Consultoria do Rock – “Melhores de Todos os Tempos: 2004″, com participação do Minuto HM

Pessoal,

avançando mais um ano com nossa participação mais que especial com a turma do Consultoria do Rock e a série “Melhores de Todos os Tempos“, chegamos ao ano de 2004 e, seguindo a participação alternada dos gêmeos, agora é o Flavio Remote que retorna!

Sente, relaxe e aproveite a aula dos consultores…

[ ] ‘ s,

Eduardo.

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Brian-Wilson-02

Por Diogo Bizotto

Com Alissön Caetano Neves, André Kaminski, Bernardo Brum, Christiano Almeida, Davi Pascale, Eudes Baima, Fernando Bueno, Flavio PontesJoão Renato Alves, Leonardo Castro, Mairon Machado e Ulisses Macedo

A edição pode ser dedicada a 2004, mas nosso primeiro colocado nos leva a uma viagem rumo aos anos 1960, época a partir da qual nossa série nasceu. Inclusive, outro grande trabalho de Brian Wilson, responsável por Smile, foi nossa primeira colocada na edição dedicada a 1966. Falo, obviamente, da obra-prima dos Beach Boys, Pet Sounds. Dito isso, fiquem com o resultado para 2004, que viaja da costa ensolarada da Califórnia até Israel, fazendo escalas no Brasil, no Norte da Europa e em outros lugares. Lembrando sempre que o critério para a soma de pontos segue o sistema de pontuação do campeonato mundial de Fórmula 1. Boa leitura!


 

01-Smile

Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile (72 pontos)

Alissön: Eu não nego: sou um completo leigo em Beach Boys e no baroque pop como um todo, fora algumas produções recentes, que no geral não me agradam. O registro é ensolarado, alegre e esbanja pop por toda a sua plenitude, requisitando até que o ouvinte esteja na sintonia certa para não se aborrecer com a pegada de suas faixas. A produção também é louvável. Um wall of sound magnífico no qual o ouvinte imerge completamente. Continuo não gostando tanto do gênero pop barroco, mas dos poucos discos que me agradaram, este já está incluído no meio.

André: É um disco curioso. Ao escutar essas mudanças repentinas de andamento, esses vocais e esse instrumental, me lembrei muito da fase psicodélica dos Mutantes. A diferença é ter uma pegada mais Beach Boys. E os motivos disso são óbvios. Há um acento pop, porém há também o uso intensivo de instrumentos orquestrados. As faixas parecem todas emendadas, mas isso não prejudica a audição. É um disco que jamais seria tocado em uma rádio FM de qualquer esquina por aí, mas é o típico trabalho que uma Rolling Stone da vida colocaria no altar. “Surf’s Up” é a música da qual mais gostei.

Bernardo: Smile foi em sua gênese um álbum trágico – um misto de abuso químico, saúde mental comprometida e perfeccionismo levou o sucessor de Pet Sounds (1966) ao colapso. Décadas mais tarde, fora dos Beach Boys, Brian Wilson descongelou seu disco suspenso no tempo e fez as pazes com seus demônios, finalizando Smile, que mostrou como suas ideias continuavam atuais, em um álbum tão melódico e emocionante quanto ousado em suas ideias de construir música pop. Lançado na época, diriam que os Beach Boys venceram os Beatles.

Christiano: O lançamento de Smile é rodeado por várias histórias que contribuíram muito para que ele atingisse um status meio mítico. Isso talvez tenha influenciado sua colocação no topo da lista desse ano. Musicalmente, é bastante interessante. Um disco agradável, como boa parte do que já foi feito por Brian Wilson e os Beach Boys. No entanto, é um registro tardio de um tempo muito longínquo, e talvez isso tenha contribuído para uma certa perda do frescor que tinha em seus tempos de concepção.  Não quero menosprezar a beleza contida no álbum. Músicas como “Wonderful”, “Child Is Father of the Man” e “Heroes and Villains” são belos exemplos do grande talento do Sr. Wilson. Só não acho que este seja um dos melhores trabalhos de sua carreira, nem desse ano.

Davi: Depois de anos engavetado, Brian Wilson resolveu reviver o material de Smile, disco que estava criando ao lado dos Beach Boys, em 1967, como uma resposta a Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band (1967, The Beatles). Se levarmos isso em consideração, o projeto falhou miseravelmente. Se ouvirmos com a ideia de reviver um pouco da inocência perdida na música e saborear melodias divertidas e cativantes, então temos um vencedor. Gravado em 2004, 37 anos depois do início do projeto, o disco traz de volta o espírito da época resgatando as harmonias vocais, as orquestrações meio Disney (“On a Holiday”), a alegria contagiante nas canções da época. Entretanto, minhas faixas preferidas continuam sendo as clássicas “Heroes and Villains” e “Good Vibrations”.

Diogo: Quando me dei conta de que este disco havia sido lançado em 2004, elenquei um possível primeiro colocado, e acertei. Não que isso seja grande mérito meu, pois na verdade eu não estava enxergando nenhum álbum que julgasse como possível alvo de vários votos, em função do caráter mais disperso que está série tomou desde meados dos anos 1990. Ouvir Smile é viajar a um tempo muito diferente daquele em que esta obra foi lançada, pois não apenas suas composições, mas sua sonoridade também remete à década de 1960. Inclusive, penso que seu sucesso comercial se deve mais a uma aura de culto e toda a expectativa ao seu redor do que a uma recepção comercial tradicional. Ou vai dizer que você imaginava “Good Vibrations” ou “Surf’s Up” tocando no rádio em pleno 2004? A forma do álbum, que se apresenta mais como uma sucessão de faixas interligadas, como uma sinfonia pop, do que como canções independentes, é mais um elemento a causar estranhamento em uma época em que o álbum já começava a perder sua força em detrimento de singles adquiridos digitalmente. Independentemente das condições especiais, lançar um álbum como este em 2004 e fazer sucesso significou um ato de resistência, um ato que felizmente fez valer a pena, pois trata-se uma obra maiúscula.

Eudes: Pela segunda vez votei no vencedor do primeiro lugar (a outra foi com Physical Grafitti, de 1975, do Led Zeppelin). E tô feliz que só pinto em lixo, mesmo que o resto da lista me diga muito pouca coisa. Mas vamos ao disco. Quando o esperado álbum saiu, os raros “beachboysmaníacos” que conheço me disseram que ficaram meio decepcionados.  Ouvi e, de fato, o álbum não me entusiasmou, principalmente porque já conhecia metade dos temas, lançados aleatoriamente nos melhores discos dos Beach Boys. Assim, aceitei a opinião dos colegas de paixão musical. Depois, contudo, ouvindo Smile sem pressa, sendo suavemente arrebatado pelo espírito road movie da obra, não pude mais concordar com meus companheiros. Abandonei-me a cada metro da viagem wilsoniana, me embeveci por cada paisagem desenhada, me espantei com cada imagem observada da janela do disco-trem em que embarquei. Se, em Pet Sounds, Brian submete seu espetacular punhado de canções às orquestrações alheias ao rock, com resultados próximos do sublime, em Smile, ele abandona o formato canção e se joga numa longa suíte multifacetada, na qual os temas são ligados por pequenas vinhetas ou se articulam diretamente uns com os outros. O termo “faixa” definitivamente não se aplica a Smile. Talvez por isso a beleza cristalina do disco não seja imediatamente percebida. A genialidade da obra não está plasmada nas canções tomadas de per si, como em Pet Sounds, em que você pode se apaixonar pelo disco apenas ouvindo “Caroline, No”. Smile exige ser ouvido inteiro e várias vezes para que a gente possa se aproximar dele e, pouco a pouco, entendê-lo. Tentem e conheçam o paraíso na Terra!

Fernando: Não sei muito o que pensar deste disco. Em teoria ele é o resultado do que Brian tentou fazer logo após Pet Sounds, mas estou certo que 30 anos de diferença entre o início das composições e o lançamento o fez mudar muita coisa e, por que não, experimentar ainda mais. Então tenho dúvidas sobre o resultado final. Porém, tudo o que disse só vale para o motivo que o fez demorar tanto para lança-lo, já que o álbum é uma bela coleção de músicas. E isso é o que importa, não é?

Flavio: Smile é a ressurreição de um projeto do Beach Boys que foi engavetado em 1966/67, devido a vários entraves, inclusive técnicos, para a sua gravação. Brian Wilson resolveu completar o projeto em 2004, junto com o letrista original. O resgate à época é impressionante, fica clara a continuidade de Smile a Pet Sounds com as composições, principalmente na parte vocal (harmonias impressionantes). Tecnicamente,Smile é genial e há músicas marcantes como “Heroes and Villains”, que monta a base inicial do disco (a melodia se repete em vários outros momentos na bolacha toda) ou a jogada lírica da dupla “I’m in a Great Shape” até “Vega-Tables”, sensacional. Outro ponto interessante a ressaltar é a originalidade de Smile (ou mesmo Pet Sounds); o toque/estilo de Brian Wilson é único e não encontra equivalência ou similaridade no mundo musical. O senão (para mim), e encontro o mesmo ponto em Pet Sounds, é que sinto falta de fluência, de elementos mais vibrantes rítmicos. O disco acaba soando um pouco lento e não me ganha totalmente, apesar de, como dito, ser genial. No fim de Smile ainda há a fantástica “Good Vibrations”, que havia saído como single em 1966 (inicialmente prevista para estar no projeto original). Enfim, o álbum é grande presença e é merecida a posição de líder.

João Renato: O resgate da obra de 1966 mostra que é possível ser maluco e Pop ao mesmo tempo – não necessariamente nessa ordem. Melodias assobiáveis unidas a fórmulas nem sempre convencionais. E os vocais do Ozzy ficaram bem bons (risos).

Leonardo: Apesar da inegável genialidade, a música dos Beach Boys, e de seu líder Brian Wilson, nunca me cativou. E este Smile não mudou esse fato. É bem feito, marcante, as melodias são inesquecíveis… Mas não me cativa.

Mairon: O disco que era para ser o melhor de todos os tempos demorou mais de 30 anos para ser lançado, e o resultado final mostra uma obra-prima atemporal. É difícil destacar uma única canção, já que Wilson condensou a obra de Pet Sounds em um álbum singular, em que as músicas soam harmoniosas e com o clima sessentista no ar. Revelam que, por mais que a música tenha evoluído nos últimos 40 anos em termos de tecnologia, a sabedoria dos que faziam música nos anos 1960 nunca vai ser superada. “Heroes and Villains”, “Good Vibrations”, “Roll Plymouth Rock”, “Cabin Essence”, “Wonderful”, “Vega-tables”, “Wind Chimes” e a sensacional “Surf’s Up” são algumas das principais, e todas faixas belíssimas, nas quais os arranjos vocais, as melodias escolhidas a dedo, a participação de cordas e metais, fazem dessas canções certamente merecedoras de estarem presentes tranquilamente no aclamado disco de 1966, um dos melhores da história, e se elas têm essa capacidade, então certamente o disco que as contém só pode ser um grande álbum. Maravilhoso ver este álbum em primeiro lugar diante de tanta coisa fétida que apareceu por aqui. Alguns consultores têm bom gosto.

Ulisses: Ah, o tal disco perdido dos Beach Boys. Já conhecia a lenda e ouço o resultado final pela primeira vez agora. Um pop bem orquestrado, cartunesco e aventureiro que impressiona pelo escopo do projeto e pelos arranjos. Não é bem a minha praia, mas respeito e entendo a reverência por ele.


