rock das décadas passadas e a sonoridade de Seattle. “Reach Down”, que tem incríveis 11 minutos, se sustenta por seu excelente aspecto jam e me surpreendeu, tornando-se minha favorita.


Badlands – Voodoo Highway (1991)

Flavio: As tais gravações em fitas cassete ainda permeavam meus hábitos quando fui conhecer essa banda, estimulado pela presença de Jake E. Lee. Ao fazer um apanhado deste disco em um dos lados da fita, fui gradativamente compreendendo como Voodoo Highway é forte. Eu gostava de tudo, e que vocalista era esse? Ray Gillen tinha um vocal impressionante, muito bem aplicável ao estilo hard rock, que já estava em baixa na época e talvez por isso não tenha consagrado o Badlands. Em Voodoo Highway, além do forte hard rock calcado na espetacular guitarra de Jake, há algumas pitadas de country rock e de blues, como o slide de “The Last Time”, na faixa-título, em “Whiskey Dust” e na entrada de “Joey’s Blues”. O forte mesmo, porém, é o hard rock “zeppeliano” adaptado para os anos 1990. O trabalho da cozinha é ótimo, como em “Soul Stealer”. O baterista Jeff Martin, substituindo Eric Singer, parece ainda mais bem adaptado à banda, ajudando a fazer com que este segundo disco consiga ser superior à ótima estreia. Há leves pitadas funk/soul na ótima “3 Day Funk”. Destaco também “Show Me the Way” e “Silver Horses”. Apesar de adorar a versão original de “Fire and Rain” (James Taylor), adorei também o que o Badlands fez, tornando-a quase irreconhecível, outro destaque (e devem vir pedradas de tudo quanto é lado). Voodoo Highway é um super disco. Que bom que tive a oportunidade de resgatá-lo!

Alexandre: Apesar do não ter mais Eric Singer na batera, é bem melhor que o já bom disco de estreia. Ray Gillen é mais um dos grandes cantores que habitam esta lista. Jake E. Lee sempre foi um dos meus guitarristas favoritos, apesar dos grandes desafios que teve de encarar na banda de Ozzy, pelo menos dois: substituir alguém insubstituível como Randy Rhoads e ter de aturar as sacanagens de Ozzy e Sharon. Pelo motivo dois, Jake largou o posto de prestígio e resolveu tocar esse projeto com a ajuda de Gillen. O resultado é uma mistura especial de hard rock com toques de country, blues e um pouco do funk norte-americano em 12 ótimas canções próprias, além de uma senhora releitura de “Fire and Rain”, de James Taylor, que ficou inacreditavelmente boa nessa versão recheada de overdrives. A boa cozinha de Jeff Martin e Greg Chaisson faz um trabalho bem competente durante todo o disco, mas neste caso o negócio realmente fica bem mais concentrado entre Ray e Jake. O guitarrista se arrisca nos violões em “Joe’s Blues”, com grande maestria. A dupla assina as demais canções praticamente sozinhos, com uma ou outra intervenção de Greg. De resto, é destacar os melhores momentos, pois apenas a faixa-título me parece não ter a força para ser o nome do álbum. “Silver Horses” é minha primeira eleita, destacada de tantas outras boas canções. A música tem um riff que faria Stevie Ray Vaughan exibir seu melhor sorriso, seja lá onde ele estiver. “Show me the Way”, “The Last Time” e “3 Day Funk” também estão entre minhas preferidas. Os desentendimentos entre Ray Gillen e Jake E. Lee, somados aos problemas de saúde do vocalista, não deixaram que esse supergrupo fosse para frente. É certo que o álbum também saiu em uma época em que não havia muito espaço para o estilo, fato que também atrapalhou. Uma pena, pois se trata de um ótimo disco muito bem lembrado pelo Flávio.

André: Adoro a guitarra de Jake E. Lee com Ozzy. Também adoro os vocais de Ray Gillen. Um time de primeira forma o Badlands, banda muito subestimada da cena. Ouvindo agora, lamento não ter me lembrado deste discaço para a edição abrangendo 1991. Flávio fez justiça a este álbum. Hard rock excelente, temperado de blues, contando com “Shine On” e Lee nos presenteando com licks ganchudos. “Whiskey Dust” é outra em veia similar. Só Ozzy para saber reconhecer um guitarrista foda mesmo para recrutar para sua banda solo.

