Dream Theater – Distance Over Time: primeiras impressões

Esse era para ser um post do Daniel, escrito com um olhar muito mais crítico e especializado do que o deste que vos escreve…

Dia 22 de fevereiro de 2019, data do lançamento mundial do décimo quarto álbum de estúdio do Dream Theater, Distance Over Time. Abdiquei do almoço para ouví-lo com calma. Não vou me atrever a fazer comparações com álbuns anteriores ou fases da banda.

Ouvi apenas uma vez, via streaming. Sei que demora até anos para que um álbum desses caras seja digerido corretamente, mas a espera era muita; desde o, digamos, “deveras criticado” The Astonishing. Mas eu estava muito ansioso pelo lançamento e evitei ao máximo ver vídeos e outras postagens de redes sociais com excertos das canções, para que a minha audição não fosse atrapalhada e influenciada (e falo isso pelo lado do fã, pelo primeiro contato com um novo trabalho de seus ídolos). Ansiedade era tanta que decidi compartilhá-la.

Em resumo, o álbum está bem melhor do que trabalhos anteriores. Mantendo o costumeiro peso mais “agressivo” que “progressivo”, adotado desde o Octavarium, onde a sétima corda de guitarra passou a ser uma constante. A voz do LaBrie não me agradou em muitas canções, devido muita adição de programas de estúdio e enfeitinhos aqui e acolá (não sou músico, então não posso entrar em detalhes muito técnicos aqui).

Tracklist:

  1. Untethered Angel (Petrucci)
  2. Paralyzed (Petrucci)
  3. Fall into the light (Myung)
  4. Barstoll Warrior (Petrucci)
  5. Room 137 (Mangini)
  6. S2N (Myung / Petrucci)
  7. At Wit’s End (LaBrie)
  8. Out of Reach (LaBrie)
  9. Pale Blue Dot (Petrucci)

Três músicas já tinham nos sido apresentadas através de singles (as três primeiras faixas do álbum, lançadas separadamente entre dezembro e fevereiro). Tirando a faixa que abre o disco, que ouvi em single, não tinha ouvido mais nada. Com a lição de casa iniciada (pois muitas outras audições estão por vir e minha opinião pode mudar, o que não é algo tão difícil quando se trata de deglutir Dream Theater), vamos lá…

Untethered Angel: é simplesmente impossível não lembrar da atmosfera de Black Clouds & Silver Linnings quando a faixa é iniciada e encerrada. Boa pegada, contendo aquela velha masturbação instrumentística com quebra de tempo, muito comum em muitas outras faixas da banda.

Paralyzed: canção direta, com um riff que não empolgou.

Fall into the light: excelente faixa! O violão no meio da canção foi uma excelente sacada. Myung surpreendeu com essa composição!

Barstoll Warrior: gostei! Parecia mais uma música qualquer no início, mas depois decolou legal, com bons trechos!

Room 137: pensa em um doce de Maria Mole, só que sem o açúcar e sem o côco. Tem forma de música, mas simplesmente não dá para sentir nada. Muito fraca!

S2N: boa canção, mas sem ousadia.

At Wit’s End: a canção mais longa do álbum (que não chega em 10 minutos, para meu pessoal desapontamento) tem dois momentos. Do início para o meio achei pouco inspirada, mas do meio para o fim ela é sensacional! Belíssimas linhas de guitarra!

Out of Reach: daquelas canções com melodias “bunitinhas”. Encaixou muito bem! Fazia muito tempo que não ouvia uma canção dessas no DT.

Pale Blue Dot: adorei o título. Contém centenas de trechos que “já ouvi antes em alguma música” do Dream Theater. Não empolgou para uma canção de fechamento!

Considerações finais da primeira audição:

  1. Gostei! Vou comprar o álbum!
  2. Álbum bem acima da média desde a chegada de Mangini. Sem firulas instrumentais, está para competir com o A Dramatic Turn of Events na discografia com o novo baterista (e eu escrevi lá acima que não ia fazer comparação).
  3. Graças a Deus, Petrucci liberou espaço para os demais músicos da banda comporem. Rudess fez falta; deveria ter dado as caras.
  4. Portnoy ainda faz falta!

Beijo nas crianças!

Kelsei



Categorias:Curiosidades, Discografias, Dream Theater, Entrevistas, Instrumentos, Músicas, Resenhas

8 respostas

  1. nao sei se lembram de mim mas cheguei a escrever sobre o show astonishing um tempo atras… estarei indo aos shows de Orlando e Jacksonville e vou estar organizando um encontro do fan clube do Dream Theater em Jacksonville com meu filho q tmb eh fa deles. Se querem algo de mim eh so escrever….

    Sincerely,
    Christopher Santana
    954-200-1034

    Sent from my iPhone

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    • Opa, uma cobertura e fotos serão muito bem vindas Christopher! Aqui no Brasil o (meu) jeito será esperar a turnê chegar …

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    • Olá Christopher, muito bom tê-lo novamente comentando por aqui e sem dúvidas lembramos todos do seu fantástico post em Baltimore.

