A implacável resenha de “RELENTLESS – 30 Anos de Sepultura”

Desculpem pelo trocadalho do carilho logo no título, mas não resisto.

A meta era escrever esse post em 2019, mas falhei miseravelmente.

Em 2018, tomei uma iniciativa própria de estudar mais bandas que tenho contato frequente mas sem um conhecimento tão aprofundado. A primeira da fila era o Sepultura, facilmente a banda brasileira mais conhecida ao redor do mundo, sendo até mais valorizada em países fora do Brasil do que aqui em nossas terras tupiniquins. E foi esse sentimento que fez com que eu iniciasse pelos mineiros, pois me sentia envergonhado de não saber de cabo a rabo a história da banda que levava a bandeira do meu país para o mundo.

Para não ficar só nas audições da discografia, comprei o livro “Relentless – 30 Anos de Sepultura”, escrito por Jason Korolenko. Comprei “no escuro”, sem pesquisar nada sobre ele, somente para que eu tivesse uma referência adicional para servir de guia. O livro foi lançado oficialmente em 2014, escrito em inglês e polonês. Em 2015, teve uma versão em francês. E em 2016 chegou em português. É essa última a versão que repousa em minha pequena biblioteca musical.

Jason Korolenko é um escritor norte-americano, que também é músico e fotógrafo. Ele tem um site oficial. Quando li um pouco sobre ele (isso antes de iniciar a leitura de Relentless), me bateu uma tristeza: tivemos que esperar um americano ter a boa vontade de escrever sobre a história do Sepultura – e isso só corroborou ainda mais pelo meu sentimento descrito no primeiro parágrafo e me deu mais vontade ainda de ler e entender sobre a banda.

O livro tem um vocabulário fácil, contando a história do Sepultura desde o início em Belo Horizonte, Minas Gerais, até o pré-lançamento do álbum The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart, de 2013. Uma coisa que eu gostei muito foi que o livro simplesmente narra os fatos da história (contendo inclusive contextos políticos de certas épocas), sem “clubismos” entre o “Time do Max” e o “Time do Andreas”, contando fatos de bastidores dos álbuns, problemas com produtoras, curiosidades de turnês, etc. Se você busca por detalhes sobre brigas e desentendimentos entre membros da primeira formação, passe longe.

O livro também tem um foco muito grande na parte artística dos álbuns, contando em detalhes a temática cercando cada ponto da discografia, bem como um “faixa a faixa”, explicando o que cada música passa dentro daquela temática. Achei isso sensacional, pois é uma das melhores coisas que existem para encaixar o leitor para um contexto pós-audição do álbum (e eu, coincidentemente, criei essa estrutura na discografia do Iron Maiden, que escrevo para o blog). Esse foi o principal fator que fez eu demorar muito para ler todo o livro, pois, capítulo a capítulo, eu ia ouvindo com calma todos os álbuns e mastigando as músicas.

Todos os membros da banda, inclusive ex-integrantes e pessoas dos bastidores, contribuíram com entrevistas para o livro. Não fica claro, entretanto, se o autor as toma de outros locais oficiais ou se elas foram todas exclusivamente dadas para o livro. Max Cavalera foi o único a não contribuir com entrevistas e eu senti falta, pelo menos, de uma explicação oficial do porquê elas não terem aparecido (se o Max não quis, se ele não foi autorizado pela atual administração da marca Cavalera, se ele sequer retornou contatos do escritor, sei lá; devia ter uma nota sobre esse ponto, pois, do lado dos fãs, isso gera achismos e boatos e do lado dos que só conhecem a banda, onde eu me encaixo, fica uma lacuna importante para preencher o conteúdo que o livro traz).

A maioria das fotos que acompanham o livro são do acervo pessoal da banda, com muito conteúdo exclusivo até para os fãs. O legal é ver fotos dos anos 1980 e início dos 1990, onde ainda não havia a tecnologia digital como suporte, com fotos bem naturais (como Igor Cavalera piscando quando o Sepultura se encontrou com Tony Iommi e Geezer Butler, do Black Sabbath).