 

02-Temple-of-Shadows

Angra – Temple of Shadows (66 pontos)

Alissön: Apesar de o Edu Falaschi ser um mala ressentido, foi de sua mente que saiu o disco mais interessante registrado pelo Angra. É um registro grandioso e tematicamente bem costurado, como pede o estilo. A técnica instrumental mostra-se à serviço da música, e não o contrário. Isso possibilita canções muito mais apreciáveis e fazem com que o ouvinte se sinta mais em sintonia com a mensagem que está sendo transmitida. Para o gênero, é um disco extremamente competente e talvez seja um dos clássicos, inclusive.

André: Meu favorito deles. Também um de meus favoritos de todo o power metal. Melodias bonitas, instrumental instigante e composições excelentes. Considero este, até hoje, o melhor trabalho vocal de Falaschi. Tem Kai Hansen, Milton Nascimento e mais alguns outros entre os convidados. Todos adicionando seu toque único. As enérgicas “Spread Your Fire” e “Temple of Hate”, além das lindas “Wishing Well” e “Late Redemption” estão entre as minhas canções favoritas de toda a discografia deles.

Bernardo: Na época do lançamento curti “Spread Your Fire”, mas foi só. Mala como tudo que o Angra faz, e é assustador como essa banda tão mais ou menos consegue colecionar mais citações nessas listas do que muitos medalhões do rock.

Christiano: Edu Falaschi é um grande símbolo daquele tipo de músico tecnicamente competente, mas que não possui lá grandes dotes artísticos. Aquiles Priester vai pelo mesmo caminho, com o agravante de confundir velocidade com musicalidade. A produção de Dennis Ward conseguiu criar uma massa sonora com uma sujeira premeditada. Sobre as composições? Mais do mesmo: velocidade; bumbos duplos pra tudo que é lado e um vocalista extremamente irritante e estereotipado.

Davi: Último álbum do Angra a realmente me causar impacto. O trabalho de bateria de Aquiles Priester é de cair de joelhos. Tudo bem, todos aqui são grandes músicos, mas nesse disco estavam inspiradíssimos. O cara trouxe uma pegada meio Dream Theater para o power metal praticado pelo grupo e casou incrivelmente bem. “Angels and Demons” e “Wishing Well” já são clássicas. Outros momentos de destaque ficam por conta de “Spread Your Fire”, “The Temple of Hate”, “Winds of Destination” e “Morning Glory”.

Diogo: O Angra jogou seguro em Rebirth (2001), criando uma espécie de compilação de bons momentos passados e reciclando-os. Comercialmente deu muito certo, mas musicalmente ficou muito aquém do que eu, como apreciador de seus primeiros discos, esperava. Em Temple of Shadows, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt mostraram estar bem mais seguros e fincaram o pé no acelerador, criando composições bem mais ambiciosas e descendo a mão em seus instrumentos; não à toa, este disco é o provável ápice técnico da banda. Para muita gente, isso resultou no melhor álbum da banda, posição que até entendo. Para mim, o momento em que perdi de vez o interesse em acompanhar a carreira do grupo. “Spread Your Fire” é uma das melhores encarnações de Helloween levadas a cabo pelo quinteto, “Angels and Demons” banca um Dream Theater melhor que o próprio e mostra o ápice técnico que citei, mas depois disso o tracklist vai empalidecendo. O timbre asséptico da bateria de Aquiles Priester também não ajuda nada, e Edu Falaschi tentando se adaptar ao estilo do grupo, cantando mais agudo, também não funciona pra mim. Nem culpo o cara, que deve ter feito das tripas coração pra tentar se moldar ao material criado por seus colegas e para cantar canções antigas ao vivo, mas é isso. Espero não ver Aurora Consurgens (2006) nem Aqua (2010) por aqui.

Eudes: O Angra já frequenta mais esta lista do que boa parte dos grandes mitos do rock mundial. Tudo bem que Temple se deixa ouvir sem muito sofrimento, mas, de boa, vocês estão passando da conta, não tão, não?

Fernando: Confesso que a primeira vez que ouvir Temple of Shadows eu não gostei. Depois de um tempo fui entendendo o disco e hoje é um dos meus preferidos, ao lado dos dois primeiros. Mas sou daqueles que ainda prefere os dois primeiros, com Andre Matos.

Flavio: Já disse anteriormente que os filhos e netos do Helloween não me chamam muito a atenção. É mais do mesmo, com algumas variações, que não modificam muito o resultado final. No Angra é o tal power metal, symphonic metal, é por aí.  Excelentes músicos, riffs rápidos, solos aceleradíssimos, as “misturas com brasilidades”, presentes pelo menos desde Holy Land, de 1996 (aqui tem até Milton Nascimento), entradas orquestrais aqui e ali e um vocal alinhado no estilo.  Nada de mais e nada de menos.  Parei na novidade Angra em 1993, com o bom Angels Cry, e só.

João Renato: O disco mais bem elaborado da segunda fase do Angra. Temática envolvente, participações marcantes e bom uso dos clichês tradicionais. Um pouco exagerado para o meu gosto pessoal, tanto que raramente consigo escutar do início ao fim em uma pegada só. Mas é de alta qualidade.

Leonardo: Disco que consolidou a segunda formação do Angra, Temple of Shadows é um dos melhores álbuns da discografia da banda. Unindo influências do rock progressivo a riffs de metal clássico, o grupo compôs um conjunto de canções fortes, com melodias marcantes, um trabalho de guitarras inspirado e uma ótima performance do vocalista Edu Falaschi.

Mairon: Depois que Andre Matos saiu, é brabo aturar essa banda, hein? Disco chato bagarái, não consegui tirar nada de proveito do mesmo, com exceção do trecho inicial ao violão flamenco de “The Shadow Hunter” e da instrumental – apenas com orquestra – “Gate XIII”, que só por não ter o vocal do Edu Faláscia e todas as mil velocidades por segundo nas quais os músicos tocam, já alegra muito. Até Milton Nascimento conseguiu se arruinar um pouco em “Late Redemption”. Uma hora perdida da minha vida para ouvir isso… Viva as listas de melhores…

Ulisses: Podem chiar e espernear à vontade: a lista não estaria completa sem esta obra-prima nacional. O quinteto atingiu níveis estratosféricos de técnica e composição para contar a jornada esotérica do Cavaleiro das Sombras, mandando ver tanto nas faixas velozes e arquetípicas do estilo quanto naquelas mais desafiadoras, com várias mudanças de andamentos e influências diversas – caso de “The Shadow Hunter” e “Late Redemption”, esta com a inesperada participação de Milton Nascimento. Não só o Milton, aliás, dá as caras no CD, como também neguinho do quilate de Hansi Kürsch, Kai Hansen e Sabine Edelsbacher, elevando o nível de canções que já nasceriam clássicas. Porém, o maior destaque vocal continua sendo o próprio Edu Falaschi, com várias linhas vocais memoráveis.


 

03-Tempo-of-the-Damned

Exodus – Tempo of the Damned (55 pontos)

Alissön: Já cheguei a achar este disco incrível. Passado o tempo, o álbum (e o thrash metal como um todo) foi caindo no meu conceito até o patamar atual, em que o acho um disco “qualquer coisa”. Uma cota de bandas na virada dos anos 1990 para os 2000 precisaram rebolar para mostrar algo relevante, e muitas delas recorreram ao bom e velho artifício de “groovear” o som e deixar os andamentos mais lentos (legado deixado por Exhorder, Coroner e Pantera). De primeira, isso soa até bem empolgante. Mas com o tempo, foi enjoando até chegar em um ponto em que simplesmente não consegui suportar mais essa dinâmica. Viriam a fazer algo com mais propriedade com Rob Dukes, mas ainda assim o saldo não passa do “agradável, mas nada demais”.

André: Mais um daqueles casos em que até não muito tempo era um disco que eu adorava, hoje essa empolgação diminuiu. Mas isso não quer dizer que não o considere um bom disco de thrash. Muitas canções midtempo, o que oferece possivelmente uma melhor apreciação da técnica dos integrantes, principalmente do guitarista Gary Holt e do baterista Tom Hunting, mas talvez isso faça com que o disco acabe não envelhecendo muito bem à medida que os anos passam. Ainda assim, não há como negar que o disco possui riffs ganchudos como “Blacklist” e “Impaler”, além de “Tempo of the Damned” que lembra os velhos medalhões norte-americanos oitentistas (incluindo o próprio Exodus). Vamos ver como será uma audição futura ou se sou apenas eu escrevendo em um dia em que não estou lá muito para o thrash.

Bernardo: Um registro sólido e direto, ainda que cansativo. A versão para “Dirty Deeds Done Dirty Cheap”, incluída como bônus, ficou animal.

Christiano: Ainda não havia dado a devida atenção a este disco do Exodus. Gostei. É um belo álbum de thrash metal, com boas composições e uma produção limpa, que contribuiu muito para a qualidade do trabalho. Gary Holt continua afiado, criando ótimos riffs em todo o disco. Um outro fator positivo é o trabalho do baterista Tom Hunting, extremamente técnico, mas que se encaixou perfeitamente nas músicas, casando muito bem com as guitarras de Gary Holt e Rick Hunolt. Grata surpresa.

Davi: Em relação ao Exodus, eu meio que fujo à regra. Nunca fui fã do histórico Bonded By Blood (1985) e nunca gostei do vocal de Paul Baloff. Sempre preferi o que fizeram depois. Contando com Steve Zetro Souza de volta ao line-up, Tempo of the Damnedpassa longe de modernidades e inovações. O que temos aqui é um álbum típico de thrash metal. Distorção no talo, riffs marcantes. Com algumas composições velozes, como “War Is My Sheppard”, outras mais cadenciadas, como “Sealed With a Fist”, o disco resgata a sonoridade dos anos 1980 em um álbum inspiradíssimo. Os caras fizeram valer a espera de 12 anos (este é o primeiro álbum de inéditas desde Force of Habit, de 1992). Bela lembrança.

Diogo: Não ouvi logo que saiu, mas deve ter sido um bálsamo escutar Tempo of the Damned em 2004, mesmo que, na época, algumas bandas de thrash metal oitentistas já tivessem lançado bons discos após períodos meio perdidos. Ser confrontado logo de cara com uma trinca tão poderosa como “Scar Spangled Banner”, “War Is My Shepherd” e “Blacklist”, recheadas com os ótimos riffs de Gary Holt, um dos guitarristas mais prolíficos do gênero, e as conduções precisas de Tom Hunting, um eterno injustiçado das baquetas, é garantia de sorriso no rosto e muita cabeça balançando. Citei as três primeiras, mas todas as faixas são dignas de nota, mostrando uma banda azeitada e colocando em prática bons arranjos em cima de riffs e mais riffs de categoria. A relação mais óbvia que se pode fazer é com Fabulous Disaster (1989), até então o melhor disco gravado com Steve Souza, mas Tempo of the Damned tem personalidade própria, alternando doses maiores de extremismo com canções mais melódicas, como a excelente “Sealed With a Fist”, talvez a mais próxima de Force of Habit (1992). Sobre Souza, vale afirmar que sua performance melhorou com o tempo, inclusive soando um pouco como o Chuck Schuldiner de The Sound of Perseverance (Death, 1999) quando resolve apelar para um gutural rasgado. Cito ainda como destaques “Forward March” e “Impaler”, uma viagem ao tempo em que Kirk Hammett (Metallica) fazia parte do grupo.