Bernardo: Tem um ex-vocalista do Black Sabbath e um ex-guitarrista de Ozzy Osbourne. E ainda consegue ser sem graça.

Christiano: O início da década de 1990 foi uma época muito interessante. Enquanto o hard rock espalhafatoso de bandas como Poison e Warrant mostrava claros sinais de desgaste, uma nova geração de músicos apresentava uma nova estética tanto musical quanto comportamental. Era a tal cena de Seattle, representada por grupos como Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden. Acessórios como baton, purpurina e pó-de-arroz deram lugar a camisas de flanela e a uma reaproximação com um tipo de rock mais básico, sujo e introspectivo. No meio de toda essa mudança, alguns grupos de hard rock retomaram as raízes mais blueseiras do estilo, dando novo fôlego ao que já parecia morto. Ao lado do Cinderella, o Badlands foi uma dessas bandas. Voodoo Highway é seu segundo trabalho e traz uma maior ênfase na pegada blues já bastante evidente em seu álbum de estreia. A presença de músicos já bem reconhecidos naquela época, como Jake E. Lee e Ray Gillen, não foi suficiente para alavancar a carreira do Badlands. É uma pena, visto que neste segundo álbum somos presenteados com pérolas como “Whiskey Dust”, “Show Me the Way” e “Soul Stealer”. Infelizmente, este é um exemplo perfeito de disco injustiçado.

Davi: Ainda não consegui decidir de qual álbum gosto mais. Se deste ou do autointitulado (1989). Dusk (1998) é, sem dúvidas, o mais fraco, mas também não dá para malhar, até porque é um trabalho que eles não chegaram a finalizar. Quando o disco póstumo saiu, o CD com as demos já existia havia alguns anos. Voltando a este trabalho, Jeff Martin é um bom baterista, mas não tem a pegada e nem a criatividade de Eric Singer. Jake E. Lee sempre foi um monstro (o trabalho que ele fez com o Ozzy é animal. Gosto até mais dele do que de Zakky Wylde) e Ray Gillen é simplesmente um dos grandes vocalistas do hard rock. Acho uma pena que nunca tenha alcançado o reconhecimento que merecia. Em termos de composição, é perfeito. Pode até deixar no repeat. Para não dizer que fugi da raia, minhas preferidas são “The Last Time”, “Whiskey Dust”, “3 Day Funk”, “Silver Horses”, “Soul Stealer, “Fire and Rain” e “Heaven’s Train”. Este era um dos que estariam na minha lista. Maldade isso…

Diogo: Já devo ter dito algo parecido antes, mas azar. Quem associa o Badlands ao glam metal em função do contexto da época e pelo fato de Jake E. Lee ter gravado o álbum mais “colorido” de Ozzy Osbourne não faz a mínima ideia do que está falando e sequer se deu ao trabalho de ouvir os discos. Tanto Voodoo Highway quanto o álbum de estreia são excelentes exemplos de rock pesado de pegada blueseira. Gosto um pouco mais do primeiro, com uma produção de maior qualidade, mas Voodoo Highway também é uma bela obra. Jake E. Lee é um dos melhores guitarristas de sua época e um dos menos firuleiros. Recusava-se, inclusive, a usar ponte móvel em suas guitarras, mantendo um set-up mais reduzido que seus companheiros de geração. Ray Gillen teve uma carreira curtíssima, mas isso bastou para que se tornasse um dos meus vocalistas favoritos. Juntos a uma cozinha competente, a dupla botou para fora faixas que são a fiel representação da origem norte-americana do rock, com swing, muito blues, alma sulista e a pinta de que chegaram no estúdio, plugaram os instrumentos e começaram a compor em cima de jams puxadas por Jake. “The Last Time” é minha favorita, escolha certa para divulgar o álbum, mas praticamente todo o disco é muito bom, destacando-se talvez “Show Me the Way”, “Soul Stealer”, “Whiskey Dust” e “Silver Horses” levemente acima. Não me canso de reafirmar: o que toca esse Jake E. Lee é coisa de louco, inspiração para guitarristas de diferentes estirpes. Pena que, após o insucesso do Badlands, deixou a carreira musical meio de lado e só voltou a aparecer com algum destaque há poucos anos.

