Mesma reportagem sobre Black Sabbath nas revistas Metal Hammer (dez/2015) e Roadie Crew (jan/2016)

Antes de mais nada, eu gostaria de esclarecer que esse post não tem – em hipótese alguma – a intenção de criticar ou diminuir a Revista Roadie Crew. Eu sou um consumidor assíduo da revista que sempre traz excelente reportagens e informações sobre o heavy metal e suas vertentes, inclusive, o Minuto HM já foi assinante da revista e acho que posso falar por todos sobre o respeito e admiração que todos temos por esse veículo.

Eu só gostaria de expressar a minha surpresa ao ver que a matéria sobre o Black Sabbath publicada na edição # 204 de janeiro de 2016 da Roadie Crew é a mesma que foi publicada na revista Hammer de dezembro de 2015 que traz a assinatura de Paul Brannigan para ambas. Trata-se da mesma reportagem com algumas “tropicalizações” para mencionar aspectos aqui do Brasil como no quadro comparativo entre acontecimentos cronológicos que acompanha a reportagem. Há também inserções de pessoas que escrevem para a revista que são boas.

Como leitor de ambas as revistas, não fosse pelo não ineditismo de parte da reportagem, ela seria uma boa matéria. Boa porque ambas as publicações insistem em relegar ao segundo plano a era Tony Martin. Isso para mim soa como aquela tradicional e corriqueira falta de coragem – ou conhecimento – das pessoas sobre a importância da era Martin na história da banda. Como pode uma matéria que tem a pretensão de falar sobre a banda não mencionar com mais detalhes essa era primorosa da banda? Para mim, soa como algo absurdo.

Eu sei que a cronologia usada não era visando trilhar a discografia da banda, mas ao menos poderiam ter citado os registros do Tyr e Cross Purpose uma vez que fizeram inserções da cronologia originalmente publicada em dezembro de 2015 como a passagem da banda em São Paulo no Monsters of Rock, quando Bill Ward assumia as baquetas e Martin era o vocal. A Roadie Crew poderia ter aproveitado a oportunidade de ter utilizado essa reportagem da Metal Hammer e ter corrigido esse erro.

Para terminar, como consumidor, obviamente, isso não me agradou, afinal, o grande teaser da edição de janeiro de 2016 da Roadie Crew era o Sabbath e ela já havia sido publicada, logo, o ineditismo não estava ali… mas seguimos em frente.

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Categories: Black Sabbath, Curiosidades, Entrevistas, Tá de Sacanagem!

14 replies

  1. Rolf, antes de comentar por aqui a minha opinião, mandei / referenciei o link via Twitter e Facebook para as duas revistas – vamos ver se recebemos algum comentário por parte deles por aqui, acho que seria bem legal ter um “posicionamento oficial”:

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  2. Bem, eu já estava me preparando pra comentar acerca do assunto, muito bem levantado pelo Rolf, mas como há a possibilidade de um pronunciamento oficial é de bom tom me reservar ao direito de dar a chance de resposta por parte de alguma das duas revistas.
    O post , no entanto, além de levantar a questão do replicar do conteúdo por parte da roadie crew, também levanta a questão Tony Martin no Sabbath.
    Disso eu já posso e devo comentar, e infelizmente pra lamentar , mas ao mesmo tempo me resignar a achar tal descaso normal.
    A mídia não dá a mínima pra fase dele na banda, uma pena mesmo. Acho que o Cross Purposes é um grande álbum, e gosto dos demais, mas há uma questão dos outros álbuns terem faixas fora do estilo mais conhecido do Sabbath. E faixas mais Hard Rock, mais leves. Veja bem, eu gosto dos sons, mas entendo algum torcer de nariz de fãs mais radicais, mídia dita especializada ou curiosos com pouco conhecimento do assunto.
    Pra exemplificar, temos faixas como Glory Ride, mais Hard Rock ,com teclados, etc.. dividindo o espaço com Eternal Idol , a faixa, ambas no mesmo álbum. Veja bem, Rolf, eu gosto das duas faixas, mas Eternal Idol, a canção, tem a cara Black Sabbath. Ja Glory ride é um boa canção, mas um pouco distante do uma universo principal do Sabbath.
    Exemplos como esse são vistos em todos os álbuns da ótima fase do Sabbath com Martin
    E se pensarmos bem, também no Seventh Star e algumas músicas da fase Ozzy , mas aí a imagem conta mais e o que representa o Ozzy na marca Black Sabbath normalmente se sobrepõe a um estrito conteúdo músical. Ozzy é tido como Deus ( ou diabo) no Sabbath, haja audácia pra criticar sua fase na banda.Mesmo se colocarmos na mesa canções como Breakout ou Swinging the Chain. Seriam poucos além se você e eu pra desancar tal conteúdo. .
    Bem, parabéns pelo post e vamos aguardar se os veículos se pronunciam.
    Daí eu volto.