Eudes: Daqueles discos em que o melhor é a capa.

Fernando: O thrash sofreu nos anos 1990 e teve um renascimento nos primeiros anos do novo milênio. Tempo of the Damned é um dos clássicos e ícones desse renascimento. A sonoridade desse disco se tornou um padrão para bandas mais novas e também para as já consagradas.

Flavio: Bom, aqui um disco que considerei para entrada em minha lista. O retorno do Exodus após 12 anos sem lançamento inédito traz um trabalho bem coeso, tipico representante de thrash metal com pitadas de heavy metal. Desde o início a porrada come solta, com ótima execução da banda, calcado no ótimo timbre thrash das guitarras de Gary Holt e Rick Hunolt.  Vou dizer que não sou fã do estilo vocal de Steve Zetro Souza, mas ele está bem enquadrado no estilo e fica no limite do aceitável (assim como outros vocalistas do gênero), com um certo exagero nas partes mais altas e muito gritadas. Recomendado para os que gostam de thrash/heavy metal. No final, um ótimo cover de “Dirty Deeds Done Dirt Cheap” (AC/DC) não deixa pedra sobre pedra. Boa pedida para esta lista.

João Renato: O melhor disco de uma banda thrash norte-americana oitentista no século atual. Rifferama violenta, performance insana de todos os envolvidos. Nenhum ponto fraco e fica melhor a cada nova escutada. Nem o próprio Exodus conseguiu igualar posteriormente, embora tenha oferecido outros álbuns muito bons.

Leonardo: Retorno triunfal de uma das melhores bandas de thrash metal de todos os tempos. Após o lançamento do excepcional disco ao vivo Another Lesson in Violence(1997) e do falecimento do vocalista fundador da banda, Paul Balloff, o grupo recrutou mais uma vez Steve Zetro Souza, que já havia substituído Balloff nos anos 1980, e lançou um disco pesado, agressivo e repleto de composições marcantes. Escute os riffs de “War Is My Shepherd” e “Scar Spangled Banner”, ou o andamento cadenciado de “Blacklist” e “Sealed With a Fist” e tente ficar parado! Gary Holt provou mais uma ver ser o mestre dos riff thrash, e a performance do restante da banda também é digna de nota. Um dos melhores, senão o melhor disco de thrash metal deste milênio.

Mairon: Doze anos depois de sair do mercado mundial, o Exodus voltou com Tempo of the Damned, tendo como vocalista Steve Souza, o homem que substitui Baloff, e fez um disco de metal do estilo que eu curto. Destaque para o peso de “Blacklist” e “Throwing Down”, essa última lembrando-me um pouco o Anthrax, e da cuspideira ensandecida de “Impaler”. Mas o que mais me atrai nessa nova fase do Exodus é a qualidade do trabalho nas canções longas, como as linhas de “Culling the Herd” e “Scar Spangled Banner” são poderosas, e nos fazem virar um headbanger com naturalidade, e “Forward March” sendo a melhor das obras aqui apresentadas, principalmente pelo excelente trabalho de guitarras de Gary Holt e Rick Hunolt. Ah, e curti o cover para “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, que aparece como bônus na versão digipack. Souza saiu no ano seguinte, e então veio o melhor álbum da carreira do Exodus, mas vou esperar a próxima edição para, quem sabe, poder comentar sobre isso. Merecida a entrada aqui.

Ulisses: Thrash com uma pegada boa, mas que não funciona bem o tempo todo. A trinca inicial do disco (“Scar Spangled Banner”, “War Is My Shepherd” e “Blacklist”) é fantástica; depois disso, vai ficando menos criativo, com uns bons momentos somente aqui e outro acolá. A dose de groove do registro é uma espada de dois gumes: deixa o som empolgante quando bem utilizada, mas por outro lado há vários momentos em que serve apenas para deixar a música rolando sem fazer muito esforço, se estendendo um pouco naquele ritmo repetitivo.


 

04-Get-Up

Richie Kotzen – Get Up (55 pontos)

Alissön: Hard rock para mim é complicado. Gosto dos clássicos e de uma coisa ou outra que foi feita atualmente, mas não é uma coisa para a qual rasgo elogios. A carreira de Kotzen é interessante para fãs do estilo. Para quem não dá a mínima pro estilo (como eu), seus discos soarão apenas agradáveis, mais nada além disso.

André: O senhor Bizotto está novamente influenciando o meu gosto pessoal. Já me lascou com o Eagles, agora com o Kotzen. Outro discaço desse senhor. Mais daquele hard rock (um pouco menos blueseiro dessa vez) do guitarrista que, pelo que noto, não consegue demonstrar o talento que tem nas bandas que tocou quanto na carreira solo. Delicie-se com rocks divertidos como “Such a Shame” e “Never Be the Same”.

Bernardo: Juro que prefiro os discos que entraram aqui e foram bombados por “não ser rock” do que bater palma para essa mesmice. Ouço os discos (até onde posso) e não entendo essa aura de culto.

Christiano: O cara é um ótimo guitarrista, tem uma voz excelente e é um grande compositor. Get Up só confirma o imenso talento de Richie Kotzen. O disco é bom de ponta a ponta, trazendo um hard rock visceral, com fortes raízes no blues e nos grandes expoentes do estilo na década de 1970. Um dos melhores disco do ano, e também desta lista.

Davi: Depois do baladeiro (e bom) Change (2003), Richie Kotzen voltou mais pesado em seu álbum de 2004. As influências de blues e funk continuavam misturadas no seu hard rock eficiente. Trabalho de guitarra e voz é excelente (eu, particularmente, o considero um dos grandes guitarristas dessa geração. Quem já o assistiu ao vivo vai me entender). O trabalho de bateria e baixo são mais simples do que o de costume. Porém, as faixas são inspiradíssimas. “Losin’ My Mind”, “Fantasy”, “Remember”, “So Cold”, “Such a Shame” e “Still” são absolutamente marcantes.

Diogo: É uma pena que o melhor disco de Richie (Change) não tenha dado as caras na edição passada da série, mas Get Up também é muito digno de aparecer por aqui. Ao contrário do anterior, mais calcado no pop rock, Get Up capricha mais na distorção e em riffs de guitarra na cara. Engana-se, porém, quem simplesmente rotular este álbum como hard rock e esperar uma obra inteira calcada nesse gênero. Às vezes de maneira mais sutil, às vezes mais evidente, Richie coloca nas canções sua alma e suas influências. “Remember”, grande destaque do disco e um dos momentos mais esperados de seus shows, não é uma power ballad tradicional, mas um lamento blues cujo estilo se tornou uma especialidade de Richie. “Special” é a cara da soul music da Filadélfia e se encaixaria perfeitamente em um disco setentista de Daryl Hall e John Oates, assim como “Made for Tonight”. Seu passado noventista mais focado no fusion também respinga no tracklist, mesmo que de maneira mais discreta, como é o caso de “So Cold” e da bônus coreana “Blame on Me”. Quando quer ser mais reto, Richie também faz bonito, vide “Such a Shame”. É claro que meus colegas vão chiar, vide minha conhecida queda pelo músico, mas gostaria de ver ainda mais discos de Richie nesta série; sua produção entre 2003 e 2009 foi prolífica como a de poucos.

Eudes: Tá certo que o passado do guitarrista é pouco recomendável, mas Richie Kotzen construiu uma carreira voltada para o que ainda resta do rock ‘n’ roll, com canções sólidas, melodicamente convincentes e em arranjos arrebatadores, românticos mas quase sempre longe da sacarina e mais perto da contundência. Fazia um tempão que não ouvia este disco. E ele continua soando super bem, pedindo aquela roda de amigos e umas cervas a zero grau. Ou então uma noite com seu amor à meia luz. Nada demais, nem sei se entra em uma lista de melhores de todos os tempos, apenas rockão na boa tradição.

Fernando: A carreira solo de Richie Kotzen é extensa e bastante heterogênea. Alguns discaços como Into the Black (2006) e algumas porcarias. Mas é difícil de falar melhor porque não conheço todos os álbuns, e este é um dos que não havia ouvido. No geral, posso dizer que está mais para um bom disco do que para um dos que não gostei.

Flavio: Novamente, a presença de Richie Kotzen é bem saudada nesta lista. Embora não tenha escolhido para meus dez melhores, o trabalho do guitarrista normalmente é muito agradável e este Get Up não é diferente. O disco é calcado no estilo tradicional de Kotzen, com uma mistura de hard rock e blues com bom gosto. Posso destacar as músicas “Fantasy”, o blues balada “Remember” e a hendrixiana “So Cold”. Recomendo-o para quem gosta do estilo.

João Renato: Após vários experimentos sonoros, Richie Kotzen se achou de vez em Get Up. Hard rock com pegada, misturado a soul music e r ‘n’ b, feitos por quem realmente entende do assunto. Tracklist memorável do início ao fim, com várias músicas que se tornariam as favoritas dos fãs. Tornou-se a referência para tudo o que seria feito a seguir na discografia solo do cidadão.

Leonardo: Não sou um profundo apreciador da carreira de Richie Kotzen, tendo a achar sua sonoridade limpa demais, sem a agressividade e a malícia que o hard rock costuma pedir. Mas neste Get Up as composições funcionam bem, com riffs interessantes, influência de blues, e solos muito bem encaixados. Não entrou na minha lista, mas é um belo disco de rock,

Mairon: O queridinho de DB novamente entre os dez mais. Novidade? Bem capaz. O multi-instrumentista vem novamente para a lista de melhores com um disco mediano. Apesar de começar bem com “Losin’ My Mind” e ter seus momentos mais interessantes em “So Cold” e “Still”, as faixas açucaradas me fizeram torcer o nariz. Quem tem diabetes, cai fora. Senti muita raiva ao ouvir a melosidade açucarada de “Remember”, “Made for Tonight” e “Special”. Definitivamente, isso não é música para ser ouvida no dia a dia. Ainda tem faixas que não fedem nem cheiram, no caso “Fantasy”, “Never Be the Same”, “Such a Shame” e “Get Up”, e ainda destruiu com “Shapes of Things”. Não sei, acho uma mistura de gêneros e bandas que não me agrada no geral. Não nego que Kotzen é um exímio instrumentista, mas seus discos têm me feito mais sentir vontade de que acabe logo do que de colocar novamente em audição. Ainda bem que o disco é curto.

Ulisses: Mais um disco solo de Kotzen na série, e como já era de se esperar, ele não escorrega em nenhum momento, trazendo seu hard rock malemolente assim como composições mais calcadas no blues e no soul; nestas ele está particularmente inspirado, entregando ótimas performances em “Special”, “Remember” e “Made for Tonight”.


 

05-Start-from-the-Dark

Europe – Start From the Dark (51 pontos)

Alissön: The Final Countdown (1986) foi uma audição abominável, daquelas que pretendo nunca mais ter na vida. Só por não soar como aqueles discos dos anos 1980, este disco já ganhou muito conceito. Mas, ainda assim, não passa da linha divisória entre o marcante e o esquecível. Vale os mesmos comentários para o disco de Richie Kotzen (que pode estar em alguma posição acima, enfim): agradará muito aos fãs de hard rock. Quem não liga muito para o estilo, simplesmente o apagará da memória assim que o disco terminar.

André: Gosto tanto do Europe espalhafatoso quanto do atual “serious hard rock”. São duas bandas praticamente diferentes, mas igualmente boas. Start From the Dark foi considerado a reviravolta para esse estilo atual, que muitos que nem eram fãs da banda passaram a apreciar.