Fernando: Particularmente, prefiro o disco de estreia. Sempre achei este segundo bem inferior ao primeiro, e ambos muito superiores ao terceiro e último. Ouvindo agora eu acabei gostando até mais do que das outras vezes. Ou seja, ele subiu um pouco mais no meu conceito. A voz de Ray Gillen está fantástica neste álbum, aliás, algo frequente em toda sua curta carreira.

Mairon: Este é o segundo disco dessa bandaça, que infelizmente não durou muito tempo. Com Jeff Martin substituindo Eric Singer, o grupo perdeu um pouco de força, mas mesmo assim continuou mandando ver. Ray Gillen é um baita vocalista, basta ver o que ele faz em faixas como “The Last Time”, a gospel “In a Dream”, acompanhado apenas pelo dobro de Jake E. Lee, e a baladaça “Fire and Rain”. Já Jake é um dos guitarristas mais injustiçados que conheço, estraçalhando na guitarra em “Whiskey Dust”, Silver Horses”, arrepiando com o dobro em “Voodoo Highway”, criando um riff grudento em “Heaven’s Train” e debulhando o violão em “Joe’s Blues”. Quando se fala nos grandes nomes dos anos 1980, sempre vêm Malmsteen, Satriani, Vai, Randy Rhoads e até Zakk Wylde, mas o cara é um animal. Não sei por que, mas a linha harmônica de “Shine On” e “3 Day Funk” me lembra algo do Grand Funk Railroad, acho que pelo embalão delas (a primeira tem um gene de “Sin’s a Good Man’s Brother” muito forte nos meus ouvidos nas linhas vocais), enquanto “Soul Stealer” é o Led Zeppelin pisando nos anos 1990. Fecham Voodoo Highway “Show Me the Way” e o embalo de “Love Don’t Mean a Thing”, o que atesta o fato de que o que esses caras tocavam virava algo prazerosamente audível. Prefiro o primeiro, mas este entrava fácil no lugar do Death, com certeza.

Ronaldo: Nada como um boa leitura do passado para se escrever um presente mais interessante. Acho que isso poderia ter sido dito naquele 1991 em que o Badlands estava buscando um lugar ao sol. E a síntese dessa busca é justamente retomar como centro da música a noção do conjunto (algo que os leitores da CR devem estar cansados de me ver destacar como ponto positivo em minhas resenhas). É um tipo de disco que se pode ouvir diversas vezes e em cada uma delas ter um incrível prazer ao acompanhar apenas a voz; em outro ouvir as precisas linhas de baixo e em outro vibrar com a destreza da bateria ou o vigor das guitarras. Pura lúxuria instrumental a serviço de um rock ‘n’ roll de primeira grandeza.

Ulisses: Não sei por que nunca me graduei do autointitulado da banda. Valeu pelo empurrão, Flavio! Voodoo Highway é um bom disco, sólido do começo ao fim. Sem muitas faixas fracas (“In a Dream” é uma delas) e contando com um Jake E. Lee que está dando aulas de guitarra no álbum inteiro – me impressionou especialmente em “Whiskey Dust” e “Silver Horses”. A cozinha é proeminente e criativa e Ray Gillen é um excelente vocalista. Fãs de hard rock não têm do que reclamar.


Coverdale•Page – Coverdale•Page (1993)