O livro é um prato cheio para pessoas que não conhecem o Sepultura em detalhes e, para quem tiver a disposição que eu encontrei, façam o que fiz: leiam o livro ouvindo junto a discografia. Aprendi muito ouvindo álbuns que jamais tinha dado play (não vou aqui destacar álbuns que não conhecia até então) e alguns, inclusive, entraram na minha playlist para ficar. Agora posso dizer que conheço bem mais da banda que leva parte do Brasil para o mundo.

O livro é barato e você consegue encontrar nas principais livrarias e lojas online. E como diz o autor, acho que no prefácio, “que venham mais 30 anos”.

Kisser-Korolenko-Xisto

O autor do livro, Jason, entre Andreas Kisser e Paulo Xisto

Até mais! Beijo nas crianças!

Kelsei



Categorias:Curiosidades, Discografias, Resenhas, Sepultura

11 respostas

  1. Kelsei, excelente. Maior expoente da história do metal nacional e, para mim, liderado pelo maior “trabalhador” do metal no país também – afinal, o Andreas está em todas, sendo um cara de uma humildade exemplar e que consegue “navegar” entre um novo fã, tocar em lugares pequenos e na sequência tocar com os maiores nomes da história do heavy metal da noite para o dia (literalmente), ou em um RiR da vida.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Asssiti ao documentário da banda e houve o mesmo problema: Mac e Igor não quiseram contribuir e isso é dito ao final do filme. Mostra o profissionalismo do Sepultura em visivelmente mostrar que o mais importante seria a história e deixar de lado as diferenças. Uma pena.
    Eu sofro do mesmo mal que você: conheço pouco aquela que junto com Mutantes e Angra são as bandas mais “famosas” abroad
    Uma pena. Quando estive no That Metal Show o DJ colocou Sepultura e algumas pessoas as quais eu já tinha me enturmado vieram me perguntar sobre a banda e eu só conhecia os medalhões e o Chaos A.D. que por sorte era o que estava tocando.
    Que bom que você tudo muito certo
    Muito legal a sua trajetória e seu post

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  3. Bem , eu adoro ler esses livros com histórias de bandas ou integrantes e fica mais um “tô do” arquivado.
    Excelente a ideia do post , tenho buscado entender melhor a banda , em especial depois da entrada do Eloy.
    E concordo com o Eduardo no papel incessante que o Andreas vem desempenhando dentro e fora da banda.
    Admirável.

    Alexandre

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  4. Mais um post mineiríssimo!
    Conheci a banda desde os primórdios, inclusive tive a oportunidade de ter estado com Max e Igor na Cogumelo onde a galera se encontrava nas sextas-feiras à tarde pra trocar ideias.
    É evidente que a banda evoluiu imensamente.
    Acho o som muito interessante, com qualidade e vigor, do pouco que conheci. O tipo do vocal gutural, no entanto, é algo que me afasta de maiores audições. Resolvi dar uma pincelada no novo álbum, Quadra e achei muito bem produzido.
    Kelsei, quais os álbuns mais te agradaram?
    Valeu!

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    • Cláudio, quando eu ouço “Sepultura” a primeira coisa que vem na minha cabeça é o Beneath the Remains. É o álbum que mais gosto dele, seguido do Chaos A.D., que é recheado de clássicos mais “populares”, digamos.

      Só que esses eu conhecia antes do livro. Não sabia, por exemplo, que o Jean é um baterista de Jazz e que tocou no Sepultura sem nem saber quem era o Judas Priest. E os álbuns com ele são bons! Mas acredito que com o Elói a coisa ficou muito boa! O KAIROS é excelente – digo hoje que coloco ele na terceira posição, com potencial de bater a parte alta da senóide construída na época dos irmãos Cavalera.

      Outro álbum cuja temática gostei demais é o Sepulnation, que só pela capa me afastava de uma audição. O conceito de que todos somos um só e a música nos une, tendo discursos de Mandela, Madre Tereza, Dalai Lama, todos em suas línguas originais, entre as músicas foi algo muito bem pensado.

      Terminei de ler o livro um pouco depois do lançamento do Quadra. O livro não cobre o Machine Messiah, mas esse eu tenho. Logo, quando achei que acabei a discografia, agora tem o álbum novo pra ler rsrsrs

      Abraços!

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