Bernardo: Uma múmia musical. Tentaram não tocar a farofada de sempre, tentaram abraçar um heavy metal mais moderno que já estava ficando datado, mas é isso. Não vejo nem sentido de estar na lista porque não representa absolutamente nenhum passo à frente musicalmente falando nem tem qualquer relevância. Não que tivesse muita antes.

Christiano: O disco da volta do Europe. O retorno de John Norum. Quando lançado, Start From the Dark foi uma grata surpresa para quem sempre costumava associar o Europe ao hair metal e a baladas melosas. Os caras gravaram um ótimo álbum de hard rock, com grande influência de bandas setentistas, com predomínio de riffs de guitarra e os ótimos vocais de Joey Tempest, que se mostrou mais contido, optando por um registro mais cru. De fato, um dos grandes discos desse ano.

Davi: Em seu primeiro álbum desde Prisoners in Paradise (1991), os músicos surpreenderam ao aparecer renovados, mais pesados e absolutamente inspirados. Start From The Dark traz a banda apostando em uma sonoridade mais moderna, com riffs mais sujos e até mais arrastados, por assim dizer. Joey Tempest canta mais para baixo, John Norum continua endiabrado e as composições são ótimas. “Got to Have Faith”, “Flames’, “Hero”, “Wake Up Call”, “Song  No. 12” e “America” são os grandes momentos do disco.

Diogo: O Europe protagonizou um dos retornos mais dignos entre as bandas gestadas na década de 1980. Sem aquela enrolação de turnês intermináveis seguidas de álbuns ao vivo e registros em vídeo de shows para, quem sabe, lançar material inédito, os suecos soltaram Start From the Dark praticamente de cara, afastando qualquer hipótese de que a reunião tivesse um caráter meramente revivalista. Isso foi ainda mais confirmado ao nos depararmos com o conteúdo do álbum: mais pesado, seco e distorcido; menos polido e lustroso. Ouvi muito mesmo este disco na época em que saiu e continuo ouvindo até hoje. Vai tempo, volta tempo, canções como “Got to Have Faith”, “Flames”, “Wake Up Call” e a faixa-título seguem sendo executadas com frequência em meu aparelho de som. E o que falar de “America”, canção mais pesada do grupo desde Wings of Tomorrow (1984)? Mesmo as baladas, que poderiam representar uma fragilidade, deram conta do recado, como atestam “Hero” e “Roll With You”. Quem nunca se importou com a banda continuou não se importando, mas, para quem apreciava muito o talento desses caras (e Joey Tempest e John Norum têm de sobra), ver essa reunião dando frutos como Start From the Dark foi ótimo.

Eudes: Eu perco a paciência mas não perco os amigos. E só os queridos aqui da Cosultoria para me fazer gastar 50 minutos da pouca vida que me resta com um disco do Europe. Até que o tema oitentista “Got to Have Faith” não faz feio, mas depois recomeça aquela chateação de introduções acústicas que emendam com bases metálicas baixos teores e pouco imaginativas. Além de que os vícios de quem fez música usada em tema de comercial não os deixa jamais. Passo.

Fernando: Este disco marcou a volta da formação clássica do Europe e a mudança sonora que os acompanha até hoje. Pena que o povo ainda os identifica apenas com The Final Countdown, já que essa fase mais roqueira e com as guitarras mais na cara do que antes é muito boa. Lembrei que este é o único disco do Europe que me falta.

Flavio: O Europe no seu retorno após 13 anos abandonou o uso excessivo e marcante dos teclados sintetizados dos anos 1980, partindo para um heavy metal mais cru, com predominância das guitarras em afinações mais baixas, dando peso para esta bolacha. O resultado é excelente, fazendo de Start From the Dark o meu disco predileto, disparado, dentro da lista final. A banda toda fez um ótimo trabalho e posso destacar o vocal perfeitamente encaixado de Joey Tempest em um disco bem coeso. Destaques: a faixa-título, “Got to Have Faith”, “Flames” e “Wake Up Call”.

João Renato: De todos os retornos de bandas oitentistas, o Europe foi a que mais teve coragem de fugir do lugar comum. Start From the Dark foi apenas o primeiro capítulo da nova era, mas já mostrava que Joey Tempest e companhia não estavam dispostos a seguir o caminho mais fácil. E se deram bem, a fase atual é tão boa – se não for melhor – que o passado.

Leonardo: Retorno surpreendente do Europe. Abandonando o som mais melódico de seus dois discos anteriores, a banda retornou com um som mais sujo, pesado e com menos ênfase nos teclados, ainda que dotado de ótimos riffs e refrãos. John Norum demonstrava continuar um guitarrista bem acima da média, e a voz de Joey Tempest continuava em excelente forma. Destaque para a excelente faixa que abre o álbum, “Got to Have Faith”, que tem um riff vigoroso, e para a bala “Hero”, composta em homenagem ao ex-líder do Thin Lizzy, Phil Lynott, assumidamente uma das maiores influências de Norum e Tempest.

Mairon: Belíssimo retorno dos suecos, fugindo do estilo farofa que os consagrou nos anos 1980, e assumindo uma personalidade hard rock pesado que se desenvolveu muito bem com o passar dos anos. Claro que há pequenos deslizes, como a baladinha insossa “Reason”, cuja percussão eletrônica no trecho central é de sair chorando pela casa de tão ruim, a chatinha “Flames”, se escapando apenas o virtuoso solo de John Norum, e principalmente em “Sucker” e na própria faixa-título, na qual o grupo soa pretensiosamente moderno para o que é. Porém, são faixas como a enérgica “Got to Have Faith”, a semibalada “Hero”, a delicada peça acústica “Settle for Love” e o peso de “Song No. 12” que alegram os ouvidos, já que nelas o Europe se encontra como um conjunto em que os cinco membros soam coesos, tendo como guia as mãos de John Norum. É interessante falar que, individualmente, os músicos estão em ótima forma, sendo que até Mic Michaeli dá o ar da graça no piano em “Spirit of the Underdog”. Destaques principais para “Wake Up Call” e “America”, pegadas e com uma levada contagiante nos vocais de Tempest, e a superbalada “Roll With You”, sendo que em todas Norum está brilhando e mostrando por que é um dos melhores guitarristas de sua geração. O Europe iria melhorar muito depois disso, principalmente após o lançamento de Almost Unplugged (2008), mas foi um retorno que colocou a chama dos anos 1980 novamente para ser acesa.

Ulisses: Temos aqui um Europe moderno, com guitarras fortes e teclados discretos, fazendo um hard rock honesto e sem escorregões. O que NÃO temos é algo digno de figurar entre os dez mais – é um disco de mediano pra bom, e só.


 

06-Mabool

Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven (45 pontos)

Alissön: Existe uma linha tênue entre o folk e baboseiras vikings caricatas (uso do viking apenas como exemplo). Há as bandas que sabem usar de elementos folk para criar uma sonoridade rica, cheia de nuances e com canções fascinantes (Agalloch, Moonsorrow e por aí vai) como também há grupos que só fazem porcarias ridículas cheias de maneirismos e que só servem para ridicularizar as boas formaçõesdo estilo (Ensiferum e qualquer outra banda pateta que você se lembrar aí). O Orphaned Land, por sua vez, elevou o termo “folk metal” a patamares espetaculares com seus discos. O som é esplandecente e rico em detalhes. O disco passeia por seu conceito com uma habilidade ímpar, indo do death metal para o black metal, passando para momentos acústicos, criando assim um panorama extremamente fascinante.

André: Esse ano foi excelente. Diversos discos ótimos que infelizmente não puderam dar as caras por aqui por se tratar apenas de um op 10. Já falei muito do que este álbum representa para mim na edição da seção “Consultoria Recomenda” dedicada a bandas fora do eixo. Belo disco dos anos 2000, com um conceito inteligente, instrumental bem feito e composições muito acima da média. Entrada mais do que merecida.

Bernardo: Pra lá de derivativo. Basicamente igual a tudo aquilo que você, com suas longas madeixas, ouvia no CD player antes de ir para a aula, com a diferença que é israelense, ou seja, tem uns momentos “world music” antes de cair na mesmice de sempre.

Christiano: Em pleno 2004, o Orphaned Land mostrou que ainda é possível inovar e ser criativo. Fizeram isso não somente mesclando elementos pouco usuais no universo metal, como influências progressivas e de música folk, mas, de fato, criaram um som inusitado e inventivo. Guitarras distorcidas se fundem a violões, vocais guturais e limpos são intercalados de maneira natural e muito bem elaborada. O disco todo traz composições muito boas, sem exageros e com boas doses de originalidade. Uma excelente escolha dos consultores.

Davi: A parte em que eles brincam de Blind Guardian e de Senhor dos Anéis até que é interessante. O problema é quando invocam o “satanaaaaás, é você, satanaaaaás?”. Daí fica cansativo.

Diogo: Este álbum foi citado recentemente em uma edição da seção “Consultoria Recomenda”. Como minhas impressões a respeito do disco permanecem as mesmas, vou me resumir a relembrar meu comentário feito na oportunidade: muito ouvi falar nesse grupo quando lançou esta obra, mas nunca havia parado para ouvi-la até as recentes oportunidades. E quando parei, tive que fazê-lo mais de uma vez, pois não se trata de material de fácil assimilação. Mais que heavy metal, o Orphaned Land incorpora a tradição musical do Oriente Médio à sua sonoridade e o resultado pode soar bem atípico para muitos. Inclusive, isso até fez com que a banda fosse rotulada como “world metal”, um título péssimo, estúpido mesmo. A mistura pode soar muito metal para quem gosta do exotismo e muito exótica e/ou progressiva para quem é mais chegado no heavy metal, mas, para mim, a banda foi competente em grande parte do tracklist, especialmente em músicas como “Ocean Land (The Revelation)” e “Norra el Norra (Entering the Ark)”, em que esses elementos diferentes estão equilibrados e na forma de boas composições. Apreciei o fato de que as referências musicais locais não são apenas jogadas a esmo, pois é difícil fazer isso com um mínimo de competência.

Eudes: Não tenho mais idade para histórias de lobisomem. Mais guitarras pesadas em riffs insípidos, vozes guturais e teclados cafonas para assustar recém chegados ao rock ‘n’ roll.

Fernando: Falamos bastante sobre Mabool em um recente edição da seção “Consultoria Recomenda” e o álbum foi justamente uma indicação minha. A mistura de metal com a música oriental e a influência da mistura de culturas religiosas acabou gerando um excelente disco.

Flavio: Um dos mais inusitados trabalhos, há aqui uma curiosa mistura de elementos de música oriental (árabe, libanesa…) em um heavy metal com influência de elementos de death metal e prog metal.  Não conhecia o Orphaned Land e de início gostei da mistura, com guitarras dobradas, o uso de uma espécie de cítara, violão com boas melodias e elementos percussivos orientais. O que atrapalha, para mim, é a entrada constante do vocal gritado/gutural no estilo Gollum. Mesmo com a presença esporádica de um bom vocal feminino (normalmente em coro), há momentos instrumentais muito interessantes simplesmente destruídos pela entrada desse vocal gritado/gutural, como no ótimo solo da segunda música. A inserção de elementos árabes é bem interessante, seja nas linhas de guitarra, em solos de teclado ou na percussão, e o instrumental tem vários momentos muito bons, como no meio da quinta canção, com um solo muito bonito de guitarra, ou no lindo solo de piano da oitava faixa. Porém, à medida que o disco avança, o vocal gutural vai cansando, e me afastou de possivelmente gostar do bom trabalho. Desta forma, não consigo classificá-lo como merecedor de entrada nesta lista. Para quem não se incomoda com esse vocal e com a mistura, eu recomendo; para mim, uma banda com ótimo potencial para um bom trabalho, afetado negativamente pelo uso excessivo de vocal gritado/gutural.