Flavio: Este foi o meu último escolhido e também é o caçula da lista, com quase 25 anos de lançamento. Ao me deparar com a defesa de Coverdale•Page, questionei-me firmemente por que, por exemplo, havia deixado outro petardo alemão com Ulrich Roth de fora para considerá-lo, e fui tentar me contextualizar para justificar a escolha. Quando comecei a me envolver com o rock ‘n’ roll, o Led Zeppelin havia encerrado atividades anos antes, eu já estava orfão. É claro que os registros do Led Zeppelin foram sendo conhecidos paulatinamente até eu considerá-la a melhor banda que existiu no planeta. E o que isso tem a ver com este disco? Bom, ao saber do lançamento, tive a chance de rever Page acompanhado de uma grande presença, um grande vocalista. Esse fato apontava para um pequeno prêmio de consolação, tendo enfim uma novidade de Page lançada na minha época de rock ‘n’ roll! Ao ouvir Coverdale se esforçando para soar como Plant (talvez venham me crucificar de todas as formas), decidi ver o lado bom. Achei ótima a ideia. Coverdale adoraria ser Plant e eu adorei que ele tentou sê-lo neste disco. Então não há nada de errado: o álbum é ótimo, com muitos elementos da melhor banda do planeta e também outros tantos que Plant, quer dizer, Coverdale trouxe da sua bagagem. Há ótimas canções, com Page muito inspirado, usando aquelas afinações esquisitas e instrumentos folk/acústicos, misturados no puro hard rock, para meu deleite. Destaco duas canções, mas deixo claro que gosto de tudo: o bluesaço lento “Don’t Leave Me This Way” e o petardo “Whisper a Prayer for the Dying” justificam este disco como nada menos que espetacular. Por fim, pelo que sei, Plant entendeu isso aqui e logo a seguir voltaria a dupla com Page. E em 1996 estava eu na Praça da Apoteose, vendo os dois juntos.

Alexandre: Tinha tudo para ser um excelente álbum, e de fato é um bom trabalho, mas fica o sentimento de que se David Coverdale tentasse soar mais como ele mesmo (principalmente no início da carreira junto ao Whitesnake) e menos como um Robert Plant envelhecido, tentando agudos em plenos anos 1990, o resultado poderia ser ainda melhor. “Whisper a Prayer for the Dying” é uma grande composição de Jimmy Page, que poderia ter ficado melhor sem os agudos exagerados de David. Esse é o único ponto desfavorável à junção desses talentos indiscutíveis. Juntamente com o álbum do Uriah Heep, trata-se do álbum do qual menos gosto em uma lista impecável. Isso não quer dizer que não haja muita coisa interessante. Afinal, é o velho Page destilando classe, se destacando nas linhas menos óbvias de “Waiting on You”. As baladas, momentos em que Coverdale sempre foi um dos grandes, ficaram excelentes. “Take Me for a Little While” e “Take a Look at Yourself” são ótimas canções, que mostram o melhor do vocalista. Além disso, David sempre deu interpretações marcantes para os blues, desta forma “Don’t Leave Me This Way”, mesmo com certo exagero dos agudos no fim, é simplesmente sensacional. A canção juntou dois monstros naquilo em que eles são mestres, é a melhor do álbum. Quando Coverdale tenta demais ser Plant, como em “Easy Does It”, eu passo. Mas para 1993 este disco entra, e digo mais, é melhor que a grande maioria do que está relacionado naquela edição.

André: Em se tratando de dois nomes fortes do rock, esperava coisa muito melhor. Não digo que seja ruim, mas é aquela sensação de que o peso da camisa que ambos vestem me traz expectativas enormes. Gostaria de ver algo como uma mistura das duas bandas, mas a impressão que dá é de apenas um disco de sobras do Whitesnake. Nem Page passa aquele toque Led Zeppelin que eu esperaria, dando a impressão de ser apenas mais um membro do grupo de Coverdale. Gosto de “Take a Look at Yourself”, mas é pouco para tantas outras músicas que ficam ali no médio, com um pouco de bom. Aliás, acho “Easy Does It” bem chatinha. Enfim, aquele disco nota 6,5, que não me trouxe muita coisa.

Bernardo: O famoso “álbum naftalina”, juntando dois medalhões que já haviam visto melhores dias para compor um pálido fantasma do que ambos já foram. Não tem nada que seja metade do que foram a Mark III do Deep Purple ou mesmo o Led Zeppelin, mas bem, são Coverdale e Page, certo? Mesmo que lancem um álbum de covers de sertanejo universitário tocado com cítaras, só a curiosidade já vale.