    Alexandre

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  3. Olá!

    Como diria aquele famoso personagem do terror: vamos por partes.

    Primeiro: muito bom que Rolf tenha postado numa terça-feira dessas (inside joke). Bacana. Gostamos de vê-lo assim também.

    Segundo: não é fato raro a ocorrência de um jornalista ter sua coluna autorizada em vários meios de comunicação. Normalmente isso acontece pela parceria editorial das publicações. Em um tempo não muito distante, por exemplo, a coluna do jornalista esportivo Paulo Vinicius Coelho que saía no Lance (de SP) repercutia (e era publicada) na íntegra em jornais como Zero Hora (RS), A Gazeta (ES) e outros diários. Acredito que isso aconteça entre as revistas citadas.

    Terceiro: mesmo na imprensa especializada há preconceitos factuais e também ignomínias peculiares com determinados personagens da história. O curioso é que muitos historiadores recorrem (ou recorriam) à imprensa escrita para que assim possam fazer um recorte do tempo. O problema disso é que eles (imprensa) acabam reforçando “as meias verdades” que acabam surgindo entre os que fazem parte da cena, como os fãs do BS. Essa tendência começa nos fóruns, nos blogs, onde ele (fã) consegue se manifestar e acaba “passando” para a mídia, que escalona a “desimportância” e falta de relevância de um cara que gravou mais discos que o Dio na história do BS, mesmo que o “baixinho” (merecidamente) seja reverenciado, não só por seu trabalho no Sabbath, mas pelos serviços prestados ao metal.

    Por outro lado, sem querer justificar o injustificável, a imprensa metal, de uma maneira geral, não considera (de maneira equivocada)os trabalhos bons de várias outras bandas dentro de um determinado período do tempo. Black Sabbath, Kiss, Whitesnake (pra citar alguns) passavam por um período de descaracterização do próprio som e assumindo influências como o grunge. Sem contar, que Iommi, disse para quem quisesse ouvir, que não gostava dos álbuns que fizera com Martin, o que acaba contaminando quem cobria estes álbuns, das quais sou particularmente fã.

    É isso.

    Daniel

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  4. Essa prática é normal. O cara faz a matéria, escreve o artigo, e tem os direitos sobre ele. É um trabalho autoral, e ele vende os direitos para as publicações, libera para mercados específicos. No caso do mercado inglês, para a Metal Hammer. No Brasil, para a Roadie Crew. É só ver as matérias com jornalistas estrangeiros que a Roadie Crew publica: elas saem em outras publicações lá fora também. O próprio Thiago Sarkis, que durante muito tempo foi o principal redator da revista, tem textos seus publicados em dezenas de publicações de dezenas de países, textos que saíram aqui na Roadie Crew – primeiro ou não.

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  5. Aqui tem um exemplo: a matéria com a Jane Schuldiner, mãe do Chuck, rodou o mundo.

    Esse é apenas um dos veículos que publicou a entrevista:
    http://www.emptywords.org/RockaxisInterviewJane.htm

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  6. Rolf, pessoal, aqui a resposta da Metal Hammer através do Twitter oficial deles:

    E a resposta / agradecimentos dados de volta (faltaria a posição oficial da Roadie Crew, apesar de já haver um entendimento do caso como uma prática comum):

    Apesar de entender ser uma resposta genérica e “polite”, ao mesmo tempo entendo que, em resumo, hoje em dia, eles têm recursos para tradução deste post e que se o leram e realmente entenderam, no final das contas não há problemas com a prática.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  7. Só um detalhe: eu não tenho nada a ver com a Roadie Crew. Apesar de já ter colaborado com a revista há alguns anos atrás, saí fora por não concordar com a linha editorial e algumas práticas que eles continuam fazendo. Mas, nesse caso, realmente os caras não tem culpa de nada.