João Renato: Mais um da série “tive dificuldade de ouvir à época, mas assimilei depois”. Um sopro de originalidade em um estilo que peca pela dificuldade em absorver propostas diferentes das tradicionais. Pena que isso fará a banda ser mantida eternamente na série C do gênero.

Leonardo: A mistura de heavy metal/hard rock com sonoridades étnicas às vezes dá ótimos resultados. Infelizmente, não é o caso aqui. As influências de música regional soam deslocadas, e o disco acaba soando como uma colcha de retalhos.

Mairon: Conheci este álbum em uma edição da seção Consultoria Recomenda sobre bandas fora do eixo e o achei surpreendente. Apesar de o início dele ser um metal sem muito o que adicionar no já embuchante cenário metálico dessa época, é a partir da segunda faixa, “Ocean Land (The Revelation)”, que a história das três grandes religiões do Oriente Médio começa a chapar a mente, com uma mistura inigualável de instrumentos orientais com um heavy metal muito bem tocado, destacado as performances exímias de Yossi Saharon (guitarras), sendo sua participação em “The Storm Still Rages Inside” o mais destacado momento solo do disco. Mesmo assim, é a mistura dos elementos orientais com o as distorções que faz de Mabool uma joia especial, e isso surge com força em “Building the Ark”, com tabla e um belo coral, “A’salk”, na qual tablas e bouzoki se sobressaem, ao lado do arrepiante vocal feminino de Shlomit Levi, que também abrilhanta “The Kiss of Babylon (The Sins)”, a pancada “Norra el Norra (Entering the Ark)”, em que os vocais e instrumentos orientais misturam-se ao peso das distorções, arregaçando as caixas de som, surpreendendo ainda com um solo de piano para Count Basie ficar muito faceiro, e o sensacional ritmo das cordas na faixa-título. O auge do álbum fica por conta das instrumentais “The Calm Before the Flood” e “Rainbow (The Resurrection)”, cujas introduções ao violão são melhores do que 70% desta lista. Claro que temos momentos mais comuns, principalmente “Halo Dies (The Wrath of God)”, e outros que fogem dessa característica de misturas, mas que soam bem aos ouvidos, como a dreamtheateriana “A Call to Awake (The Quest)”, o que só me fez concluir que Mabool é um baita disco, que só não ficou no topo da minha lista porque Brian Wilson fez um disco sensacional, e porque me esqueci que How to Dismantle an Atomic Bomb (U2) é de 2004 (no meu cérebro, constava 2005).

Ulisses: Conheci este álbum na série “Consultoria Recomenda”, na edição dedicada a bandas fora do eixo, e na época foi uma das recomendações que mais me impressionaram. Ouvindo novamente para esta publicação, constato que a impressão que tive lá atrás não se desfez: é metal progressivo que pega influências de folk e sinfônico para trazer um som corpudo que, mesmo recheado de instrumentos orientais, mudanças de andamento e vários tipos diferentes de voz (feminina, masculina, guturais e coros), consegue ser coeso e prender a atenção do ouvinte. Pode ouvir sem medo: você vai ficar embasbacado do começo ao fim.


 

07-Blackfield

Blackfield – Blackfield (40 pontos)

Alissön: Havia ouvido falar do Blackfield apenas pelo fato da banda contar com o multi-instrumentista e produtor Steven Wilson em sua formação. Como o produtor é badalado, vale o comentário perante à boa produção do disco, que joga uma aura progressiva setentista no registro, mas sem fazer com que o mesmo pareça envelhecido. De resto, não me impressionou muito. Instrumentos bem conduzidos e sonoridade pop bacanas. Fora isso, nada mais a ser dito.

André: Eu lembro que ouvi algo deste disco há muito tempo e por alguma razão excluí de meus arquivos. Estranho, porque é um rock progressivo moderno daqueles que eu gosto. Realmente não sei por que fiz isso. O clima do álbum é todo melancólico e atmosférico, além de ter uma veia mais alternativa, diferente do que Steven Wilson fazia no Porcupine Tree. “Glow”, por exemplo, me lembrou muito o estilo do Anathema mais recente.

Bernardo: Dos criadores do Porcupine Tree, um disco do que chamam de “art rock”, mesclando elementos populares e sofisticados, cruzando o alternativo com o progressivo. Bom e muito original, mas não me marcou muito.

Christiano: Steven Wilson é um dos caras mais talentosos do cenário da música atual, seja em carreira solo ou em seus vários projetos/bandas. O Blackfield é um desses projetos, que surgiu de uma parceria entre Wilson e o Israelense Aviv Geffen. Diferentemente das viagens experimentais/progressivas características dos outros trabalhos do líder do Porcupine Tree, o Blackfield traz canções basicamente curtas, que primam por beleza, melodia e um clima meio melancólico e introspectivo. Talvez um dos trabalhos mais bonitos da carreira de Steven, e um dos melhores discos dos anos 2000.

Davi: Já conhecia Steven Wilson, mas ainda não havia parado para ouvir esse projeto dele. Gostei bastante. Continua com a pegada melódica e introspectiva. Os arranjos são bem calmos e misturam elementos modernos com elementos do progressivo e do pop (um exemplo seria a pegada drum ‘n’ bass por trás de “Scars”). Sim, é possível pegar algumas referências do Porcupine Tree por conta do seu estilo de composição e trabalho vocal. Ótimo disco. Faixas de destaque: “Open Mind”, “Blackfield” e “Pain”.

Diogo: Steven Wilson está cada vez mais se mostrando em alta conta entre alguns dos participantes da série. Admito, porém, que isso não é à toa, uma vez que o músico e produtor costuma se envolver em projetos interessantes, e o Blackfield não é exceção. De uma maneira introspectiva, Steven e seu parceiro Aviv Geffen aproximam o progressivo de uma linguagem mais popular, mas sem soarem popularescos em momento algum. Diria até que a dupla sequer soa muito comercial, uma vez que a produção empresta ao disco uma aura deslocada de seu tempo, e os arranjos muito provavelmente constroem uma barreira entre a música do Blackfield e a audiência flutuante. Da minha parte, gostei bastante do disco, destacando canções como a faixa-título, “Summer”, “Hello”, “Open Mind” e “Glow”.

Eudes: Tem umas coisas que não entendo muito no mundo metal e prog (na verdade, muitas coisas). Aqui, por exemplo, como os caras pegam uma melodia tão linda como a de “Open Mind” e emendam um riff padrão sem personalidade na faixa? Mas a canção é tão linda que nem isso, nem os timbres de teclados que aparecem mais na frente conseguem estragá-la. Mas, vamos ser justos, é um discão, muito inspirado melodicamente e tocado com tesão em suas tessituras de instrumentos elétricos e acústicos. A faixa título é outra que merece destaque. É verdade que em momentos, como em “Glow”, os teclados voltam a incomodar um pouco, e haja faixas chatinhas, como “Scars” (pra que percussão eletrônica?), mas o álbum esta cheio de momentos iluminados: “Lullaby”, “Summer”, “Cloudy Now”…Uma ótima escolha!

Fernando: Já escrevi sobre este fantástico álbum aqui na Consultoria do Rock. Ainda estou decidindo se este é o melhor disco em que Steven Wilson trabalhou, mas meu respeito por alguns discos do Porcupine Tree não me deixa ser categórico.

Flavio: O disco é bem agradável. O muito bem gravado Blackfield traz elementos de rock progressivo, levemente flertando com o pop. Não há grandes construções rítmicas, e mesmo harmonicamente é simples, muito baseado em violões, steel/slide guitar e teclados (dando apenas o clima, sem solos). Há o teor presente em discos de rock progressivo como os de Marillion, Transatlantic e até Dream Theater. Percebe-se a influência do estilo claramente no início de “Glow”, em “Lullaby”,na aproximação pop da faixa-título ou mesmo no belo solo de guitarra em “Summer”, que me lembrou Marillion na fase com Steve Hogarth. Há também o flerte com o eletrônico, perdendo minha simpatia em “Scars”. Não o incluiria em uma lista de melhores. Para subir mais no meu conceito falta um pouco de ousadia, mudança rítmica e ganho harmônico não tão simplificado, mas é um bom disco.

João Renato: Agradável, com diferentes camadas sonoras se completando. Vale a pena nos dias frios aqui do Sul. O excesso de melancolia, às vezes, me tira um pouco do clima. Mas possui qualidade inegável.

Leonardo: Bons tempos em que a música pop era representada por bandas como Tears for Fears. O Blackfield bebe na mesma fonte, com melodias marcantes, refrãos fortes e sonoridade acessível, mas não descartável. Boa surpresa da lista.

Mairon: Não sabia que Steven Wilson tinha tanto respeito aqui na Consultoria. Um disco para sair da mesmice, diferente do que é o Porcupine Tree, já que no Blackfield não temos canções longas ou com muitas intrincações. São canções para tocar na rádio, agradar uma visita ou ouvir tomando uma garrafa de vinho. Não consegui digerir muito bem nessa primeira ouvida, principalmente porque, quando eu achava que a música ia engrenar, acabava, mas não deixa de ser um disco bom, destacando-se “Glow” e “Pain”.

Ulisses: Quando ouvi este álbum pela primeira vez, não gostei, mas não soube como explicar meu desgosto (e sono). Aí ouvi de novo e algo “clicou” durante a audição. É preciso um pouco mais de paciência e atenção para captar a genialidade de sua atmosfera melancólica, que entrega faixas impecáveis, inscritas em melodias minimalistas e de clima acolhedor. Ótima recomendação!


 

08-Once

Nighwish – Once (37 pontos)

Alissön: Não consigo notar evolução alguma da estreia até aqui. A produção e muitas canções já se tornaram batidas demais. É o tipo de música que ficou tão atrelada a seu tempo que não faz sentido para mim recorrer a esse tipo de som como entretenimento, tão datadas as músicas se tornaram.

André: Virei fã da banda por aqui. Chamavam a gente na época de “fraldinha turunen”, pelo fato de terem conhecido e de muitos terem se tornado fãs na época em que este disco foi maciçamente divulgado pela MTV e a imprensa musical. Tanto “Nemo” quanto “Wish I Had an Angel” viraram hits, mas sempre gostei muito mais de “Dark Chest of Wonders”, “Planet Hell” e da excelente “Ghost Love Score”, faixa na qual a banda melhor usa a orquestra até hoje. A turnê foi enorme, casas lotadas nos quatro cantos do mundo, caminhões de dinheiro entrando, fama, DVD de “Fim de Uma Era” e a bomba de Tarja ter sido demitida via carta, no dia seguinte da gravação do mesmo, já em 2005. Na época em que fóruns de bandas eram populares, os do Nightwish bombaram em brigas, discussões, gente abandonando o grupo, uns ficando do lado de Tarja, outros do lado de Tuomas e sua trupe… Parece que foi ontem que eu, no alto dos meus 19 anos, acompanhava tudo aquilo. Ah, sim, preciso falar mais deste disco. É o meu segundo favorito no momento.