Christiano: Jimmy Page é um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Coverdale gravou discos clássicos com o Deep Purple e o Whitesnake. A união dessas duas lendas foi recebida com entusiasmo por seus admiradores. O resultado? Um disco muito bom, embora eu não o considere um primor. A abertura, com “Shake My Tree”, é empolgante. “Waiting on You” mantém o nível. No entanto, apesar do início altamente promissor, a coisa esfria um pouco em “Over Now” e “Feeling Hot”. Mas “Easy Does It” recoloca o trem nos trilhos, lembrando os tempos de Led Zeppelin. Outro ponto alto é “Don’t Leave Me this Way”, com Page mostrando sua capacidade de criar climas pesados e meio místicos. Não o considero um clássico, mas é um bom álbum.

Davi: Fazia muito tempo que não ouvia este disco. Não porque não tenha curtido, pelo contrário. Ouvi tanto na época que resolvi deixá-lo um pouco de lado. Perdi as contas de quantas vezes “Shake My Tree” e “Pride and Joy” tocaram nos meus falantes. Também não tinha como essa junção dar errado, né? Sem contar que Coverdale estava em uma put* fase, cantando pra cara*** (repare em “Absolution Blues” e tire suas conclusões). “Feeling Hot” traz a pegada Zeppelin em evidência, assim como as quebradas de bateria em “Take a Look at Yourself”. Outro grande destaque é o rock “Waiting on You”. Para ouvir no talo!

Diogo: Sabe quando o resultado é inferior à soma dos fatores? Este é um exemplo. Veja bem, eu gosto muito do disco, tenho minha cópia há vários anos, mas quem espera algo tão retumbante quanto a mistura desses dois grandes talentos pode se decepcionar. Em alguns momentos, isso se concretiza, em outros não. “Shake My Tree” foi a escolha perfeita para abrir o disco, mostrando aquilo que esses caras sabem fazer de melhor, um pleno amálgama de seus estilos. “Waiting on You” (especialmente), “Take Me for a Little While” e “Feeling Hot” também empolgam bastante, soando mais como se Coverdale tivesse contratado Page para o Whitesnake do que qualquer outra coisa. O equilíbrio volta à tona com “Whisper a Prayer for the Dying”, outra boa canção, correto encerramento de um disco deslocado de sua época, mas que serviu para novamente colocar em evidência o nome de Jimmy Page, pouco produtivo na década de 1980 tanto em quantidade quanto em qualidade. De negativo, destaco que a produção acabou deixando a sonoridade lustrosa demais e um pouco confusa.

Fernando: Juntar dois monstros assim é garantia de coisa boa. Em muitos momentos, David Coverdale tenta emular um pouco Robert Plant, o que até gerou um comentário sarcástico do próprio Plant sobre isso. Aliás, Page queria mesmo ter seu antigo parceiro de Led Zeppelin, mas ele se recusou. Em algumas faixas, o álbum soa como se o Led Zeppelin tivesse gravado algum material nos anos 1990, como na faixa de abertura, “Shake My Tree”. Entretanto, a balança também pendeu para o lado do Whitesnake em “Waiting on You”. Vale a pena para fãs das carreiras de ambos.

Mairon: David Coverdale novamente se fazendo presente na lista do Flávio, e aqui acompanhado de Jimmy Page. Temos uma fusão sensacional do som do Led Zeppelin com o do Whitesnake, apesar de Coverdale exagerar em emular Robert Plant, mas nada disso prejudica o álbum. As canções mais “zeppelianas” são “Shake My Tree”, contando até com Coverdale na harmônica – ótima para abrir um álbum –; a intro à la “In the Evening” de “Absolution Blues” – faixa veloz com um piquezão bem Led –; “Easy Does It”, que lembra muito canções de Led Zeppelin III (1970), por conta dos momentos acústicos – assim como “Pride and Joy”, que parece saída das gravações de Led Zeppelin IV (1971), de novo com a harmônica de Coverdale mandando fortes emoções para o cérebro –; os elementos orientais de “Over Now e aquele climão “Kashmir”/”I’m Gonna Crawl” de “Don’t Leave Me This Way”, com um grandioso solo de Page. O Whitesnake está presente nas baladaças “Take a Look at Yourself” e “Take Me for a Little While”, enquanto “Whisper a Prayer for the Dying’ (com uma leve citação a “Kashmir”), “Waiting on You” e “Feeling Hot” mesclam bem o espírito farofa do Whitesnake com o peso da guitarra, baixo e bateria do Led. Trata-se de um dos grandes discos dos anos 1990, que novamente trouxe Page para as páginas (perdoem o trocadilho) da mídia. É uma lástima que o projeto não tenha continuado, mas ao que parece Coverdale quer retomá-lo. Tomara! Se o Flávio tivesse participado da edição dedicada a 1993, este álbum certamente teria entrado, já que votei nele em terceiro colocado. Assim não precisaríamos de absurdos como Death, Nirvana e Carcass. Mais um a sair da minha lista. Parabéns, Flávio.