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  8. Tamo aí! Já tô seguindo,

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  9. Apenas pra fechar a questão, apesar de por aqui ter aprendido que tal prática é até comum nas revistas , e aqui agradeço ao Daniel e também ao Ricardo Seeling, ainda assim,pensando estritamente como consumidor, e com a plena globalização imperando no planeta, não ficaria satisfeito de comprar uma revista para ler o mesmo artigo publicado em outra, algum tempo antes.
    Não haveria uma forma mais digna de publicar artigos já registrados em outros veículos ? Principalmente quando se trata da reportagem de capa ?
    Continuo meu apreço pelo fato de roadie crew estar aí , sobrevivendo e publicando assuntos relativos ao nosso gênero, afinal são poucos os veículos oficiais que o fazem, mas entendo que como eventual consumidor não ficaria satisfeito.
    Em relação ao conteúdo e a lacuna deixada a nível informativo referente a fase Martin no Sabbath já teci comentários acima.

    Certamente hoje teria uma visão mais cuidadosa ao comprar alguma revista para checar se parte daquele conteúdo não foi lido ou visto antes.

    De qualquer forma, vale o aprendizado.
    E que a Roadie Crew continue sua jornada , que por si só já é algo digno de menção

    Alexandre

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  10. Bom, este tema acabou sendo bastante discutido no nosso último podcast (https://minutohm.com/2016/02/14/23o-podcast-minuto-hm-12fevereiro2016/), e foi muito importante contar com a opinião de profissionais e dos canais oficiais por aqui e pelo Twitter. Fica faltando, infelizmente e até pelo menos este momento, uma posição oficial da própria revista brasileira.

    A questão do “uso” da matéria em diferentes veículos, falando do ponto de vista profissional, é uma prática cada vez mais comum hoje em dia. Se antigamente todo o acesso já era complicado, inclusive entre os próprios meios, hoje está todo mundo acessível em segundos. Assim, as próprias negociações entre os autores e os meios são não apenas viáveis, mas modelos de negócio: um autor escreve um texto e existe uma “venda”, ou um “contrato”, por trás disso. Creio que existam situações onde a exclusividade também é negociada e, claro, a um preço que tende a ser maior.

    Quando pensamos em web 2.0, tudo isso é parte da brincadeira, ou seja, uma pessoa ou um grupo escrevem, publicam em algum lugar e isso acaba sendo “viral”, dependendo do interesse dos outros canais. Alguns citam o autor, outros citam o canal, outros citam ambos, e alguns não citam nada, essa última configuração sendo inaceitável e passível de punições em qualquer meio. Da mesma forma que existem as revistas ainda, elas mesmos possuem em seus canais digitais reportagens, cada uma tendo um modelo de negócio para acesso ao conteúdo.

    Para mim, é aí que entra a questão, e não há como não trazer a conversa para o âmbito do consumidor. Como hoje em dia não há mais dificuldades em se obter conteúdos pelo mundo (ou na grande parte dele, pelo menos), é óbvio que se eu pago por certo conteúdo, eu quero um retorno com sobre isso, ou seja, quero ler algo novo, inédito. Se eu assino ambos canais, me sinto lesado. E pelo que entendi, o canal “Metal Hammer” não é citado na revista brasileira. Por mais que isso seja prática e seja legalmente válido, como consumidor do “produto final”, além de não me agradar, isso me incomoda. Se o conteúdo fosse “grátis”, ok, mas não é, certo? Enfim, a revista poria também um disclaimer do tipo “baseado na matéria de dezembro da Metal Hammer…”? É claro que não.

    Agora, pior que tudo isso é ver que perde-se a ENORME oportunidade de diferenciação de conteúdo. De maneira amadora aqui no blog, sempre que usamos uma fonte externa, além de a mencionarmos, sempre procuramos trazer o complemento, a correção, o detalhe, o “sublinhado”… e simplesmente perder a oportunidade de ouro de agregar a fase Tony Martin que é inexplicavelmente não abordada por veículos especializados / de nicho chega a ser inaceitável. Se pelo menos isso fosse “coberto”, creio que pelo menos metade da sensação de que não estou lendo conteúdo inédito iria embora, e mais, eu estaria lendo algo mais completo. Agora, o contra-ponto disso é que se a reportagem é “comercializada” como um “pacote fechado”, uma “caixa-preta”, ok. Mas como há as tais “tropicalizações” mencionadas, entendo que um apêndice seria o mínimo.

    Ótimo post para refletirmos sobre o tema e aproveitar para não só agradecer ao Rolf, mas a todos que estão participando sobre a discussão e enriquecendo-a.

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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