Bernardo: Outra banda meia-boca mais citada do que muito artista realmente importante. Aqui, acredito ser o caso porque “Nemo” e “Wish I Had an Angel” tocaram na MTV até encher o saco e alguns editores têm nostalgia da adolescência. Quer nostalgia vai assistir a Tiazinha no H! ou pesquisar os melhores lances do DJ Cleeeéston no RockGol.

Christiano: Mais uma vez, o Nightwish entrou na lista. Foi triste ter que escutar outro disco da banda. Once é um pouco mais direto que os álbuns anteriores, com um som menos pasteurizado que o normal. Os vocais operísticos de Tarja continuam exagerados e cansativos. Os “teclados de churrascaria” permeiam todas as músicas. Parece que tentaram modernizar a sonoridade da banda. No final das contas, conseguiram criar mais um disco chato, que deve funcionar bem como trilha sonora para adolescentes “darkinhos”.

Davi: Belíssimo álbum. A gatíssima Tarja Turunen mudou um pouco seu estilo de cantar, explorando menos as técnicas operísticas. A banda apresentou um trabalho pouca coisa mais comercial, demonstrando uma preocupação de se firmar no mainstream. Talvez por isso, muitos fãs torçam o nariz para o disco. Se para você boa música é boa música e pronto, vá de olhos fechados. O álbum é inspiradíssimo e bem variado. Os elementos principais estão todos ali. As orquestrações, o ar cinematográfico, as músicas velozes, as mais cadenciadas, a famosa balada. Álbum extremamente bem construído. Destaques: “Dark Chest of Wonders”, “Planet Hell”, “The Siren”, “Ghost Love Score” e o hit “Nemo”.

Diogo: Na edição da série dedicada a 2002, citei o fato de que a “mágica” do Nightwish se quebrou em Century Child, mas que Once ainda é um disco melhor que seu antecessor. Pois é exatamente isso que ocorre: por mais que o direcionamento do grupo estivesse cada vez mais fugindo daquilo que me agradava, alimentado pelos recursos que o dinheiro estava permitindo, Once ao menos apresenta algumas composições superiores, como é o caso de “Dark Chest of Wonders”, “Planet Hell” (Apesar dos chatíssimos vocais de Marco Hietala) e “Romanticide”. Com algum esforço, é isso aí e nada de muito mais, um resultado bem abaixo de Oceanborn (1998) e Wishmaster (2000). Mas quem sou eu em comparação com os milhões de fãs arrebanhados justamente graças a Once e seus grandes sucessos? Talvez apenas um ranzinza, mas sei que não estou sozinho: tem muito nego que acha que “She Is My Sin” coloca “Wish I Had an Angel” no bolso e que é criminoso Tarja Turunen deixar seus vocais líricos de lado em detrimento do insuportável Hietala.

Eudes: Daqueles discos fáceis de detonar. Basta dizer que entre as faixas está a insuportável “Wish I Had an Angel”. Se eu tivesse um anjo, mandava despejar a ira de Deus sobre essa corja!

Fernando: Pelo jeito o André vai colocar em primeiro todos os discos que o Nightwish lançou. Gosto bastante do grupo grupo até Century Child, e a partir de Once já não é a mesma coisa.

Flavio: Eu já havia previsto o meu carma na edição dedicada a 2002, e voilá: Nightwish de novo! Vou dizer o que deste aqui? Lá vai tudo de novo: os músicos são ótimos, mas quando entra o exagero dos teclados e os vocais operísticos intercalados com o tal baixista cantante, não dá realmente, não sintonizo com o estilo da banda e, apesar das músicas terem feito sucesso (as tais “I wish I Had blablabla” e tal “Nemo” são conhecidíssimas), dispenso novamente. Em 2006 tem mais algum?

João Renato: O salto definitivo do Nightwish para o mainstream trouxe as mesmas qualidades e defeitos dos trabalhos anteriores, apenas com uma produção melhor. É romântico dizer que a banda se vendeu, só porque os CDs não tinham mais selos de gravadoras metálicas. Mas é a única diferença, realmente, além de Marco Hietala cada vez mais presente nos vocais e Tarja fugindo do lírico, o que foi muito bom para todos os envolvidos.

Leonardo: Finalmente, o disco em que todas as peças do Nightwish se encaixaram com maestria. Evitando os excessos operísticos e com uma roupagem mais pop, o heavy metal melódico/sinfônico da banda nunca foi tão eficiente. As canções são mais marcantes do que nos discos anteriores, com refrãos feitos para grudar na cabeça do ouvinte. E o estilo adotado pela vocalista Tarja Turunen, menos agudo e mais acessível, caiu como uma luva na nova proposta. Recomendado até para quem não curtiu os discos anteriores do grupo.

Mairon: Passo.

Ulisses: O ápice dos finlandeses. Ainda que figurando uma Tarja Turunen mais contida e tendo seu maior sucesso na simples e radiofônica “Nemo”, eles entregaram um disco bastante variado e, ao mesmo tempo, fluído. “Dark Chest of Wonders” ainda é minha faixa de abertura preferida na discografia do quinteto, que ainda tem as pesadíssimas “Planet Hell” e “Romanticide”, além da indígena “Creek Mary’s Blood”, esta contando com flauta e declamação de um nativo americano. A Orquestra Filarmônica de Londres participa e realça a atmosfera de Once, fazendo de “Ghost Love Score” um épico inesquecível e destaque absoluto do CD. Uma pena que, como todos sabem, Once foi o último álbum de estúdio da banda com Tarja. Mas ela deixou um legado fantástico e este disco é o melhor exemplo disso.


 

09-Vol.-3

Slipknot – Vol. 3: The Subliminal Verses (35 pontos)

Alissön: Este é um dos discos mais importantes para a minha formação musical. Foi aqui que tive contato direto com o heavy metal pela primeira vez na minha vida. Deixando de lado análises afetivas, o álbum foi quase uma provação para os membros da banda, que não viviam momentos felizes em suas vidas pessoais. Mesmo muito prejudicado pelo loudness war, suas canções são concisas em sua grande maioria, experimentais, além de conseguir com certa maestria abocanhar seguidores não tão familiarizados com sons extremos. Um bom registro de 2004 e um disco especial para este que vos escreve.

André: A banda começou a ficar um tanto quanto problemática para mim (que até tenho considerado muito melhor seus primeiros álbuns, recentemente) devido ao uso maior desses vocais “pop bicudinho” por parte de Corey Taylor, principalmente nas canções balada. Muito melhor quando usa seu vocal mais rasgado, como em “Welcome”, por exemplo. Acho que paro mesmo nos primeiros álbuns. Daqui para frente, creio que aproveitarei pouca coisa.

Bernardo: O exorcismo do Slipknot em um de seus álbuns mais bem-sucedidos. “The Blister Exists”, “Duality” e “Before I Forget” são verdadeiras pauladas, um belo cartão de visita. Considero também o último disco mais “consistente” da banda, com os seguintes não me transparecendo a mesma energia ou autenticidade.

Christiano: Não consigo entender essa banda. Sei que muita gente gosta, e que fizeram muito sucesso no pacote “new metal”. Mas não dou conta. Acho extremamente chato e pretensioso. Parece que é só peso pelo peso. Foi duro ter que escutar o disco todo.

Davi: Bom disco, mas continuo considerando-o o mais fraco deles. Existem várias composições extremamente fortes. Caso de “The Blister Exists”, “Duality”, “Pulse of the Maggots” e “Before I Forget”. Mas quando tentam experimentar um pouco mais – como ocorre em “Danger – Keep Away” e “The Virus of Life” – me soam meio sonsos. Se tivessem feito um álbum mais curto, poderiam ter realizado um trabalho à altura de Iowa(2001). Considero-o um trabalho bacana, mas não excepcional.

Diogo: Superar o gigante chamado Iowa (2001) seria uma tarefa tão gigantesca quanto, mas o Slipknot chegou muito, muito perto. Admito, inclusive, que recentemente tenho escutado mais este Vol. 3 do que seu antecessor. Isso não significa necessariamente queVol. 3 seja um álbum melhor, mas não posso negar que suas estruturas um pouco mais tradicionais e a quantidade mais elevada de elementos melódicos em detrimento do caos reinante nos dois primeiros registros do grupo tornam escutá-lo uma tarefa mais simples. Não se engane: ainda há muita desgraceira no tracklist de Vol.3, vide “The Blister Exists”, “Three Nil”, “Opium of the People” e a sensacional “Pulse of the Maggots”. Por outro lado, a aflorada veia mais pop do grupo caiu perfeitamente bem, pois “Duality” é uma canção arrebatadora, daquelas que não fico sem ouvir por muito tempo. Outro marco importantíssimo do Slipknot mais “controlado” é “Before I Forget”, que permite enxergar com clareza quão bons músicos esses caras são. Ainda há as baladas, que, sinceramente, não destoam do tracklist nem soam como uma tentativa de atingir novos públicos; para mim, “Duality” ainda é a canção com maior potencial comercial do disco. Melhor álbum do ano, mas não disparado, pois o que Rammstein fez em Reise Reise é algo tão bom quanto. Uma pena que não apareceu por aqui.

Eudes: Pancadaria sem propósito em temas pouco inspirados e repetitivos. Tá certo que a execução é nota 10, com músicos precisos e bem azeitados, mas a recorrência da sonoridade não me permitiu ouvir a uma hora de CD. Pra quem gosta é um prato cheio. Em tempo: “Prelude 3.0” é um boa faixa.

Fernando: Lá vamos nós de novo ouvir o Slipknot de novo. Esse, por sinal, é o único disco deles que eu tenho, e gosto de algumas músicas como “Prelude 3.0” e “Duality”.

Flavio: O terceiro álbum da banda começa de forma um pouco diferente do que eu conhecia do Slipknot, lento, com pouca distorção, quase soando como rock alternativo. O vocal, distorcido por um efeito, soa até melódico e melancólico, e a música é razoável. Logo na segunda faixa vem aquele vocal gritado, acompanhado de efeitos de voz, permeados por uma alucinante bateria, com elementos percussivos e afinações baixas nos instrumentos de cordas, e aí é aquilo, mais do mesmo e insuportável estilo da banda. Com cinco minutos já estava querendo pular, e rápido. Ao ouvir o restante do disco, há momentos razoavelmente interessantes, como em “Welcome” e “Dualilty”, mas o bojo é a gritaria ensandecida, que me afasta da banda. Não, obrigado.

João Renato: Acrescentando melodia à barulheira (no bom sentido), o Slipknot demonstra clara evolução em seu terceiro trabalho. Os projetos paralelos dos envolvidos contribuíram, tanto para as ideias quanto para uma melhor aceitação de quem ainda possuía algum conceito pré-estabelecido de forma negativa. Quem não passou a curtir a partir daqui, dificilmente conseguiu mais tarde.

Leonardo: Menos caótico que os discos anteriores, mas ainda exalando raiva e agressividade, Vol. 3 é provavelmente o melhor disco do Slipknot. Os riffs vigorosos, vocais agressivos, bateria insana… Tudo o que fez a fama da banda continuava lá, mas as composições são mais marcantes, a produção é mais clara e o resultado mais eficiente.

Mairon: O álbum apresenta a clássica “Duality”, uma das melhores canções do Slipknot, mas, para mim, é um som muito retilíneo. Ouvi o disco com todas as boas pretensões, reconheço sua qualidade, só que não consegui admirá-lo ao ponto de considerar citá-lo em minha lista pessoal, e tampouco entre os dez mais, apesar de ter gostado de “Circle” e “Vermilion Pt. 2”, que são calminhas e bonitinhas.