Ronaldo: Talvez o melhor momento de Jimmy Page após o Led Zeppelin. Neste disco, ele apresenta sua leitura do blues, com a interpretação peculiar e pouco reverenciosa que lhe tornou célebre. Aliado à poderosa voz de David Coverdale, este foi um caso em que a soma dos talentos confirmou o axioma da matemática.

Ulisses: Para um álbum que une dois monstros do rock, nunca conseguiu me impressionar, a não ser nos momentos de arranjos épicos e expressivos, um pouco deslocados do lugar comum do hard rock. É o caso de “Over Now” e “Whisper a Prayer for the Dying”. “Take Me for a Little While” é boa, mas sua duração passa do ponto. Já troços insossos como “Easy Does It” e “Take a Look at Yourself” poderiam ter ficado de fora…



Categories: Artistas, Curiosidades, Discografias, Judas Priest, Kiss, Músicas, Queensrÿche, Resenhas, Scorpions, Uriah Heep, Whitesnake, Yngwie Malmsteen

15 replies

  1. Eu já falei aqui do prazer que dá fazer essa bagaça, muito legal. E num geral gostei muito dos comentários dos consultores, é claro que tem uma polêmica aqui e outra ali, mas foi muito melhor do que o esperado. Realmente montar um playlist com esses dez vai descer bem. Para vocês adeptos dos tais spotfys da vida, vai ser mole, mole, eu tenho que enfileirar 10 vinis, um pouco mais complicado….
    Isso aqui foi bem engraçado, Presidente:
    …”E como quem manda a lista é o primeiro a comentar cada disco, e com o Alexandre normalmente sendo o primeiro, este será provavelmente o único post da série com os comentários sendo abertos pela dupla Remote-B-Side – não há privilégio maior que este para mim.”
    Além do exagero, uma dose de toque, toc-toc-toc….

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  2. Olha… acredito que foi uma das mais harmoniosas listas comentadas que eu li dessa série. Pouquíssimas criticas. Alias, mais respeito do que critica. Quem não era fã de determinada banda se curvou diante do album. Metade dessa lista ta no meu celular. Confesso que não conheço muito o Coverdale Page e Scorpions nunca foi minha praia. Mas diante dos comentários do Taken by Force terei que conferir com carinho. Defenders of the Faith até discutimos em um podcast. É o meu precious! Maching Out é obra prima do rock. Bad Lands e Temple of The Dogs por acaso foi você mesmo que me apresentou na memorável visita a Curitiba e nunca mais deixei de curtir repetidamente. Voodoo Highway sempre está a mão para ser degustada a qualquer momento. The Warning!!!! do c…lho!!! Ótimas lembranças… mais uma influencia direta da sacada do Petisco da Vila!!! kkkkkk meu preferido do Queensryche. Ready an’ Willing fui buscar conhecer solitariamente, porém mais uma banda que conheci com vocês atraves do 1987. Essa fase inicial só mais tarde vim a conhecer. Escolhas excelentes!!!
    Demons and Wizards, muito bom também. Muito tempo depois me toquei que o WASP tinha regravado Easy Living mas ficou a cara da banda. Também gosto muito do Look at Yourself.
    Rock and Roll Over… Kiss é Kiss e pronto!!!
    Valeu!

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    • Nesse momento estou adquirindo o Look At Yourself e The Magician´s Birthday para dar aquela conferida.