      Endosso as palavras do Kelsei – será um prazer enorme poder contar com suas impressões de todo o verdadeiro evento que vocês estão organizando! De verdade, será um privilégio para nós. E fique sempre a vontade por aqui, inclusive sobre outros posts de outras bandas ou eventos, bem como nos espaços de comentários!

      Até mais!

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Mkt à parte, vídeo legal trazendo detalhes da nova signature de JP – o da banda, não o nosso – e do próprio som deste novo álbum:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Gostei muito dessa resenha

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  4. Gostei do álbum.
    O DT tem a característica de não repetir fórmulas quer elas agradem ou não aos fans.
    Pessoalmente eu gostaria, por exemplo, de “ver” outros “Awakes” e “Train Of Thoughts”. Mas tudo bem… vão em frente. Já foi o tempo que se lançava um álbum a cada 1 ou 2 anos no máximo. Eram outros tempos. Então é melhor mesmo que sejam diferentes. Ainda bem! Outro Astonishing seria duro de engolir.
    Esse foi o álbum que mais me agradou após a saída do Portnoy. Não que isso seja um grande feito. Prefiro os álbum da década 1990.
    O álbum nitidamente é mais direto e mais curto. O peso está de volta.
    Achei interessante a liberação das 3 primeiras musicas, o que já dava o tom do que viria.
    Também vou comprar o cd. Mas o vinil é tentador com uma produção super caprichada.
    Não pulo nenhuma faixa nas audições.
    Valeu!

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  5. Kelsei, temos opiniões diferentes sobre as músicas , mas talvez uma opinião muito mais próxima quanto ao resultado final. Essa não é a minha primeira audiçao do álbum, mas é a segunda , continua muito sujeita a erros . Mas eu acho que esta formação não consegue fazer algo melhor do que fez neste álbum, isso por que eu começo concordando com você em seu ítem 4 : Portnoy faz falta. Ele provavelmente ia mexer mais nas músicas e ousar um pouco mais. A ousadia deixou lugar para uma banda mais óbvia, mas dentro deste contexto, percebo um esforço em trazer boas melodias e um cuidado maior para adicionar peso às canções.

    A participação de outros que não Petrucci nas composições ajuda a variar um pouco mais em relação ao certo óbvio que já citei. Em compensação a bateria e o vocal insosso continuam atrapalhando. Pelo menos há menos momentos ” George Michael ” no álbum, achei um no meio de At Wit’s End, mas são poucos. E é sim um disco muito melhor do que seus dois antecessores. Muito melhor.

    Em relação às discordâncias, isso se deu porque as músicas que eu mais gostei estão entre as menos favorecidas da sua crítica acima , no trecho ” track by track.” Veja o que é incrível, gostei bastante de Room 137 e principalmente S2N. Ambas , na minha modesta opinião, saem um pouco da zona de conforto, essa última especialmente no trecho onde há o ( melhor do álbum ) solo de Petrucci. A primeira também não é o que encontra-se nos últimos álbuns,pra minha felicidade. Ponto para o Mangini, fez muito mais como compositor do que em todos esses anos à frente da bateria da banda.

    Eu dou um ok para os três singles, se situam entre os bons ( e poucos ) momentos da banda na fase pós Portnoy,sem serem “a oitava maravilha do mundo moderno”.

    E deixaria de lado as faixas onde os teclados e vocais melosos se juntam , em especial no refrão, principalmente Out of Reach , mas também Barstool Warrior ( essa um pouco menos). At Wit’s End tem prós e contras , gostei daquele fim simulando o som sem produção que é ouvido de fora de um estúdio, mas eu ficaria sem o momento ” Don’t Leave me Now”…..

    A faixa final seria melhor se fosse instrumental, isso me pareceu algo tão claro, que não entendo como Petrucci não pensou o mesmo. Qualquer fã que tenha um ponto de vista de quem já ouviu e gostou de faixas como Erotomania, Hell’s Kitchen ou Dance of Eternity ao pensar nisso dificilmente não iria concordar.

    Obrigado Kelsei por me forçar a ouvir antes do que imaginava o álbum, sua crítica me fez mexer os botões nesse sentido. Acho que essa formação fez algo digno, entendo que há limitações que não os faria sozinhos no atual momento fazer mais do que isso. E graças aos céus, há uma sensível melhoria em relação aos últimos dois desastres musicais que eles lançaram. Pra melhorar eu sugeriria dois caminhos . Um já foi falado em exaustão, então vou citar apenas o segundo : Tragam um produtor de fora com entendimento da banda em seus melhores momentos. Isso faria com que algumas sutis mudanças fizessem deste Distance Over Time melhor ainda.

    Alexandre

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