Ulisses: O Slipknot foi a minha primeira banda de metal, e os conheci um pouco antes deste disco ser lançado. Na época, “Duality” e “Before I Forget” contagiavam todo mundo. A polêmica ficava por conta das faixas mais calminhas, como “Circle” e “Vermillion Pt. 2”, já que ninguém esperava algo assim dos nove malucos mascarados. Eu, como era novo no barco, curtia as composições sem ficar de “mimimi” – hoje, até entendo o papinho de “pô, se venderam”, mas é baboseira do mesmo jeito. Até porque os caras entregaram a pauleira de sempre em novos clássicos: “The Blister Exists”, “Opium of the People” e “Pulse of the Maggots” eram as novas queridinhas da galera. Não é tão doentio quanto o disco de estreia e nem tão brutamontes quanto Iowa, mas a banda conseguiu arredondar sua sonoridade e atingir um sucesso considerável sem deixar o peso de lado, inserindo arranjos um pouco menos brutais, fraseados melódicos e solos de guitarra, e experimentando o lado emocional das composições.


 

10-Madvillainy

Madvillain – Madvillainy (35 pontos)

Alissön: Quem não gosta de hip hop não passará a gostar do estilo ouvindo este disco. Eu, que adoro o gênero, necessitei de várias audições para sacar o que realmente Madlib e MF Doom (em uma das parcerias mais geniais da história) queriam me transmitir. Na verdade, Madvillainy passa longe de pretensões comuns, como foco em rimas e na prosa. Também passa a milhas de distância de convenções sonoras. O lance aqui é a experimentação, com uma gama absurda de nuances e estilos. Pela primeira vez o gênero “abstract hip hop” poderia descrever certeiramente um disco. As curtas composições que guiam-se pelas rimas obscuras e misteriosas de MF Doom são extremamente ricas e fogem completamente de qualquer maneirismo visto até o momento. As repetições e beats não são mais tão óbvios e cada peça nova era uma nova surpresa ao ouvinte. Analisar o álbum por suas músicas individuais, como fazem várias pessoas, é um erro. O disco precisa ser analisado como um conjunto ininterrupto. É assim que o disco realmente flui melhor: como uma sequência abstrata e absurda de experimentos com o hip hop.

André: Legal que usaram um acordeão para uma canção de hip hop chamada “Accordion”. Pelo menos é original dentro de seu estilo. As vozes de mulheres negras americanas são, definitivamente, as mais sedutoras de qualquer estilo musical existente nesse mundo. Tirando esses detalhes, não tenho como opinar muito mais a respeito.

Bernardo: O rapper MF Doom e o produtor Madlib soltaram um dos discos mais sombrios e pancadas do hip hop, com uma sonoridade constantemente revolucionária e ousada, com bate-estacas sendo seguidos de melodias improváveis, com samples e ruídos improváveis, com um resultado atmosférico e singular. E pensar que esta obra-prima chamada Madvillainy não é nem 10% de tudo que o prolífico Madlib produziu e experimentou é de assustar. Nas sombras, tornou-se uma figura essencial da música contemporânea.

Christiano: Tive uma surpresa quando fui escutar este “disco”: eu esperava ouvir algum tipo de música, mas só consegui perceber um misto de barulhos de máquina de lavar, impressora matricial, microondas e alguns bips. Junto de tudo isso, colocaram um cachaceiro falando incessantemente. Um falatório monótono e cansativo. Parece que, durante a gravação, alguém teve a brilhante ideia de ficar zapeando alguma TV por assinatura, e os ruídos acabaram saindo no meio do registro do falatório. Enfim, uma das coisas mais horrorosas e chatas que já tive o desprazer de escutar. Com certeza, um eficaz instrumento de tortura.

Davi: Nunca fui fã de hip hop e, para piorar, a musicalidade deste disco é próxima de zero. Repleto de experimentações, colagens sem sentido, etc etc etc. Chatíssimo! Uma espécie de “Jay-Z meets Yoko Ono”. Não consegui chegar ao fim.

Diogo: A sonoridade que encontrei ao ouvir Madvillainy pela primeira vez é completamente diferente do que estava esperando. Não que eu tivesse uma expectativa lá muito consolidada, mas as colagens rítmicas criadas pelo produtor Madlib junto a sons cinematográficos e outros cuja origem desperta dúvida emprestaram uma aura avant-garde ao registro, de modo que não vou acompanhar a provável maioria dos meus colegas e enxovalhar o álbum. Trata-se de um disco que não se encaixa no que gosto de ouvir mesmo em se tratando de rap, mas há ao menos uma mente criativa por trás de seu resultado. Senti, inclusive, que o rapper MF Doom acabou sendo um tanto coadjuvante em relação ao trabalho de Madlib, talvez pelo seu tom mais sombrio e lo-fi. Ao mesmo tempo, talvez se ele assumisse um protagonismo maior e colocasse sua voz mais à frente, o resultado não seria o mesmo. Alerto, porém, que ouvintes apenas eventuais do gênero não vão encontrar material para se entreter. Creio que essa sequer foi a intenção dos responsáveis pela obra.

Eudes: Tudo bem que o disco é moderno, vanguardista, tenta mostrar que rappers são seres dotados de inteligência, mas, vamos combinar, é chato pra dedéu. A única faixa que ouvi com certa paciência foi “Accordion”. Talvez o Marco Gaspari goste.

Fernando: Pô, pessoal!!! Quando forem mandar uma bomba assim avisem, por favor. Me senti um soldado andando em direção a uma mina terrestre: só percebe que se ferrou quando pisa. Ouvi o disco todo e foi difícil me recuperar. Para provar que ouvi posso citar as vozes do jogo “Street Figther II” no meio de uma das faixas. Passo!

Flavio: Bom, se eu achava que já havia ouvido coisa ruim, aqui a coisa desandou de vez. Depois de ficar estupefato com o material bizarro deste “disco”, após duas pseudomúsicas resolvi abrir a Wikipedia para tentar entender que treco era isso e tentar confirmar o óbvio: o fato de que não haviam músicos. Ao abrir o site, vi que isso aqui é classificado por um tal de Rhapsody o melhor “disco” de hip hop da década passada. Aí gostei, pois se eu estava ouvindo o melhor, não preciso escutar mais nada desse estilo, e se eu seguir essa recomendação, serei poupado de uma considerável perda de tempo. Voltando ao treco e já com um parêntese: me parece, apenas me parece, com quase certeza, que na “música” Curls há um trecho da linda “Airport Theme” (Vincent Bell), decepada e triturada em um liquidificador com um monte de outras coisas, inclusive com o tal deliberar falante inútil e a base ritmada retalhada, repetitiva e irritante. Enfim, isso aqui é uma colcha de retalhos, com mistura de um monte de outras músicas e um cara falando por cima: essa é a minha definição. Tá bom?

João Renato: Desconexo. Não vou cair na mesma patacoada de quem se vale de deboche para criticar as escolhas alheias relacionadas ao metal. Apenas dizer que não é minha praia e passar adiante. Mas é aquela história, não existe música boa ou ruim, apenas a música que você gosta ou não gosta. Ninguém é proprietário dos direitos sobre o bom gosto universal.

Leonardo: Assumo que não gosto de rap. Salvo por alguns trabalhos dos Beastie Boys, pouca coisa se salva no estilo para mim. Infelizmente, este disco não é uma exceção..

Mairon: Quando eu vi que o negócio era hip hop, me lembrei de uma bomba que surgiu algum tempo atrás nesta série, e que graças ao bom Deus esqueci o nome. Ouvi com toda a boa vontade, mas na terceira faixa (não dá para chamar isso de música), desisti. Fui até o fim e descobri que a melhor coisa do disco é quando ele acaba. Não nasci para ouvir trilha de “GTA”, desculpe. Keane, Franz Ferdinand e Magma de fora para entrar isso??? Terrível!

Ulisses: Eu não esperava nada menos bizarro de um rapper que usa uma máscara dessas. Na verdade, achei bastante interessante a produção do disco, que impõe um jeitão maluco e desorientador, com pitadinhas de jazz e insere umas vinhetas claramente anos 1940. Não é o tipo de coisa que eu curto, mas nossos leitores aí que gostam de hip hop (peraí, eles existem?) certamente deveriam conferir.


Listas individuais

Alissön Caetano Neves

  1. Death From Above 1979 – You’re a Woman, I’m a Machine11 You're a Woman I'm a Machine
  2. Mastodon – Leviathan
  3. Isis – Panopticon
  4. Deathspell Omega – Si monvmentvm reqvires, circvmspice
  5. Madvillain – Madvillainy
  6. Max Richter – The Blue Notebooks
  7. MF DOOM – Mm.. Food
  8. Slipknot – Vol. 3: The Subliminal Verses
  9. Elliott Smith – From a Basement on the Hill
  10. The Dillinger Escape Plan – Miss Machine

André Kaminski

  1. Nightwish – Once12 Elegy for the Weak
  2. Angra – Temple of Shadows
  3. Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
  4. Occult – Elegy for the Weak
  5. Disillusion – Back to Times of Splendor
  6. Pochakaite Malko – Laya
  7. From the Inside – From the Inside
  8. Rhapsody – Symphony of the Enchanted Lands II: The Dark Secret
  9. Ayreon – The Human Equation
  10. Edenbridge – Shine

Bernardo Brum

  1. Madvillain – Madvillainy13 The College Dropout
  2. Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile
  3. Kanye West – The College Dropout
  4. Rammstein – Reise Reise
  5. Nick Cave and the Bad Seeds – Abattoir Blues/The Lyre of Orpheus
  6. Arcade Fire – Funeral
  7. Wilco – A Ghost Is Born
  8. John Frusciante – Shadows Collide With People
  9. Sufjan Stevens – Seven Swans
  10. Elliott Smith – From a Basement on the Hill

Christiano Almeida

  1. Pain of Salvation – Be14 Be
  2. Air – Walkie Talkie
  3. Blackfield – Blackfield
  4. The Zutons – Who Killed the Zutons?
  5. Zero 7 – When It Falls
  6. Mark Lanegan Band – Bubblegum
  7. Threshold – Subsurface
  8. Tears for Fears – Everybody Loves a Happy Ending
  9. Paatos – Kallocain
  10. IQ – Dark Matter

Davi Pascale

  1. Velvet Revolver – Contraband15 Contraband
  2. Europe – Start From the Dark
  3. Richie Kotzen – Get Up
  4. Green Day – American Idiot
  5. Edguy – Hellfire Club
  6. Nightwish – Once
  7. Angra – Temple of Shadows
  8. U2 – How to Dismantle an Atomic Bomb
  9. Megadeth – The System Has Failed
  10. Brides of Destruction – Here Comes the Brides

Diogo Bizotto

  1. Slipknot – Vol. 3: The Subliminal Verses16 Reise Reise
  2. Rammstein – Reise Reise
  3. Richie Kotzen – Get Up
  4. Exodus – Tempo of the Damned
  5. Mastodon – Leviathan
  6. Europe – Start From the Dark
  7. Tak Matsumoto Group – TMG I
  8. From the Inside – From the Inside
  9. Pride of Lions – The Destiny Stone
  10. Tony Iommi with Glenn Hughes – The 1996 Dep Sessions