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      • Então… o Uriah Heep eu até conheci bem precocemente (1985) mas não fiz um boa escolha. Comprei as cegas o Innocent Victim e não curti. Passaram-se uns 4 anos e o Fernando lembrou que eu tinha esse album e insistiu que eu conhecesse a fase Byron. Chegando em Curitiba em 1989 percebi que haviam muitas lojas de sebo e ao visitar algumas delas achei os álbuns dessa fase e realmente apreciei bastante. Foi exatamente esse trio que agora você terá. Guardando todas as proporções e estilo, é claro, esse som me remete ao Deep Purple com o Gillan talvez pelos teclados muito presentes com os do saudoso John Lord e pelo peso mesmo das musicas. A musica Look at Your Self é simplesmente animal! Você está fazendo uma ótima aquisição. Será que não houve nenhum cover de alguma banda famosa?
        Valeu!

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  3. Depois de um comentário desse do Cláudio, não restou muita coisa mesmo, né ….
    Fica a dica para ” entrar ” no Scorpions pelo Tokyo Tapes, mas qualquer de estúdio com o Ulrich Roth vale também ( exceto talvez o Fly to the Rainbow , um pouco inferior , pelo menos no meu entender).
    Faltam poucos meses para a lista dos esquecidos terminar, estamos neste momento com mais uma lista a ser avaliada, depois dessa faltaram 3 ( sendo uma, a minha). Adianto que a minha lista deve ter sim alguns dos clássicos que foram esquecidos, mas alguns álbuns mais obscuros também, pra justificar o meu apelido, que devem movimentar os comentários no consultoria.
    Essa lista aqui é irretocável. Álbuns fabulosos, o Coverdale Page é ótimo, mas poderia ser menos Led Snake. Minha unica restrição. Demons and Wizards é melhor do que a minha apreciação por ele. Ou seja, excelente, eu é que poderia gostar mais…
    Os demais é chover no molhado, mas tem os preferidos: Marching Out é um dos grandes discos de heavy metal de todos os tempos. Eduardo, atenção à essa frase, você precisa ouvir este disco. The Warning é uma paixão de exatos 33 anos. O segundo álbum do Badlands é uma obra-prima fora da época correta. Esses são os três medalhistas desta lista fantástica.
    Mas quem quiser pode escolher qualquer um. Excelentes escolhas. Sei que sou meio suspeito pra indicar, fazer o quê.

    Por último.. Eduardo, menos, muito menos….

    Alexandre

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    • Não poderia deixar passar essa dica, ou melhor, essa indicação. Não que o Tokio Tapes fosse algo ignorado. Muito pelo contrário. Tenho muito claro na memória o Tokio Tapes na Visconde de Abaeté. Infelizmente algumas vezes sou apresentado a alguns excelentes trabalhos e algo não fecha naquele momento. O mesmo ocorreu com o Exit… Stage Left que também fui apresentado na mesma época mas somente alguns anos depois consegui digerir todas as enzimas e passar a apreciar assim como toda a discografia. Com outras bandas foi o mesmo.
      Fiquei muito feliz por voltar ao tempo ter a oportunidade de poder apreciar o Tokio Tapes, principalmente com uma referencia sua, é um tiro certeiro sempre. Claro que o Taken by Force foi a deixa e também estou apreciando. Logicamente como você me conhece vou atrás do resto da discografia. Para ajudar essa empreitada sei que ela está disponível na nossa Biblia comentada Mhm. See ya!

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      • A Biblia do Scorpions aqui no Minuto HM é excelente mesmo. Excelente trabalho do Julio.

        Eu posso exemplificar outros: Além dos dois que você já citou, poderia indicar o In Trance e o Virgin Killer, da fase Ulrich Roth e o Blackout da fase americanizada da banda.
        Outras boas opções são o Lovedrive e o platinado Love at first sting, além do ao vivo da época do RiR de 85 ( World Wide Live). Dessa fase ficou de fora o Animal Magnetism, mas ele não deve muito aos outros, vale também a audição, assim como o Fly to the Rainbow da fase com Roth.
        Mais pra frente, eu ouviria o Crazy World e mais recentemente o Humanity Hour 1: São bons trabalhos de uma fase mais diluída de peso.

        Alexandre

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        • Já ouvi tudo. Realmente da pra perceber bem as diferenças entre as fases e a banda ficando mais leve. Achei o Blackout até mais pesado. O interessante é que me recordei da maioria das músicas mas não sei quando as ouvi. Mas o importante é que gostei de tudo. Valeu a dica!

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          • Impressionante a ” imersão” tão rápida. Legal que você adotou a banda , pelo jeito.

            Alexandre

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            • Acredito estar em mais num momento de abertura como você conhece bem. Então tudo flui mais facilmente e consigo absorver e perceber melhor. Isso é meio esquisito, mas fazer o que? Tem períodos que estou fechado para balanço e não consigo digerir novidades. Doideira!!! kkkk
              Mas quando a banda é boa, lógico que fica mais fácil mesmo. Agora o próximo passo é me familiarizar com os álbuns.
              Claudio

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  4. Grande Flavio, comentei por lá, mas como sempre digo… aqui e’ onde me sinto mais a vontade para escrever, sem o risco e algum mal entendido já que estamos sempre entre amigos.
    Muito legal sua participação escolhendo os “10 melhores”, posso dizer sem duvida alguma, particularmente todos os discos que você escolheu são uma audição bastante prazerosa. Não há sacrifício algum de ouvi-los do inicio ao fim.
    Comentando suas escolhas, vamos começar pelo Uriah Heep que pra mim foi uma surpresa, achava que você não ligava muito para a banda e sua opção foi justamente no mais classico. Como li no seu comentário, a banda pra mim também foi uma descoberta tardia, lá por 86 tinha gravado naquelas fitas K7 o primeiro e o Abominog, mas foi só no finalzinho dos anos 90 que realmente me interessei pelo grupo. Pessoalmente comparo o Uriah Heep com o Black Sabbath, ou seja, longa carreira, discografia igualmente extensa, varias mudanças de direcionamento musical e muitas formações diferentes. Concordo com o Bside, o David Byron canta muito, e’ uma pena que não esteja mais entre nós. Ate acho que isso e’ uma característica te todos os vocalistas que passaram pela banda, talvez só John Sloman esteja em um nível pouco abaixo dos outros e olha que o cara tem no currículo Gary Moore, Lone Star e Praying Mantis. Porem prefiro os vocais mais graves do John Lawton e Peter Goalby.
    Já o Badlands, não consigo decidir qual dos dois primeiros e’ melhor. Arriscaria dizer que Fire and Rain não e’ só o ápice do disco, mas sim um dos pontos mais altos da carreira da banda! Ate mostra-la para um amigo não sabia que era um cover, quando ele me disse: “isso e’ James Taylor” foi ai que resolvi ouvir alguma coisa a mais do velho cantor americano, hoje fico imaginando como seria se o Badlands resolvesse fazer mais alguns cover dele, como por exemplo: Never Die Young, Copperline, Mexico, Sweet Potato Pie e Down in the Hole quem tem cara de Badlands. Praticamente tudo que escutamos do J. Taylor fazendo certo exercício de imaginação da pra se adaptar para o Badlands.
    Os Marching Out, The Warning e Defenders of the Faith, seria redundância falar mais alguma coisa sobre eles. Classicos!!!
    Fiquei apenas com uma duvida, você se lembraria do Temple of the Dog se não fosse a morte do Chris Cornell?
    Pra terminar, mais uma vez gostaria de parabeniza-lo pelas ótimas escolhas e agora vamos esperar a vez do Alexandre, quem sabe teremos a oportunidade de tacar algumas pedras. Um abraço

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    • JP, posso cometer a audácia de responder pelo Flávio acerca do Temple of the Dogs. Eu tive acesso ( privilegiado) à lista antes de sua publicação e antes do lamentável falecimento de Cornell, e o disco já estava lá. Aliás, eu acho que o pessoal do consultoria também recebeu a lista antes do ocorrido.
      Em relação à minha lista, eu acho que será uma mistura de clássicos com alguns Bsides que devem merecer algumas pedras sim. Correr esse risco também vale na brincadeira.E, adianto, deve ser uma lista um pouco menos metal, mas é um pouquinho só, eu diria.
      Ouso dizer que essa lista do Flávio foi a lista mais Hours-Concours do blog amigo, e faltando 4 ou 5 nomes ( entre eles o meu), dificilmente perderá este posto.

      Alexandre

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    • O ale respondeu bem, a lista já estava montada antes da Morte de Cornell, e tomou outra dimensão depois da tragédia.

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