Eudes Baima

  1. Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile17 Crosby & Nash
  2. Crosby & Nash – Crosby & Nash
  3. Rufus Wainwright – Want Two
  4. Joe Satriani – Is There Love in Space?
  5. Diana Krall – The Girl in the Other Room
  6. Buckethead – Island of Lost Minds
  7. Franz Ferdinand – Franz Ferdinand
  8. Elvis Costello – Il Sogno
  9. Loretta Lynn – Van Lear Rose
  10. U2 – How to Dismantle an Atomic Bomb

Fernando Bueno

  1. Blackfield – Blackfield18 Adam & Eve
  2. Angra – Temple of Shadows
  3. The Flower Kings – Adam & Eve
  4. Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
  5. Morrissey – You Are the Quarry
  6. Marillion – Marbles
  7. Exodus – Tempo of the Damned
  8. Therion – Lemuria
  9. IQ – Dark Matter
  10. Saxon – Lionheart

Flavio Pontes

  1. Europe – Start From the Dark19 The 1996 Dep Sessions

  2. Tony Iommi with Glenn Hughes – The 1996 Dep Sessions

  3. Alter Bridge – One Day Remains

  4. Saxon – Lionheart

  5. Gary Moore – Power of the Blues

  6. W.A.S.P. – The Neon God Part 1: The Rise

  7. W.A.S.P. – The Neon God Part 2: The Demise

  8. Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile

  9. Primal Fear – Devil’s Ground

  10. Iced Earth – The Glorious Burden

João Renato Alves

  1. Richie Kotzen – Get Up20 Peachtree Road
  2. Elton John – Peachtree Road
  3. Edguy – Hellfire Club
  4. Exodus – Tempo of the Damned
  5. Lordi – The Monsterican Dream
  6. Angra – Temple of Shadows
  7. Saxon – Lionheart
  8. Evergrey – The Inner Circle
  9. Motörhead – Inferno
  10. Megadeth – The System Has Failed

Leonardo Castro

  1. Exodus – Tempo of the Damned21 Fate of Norns
  2. Amon Amarth – Fate of Norns
  3. Megadeth – The System Has Failed
  4. Hirax – The New Age of Terror
  5. Jag Panzer – Casting the Stones
  6. Probot – Probot
  7. Hibria – Defying the Rules
  8. Angra – Temple of Shadows
  9. Brides of Destruction – Here Comes the Brides
  10. Hypocrisy – The Arrival

Mairon Machado

  1. Brian Wilson – Brian Wilson Presents Smile22 Panopticon
  2. Orphaned Land – Mabool: The Story of the Three Sons of Seven
  3. Isis – Panopticon
  4. Keane – Hopes and Fears
  5. Magma – K.A.
  6. Franz Ferdinand – Franz Ferdinand
  7. El Efecto – Como Qualquer Outra Coisa
  8. Tony Iommi with Glenn Hughes – The 1996 Dep Sessions
  9. Acid Mothers Temple and the Melting Paraiso U.F.O. –Mantra of Love
  10. Wishbone Ash – Lost Pearls

Ulisses Macedo

  1. Wolf – Evil Star23 Evil Star
  2. Tuatha de Danann – Trova di Danú
  3. Within Temptation – The Silent Force
  4. Angra – Temple of Shadows
  5. Therion – Lemuria
  6. Therion – Sirius B
  7. Slipknot – Vol. 3: The Subliminal Verses
  8. Nightwish – Once
  9. Haggard – Eppur si Muove
  10. Hibria – Defying the Rules


Categories: AC/DC, Artistas, Covers / Tributos, Discografias, Europe, Exodus, Marillion, Mastodon, Megadeth, Motörhead, Nightwish, Resenhas, Saxon, Slipknot

8 replies

  1. Bem, enquanto a lista de 2005 já seguiu para compilação no site dos amigos da consultoria, dei uma lida nas análises de 2004, vou voltar pra comentar com mais propriedade, mas de cara preciso ressaltar uma parte do comentário do Flávio acerca do Madvillainy, pois quase sempre tem um troço ruim de doer pra analisar. 2005, eu posso adiantar, é uma exceção, ainda que a lista não esteja propriamente fácil. Mas pelo menos não tem essas ” dádivas” .

    Segue dois trechos separados :

    “…..resolvi abrir a Wikipedia para tentar entender que treco era isso e tentar confirmar o óbvio: o fato de que não haviam músicos…..”
    “…..uma colcha de retalhos, com mistura de um monte de outras músicas e um cara falando por cima: essa é a minha definição. Tá bom?”

    Às vezes, ser consultor é dureza também…. Não obstante o aprendizado e a troca de experiências, tem hora que a gente pensa seriamente em um analgésico ( Um painkiller, acho que cai melhor)…

    It’s a dirty job, but someone’s got to do it..

    Alexandre

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    • o final do seu comentário resume bem. E que dureza ouvir o treco todo….

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      • E eu agradeço muito pela aula e pela execução deste trabalho mencionado no comentário final… não poderíamos ter representações melhores… claro, o Rolf e o J.P., por exemplo, também seriam 2 nomes fáceis, além do Daniel, apenas para citar alguns… mas vocês são as grandes feras e com comprometimento exemplar com a série…

        [ ] ‘ s,

        Eduardo.

        Like

  2. É sempre uma grande oportunidade de ver o que ta rolando e também de não ver.kkkk Os comentários sempre muito concisos da dupla definem bem as obras. É muito legal. Parabéns!!

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    • Todos os consultores são grande conhecedores de música, não há dúvidas e a série mostra isso claramente. Tenho minhas ressalvas quando vejo comentários que não trazem nada sobre os discos, mas eles são exceção e nem de longe significam que determinada pessoa não entende de música.

      Mas é impressionante notar mais duas coisas a cada ano da série:

      – como os consultores em geral escrevem bem (melhor que o que se vê em revistas) e ainda por cima tem o humor nota 10;
      – como os gêmeos são geniais.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  3. Esse ano eu fiz uma coisa inédita (e que eu deveria ter feito antes em outros anos): eu ouvi todos os álbuns do top 10 na íntegra antes de postar aqui; não só para sentir na pele o que passam os consultores (“crítico” eu acho muito cafona), mas para realmente ouvir tudo o que é dito antes de vir falar besteira aqui.

    Tirando o que eu conhecia da lista, valeu por uma banda: Orphaned Land! Gostei muito do que ouvi! Descobri até que eles tocaram no Brasil (em época que era tão frequente eu ir em show como alguém pede pizza no fim de semana).

    O álbum do Exodus eu também não conhecia e a barulheira é de primeira categoria. O trash não é minha praia, mas essa areia deu pra pisar. E jogando de lado as “discussões infudamentadas” do mundo do metal, esse ano sim foi merecido o Angra ter entrado (“Angels Cry” e “Temple of Shadows” são os melhores álbuns deles, sem dúvida).

    Descobri também que Steven Wilson tem o dom de me dar sono! Álbum bonito e tudo o mais, mas manter a pálpebra aberta foi um desafio tão grande quanto à Seleção não ter tomado o oitavo da Alemanha.

    Richie Kotzen e Europe são hard rock para fãs – para mim, foi dose ouvir isso ai. Assim, como o Hip Hop do Madvillain. Esse último não tem tom, melodia e nem harmonia (é isso que caracteriza algo como música, né?!), mas tem uma piadinha no meio dos samplers com duas mulheres – a “Mary” e a “Juana”. Confesso que ri.

    Senti falta que NENHUM consultor colocou uma das melhores bandas de progressivo dos anos 2000 em suas listas. Espero que a Riverside, em 2005, com o impecável Second Life Syndrome, apareça por aqui.

    Como não resisto, segue a minha humilde lista:
    #1 Angra – Temple of Shadows
    #2 Sonata Arctica – Reckoning Night
    #3 Riverside – Out of myself
    #4 Pain of Salvation – Be
    #5 Keane – Hopes and Fears
    #6 Mindflow – Just the two of us: Me and Them
    #7 Edguy – Hellfire Club
    #8 Ayreon – The Human Equation
    #9 Dragonforce – Sonic Firestorm
    #10 The Killers – Hot Fuss

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  4. Eu sei que estou sendo repetitivo, mas não posso deixar de citar que essa e’ mais uma brilhante participação do Flavio!!! Realmente e’ um grande privilegio para todos nós termos a oportunidade de convivermos, mesmo que esporadicamente, com pessoas como o Remote e o Alexandre!
    Bom, sobre o ano de 2004… penso um pouco diferente do Flavio, afinal gosto musical e’ gosto musical e tenho minhas predileções, porem continuo admirando sua forma de pensar e escrever sobre os referidos trabalhos escolhidos no Consultoria.
    Ainda não tive tempo para poder analisar os discos do ano em questão e eleger meus preferidos, mas o que me fez escrever aqui foi um único trabalho: Angra – Temple of Shadows. Particularmente, acho esse o ultimo grande trabalho do grupo! Em minha opinião, bem superior ao Holy Land, tanto musicalmente quanto liricamente. Um disco que me emociona ate hoje.
    Recordo-me que estava no Japão no final de 2004, se não me engano este CD foi lançado por lá em setembro… e ainda em dezembro, Temple of Shadows havia sido escolhido como o disco do ano de 2004. Spread your fire, a melhor musica e também como o melhor solo de guitarra, Kiko Loureiro o instrumentista do ano. Falando por mim, me desculpem os mais patriotas, mas essa e’ uma opinião muito pessoal. Na minha vida, pouquíssimas vezes senti verdadeiro orgulho de ser brasileiro e com toda certeza, quando vi a repercussão deste álbum em outro Pais, me senti orgulhoso.
    No “obi”, aquele papelzinho que acompanha todos os cds japoneses, esta escrito na parte de traz mais ou menos o seguinte: Participação especial do musico brasileiro Milton Nascimento, com mais de 30 anos de carreira dedicados ao pop jazz brasilian bossa nova e world music super star.
    Apenas para citar um disco que acabo de me lembrar e que e’ um dos meus favoritos de 2004, e’ indicado para quem aprecia hard Rock. From The Inside, trabalho de estreia do grupo que conta com o excelente vocalista Danny Vaughn, que esteve no Waysted, banda do eterno baixista do U.F.O. Pete Way e também no Tyketto.

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  5. Bem, além do aprendizado pela lista final e algumas listas individuais dos consultores, o bom é ver aqui outros especialistas como o Kelsei e o JP esbanjando conhecimento e trazendo ótimas dicas. Eu confesso não conhecer o álbum que está no topo da lista dos dois : O temple of the Shadows, do Angra. É mais um que segue para a minha infindável lista de pendências.
    Em relação a 2004, não é apenas a “pérola” Madvillainy, mas também teria dificuldade de aturar mais uma vez o Slipknot, pois tenho muitas ressalvas ao vocal(?) da banda. O projeto de Steve Wilson me pareceu uma sombra do trabalho no Procupine Tree, que às vezes também peca pelos efeitos. Acho que o efeito de Wilson em outras bandas melhor do que ele fez individualmente ou em banda. A destacar o ótimo Damnation do Opeth, vencedor em 2003, onde Steve é peça fundamental ” por detrás das cortinas”.
    Da lista final destacaria também o Europe e o ótimo Start from the Dark. Quanto ao vencedor, é inegável a genialidade de Brian, mas acho no final das contas o Pet Sounds bem superior a este Smile, com mais altos e menos baixos em relação ao trabalho de 2004. Mas é justa a vitória , pois Brian foi um cara atemporal e fundamental para o crescimento da música pop na década de 60.

    Alexandre

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