Cobertura Minuto HM – Shaman em SP – 09/Fev/2020 – resenha

Todo show vai ser uma homenagem ao André, mas esse aqui é o primeiro! – Hugo Mariutti

Não precisa ser fã para saber como terminou o último capítulo: André Matos nos deixou em 2019.

E em meio ao turbilhão, Luis Mariutti (baixo), Hugo Mariutti (guitarra), Ricardo Confessori (bateria) e Fábio Ribeiro (teclados) resolveram continuar.

A página da história do Shaman foi virada e um novo capítulo começa a ser escrito. É ainda muito cedo para previsões, mas o grupo já tem uma música nova e, recentemente, Hugo anunciou sua saída do Viper para se dedicar totalmente à banda.  Não pode ser por pouco…

Para o papel de novo frontman temos o talentoso Alírio Netto, que também atua e toca piano. No currículo, só alto escalão: diversos musicais e, entre bandas, a (muito boa) Age of Artemis (acredito ser a mais conhecida).

E olhem só vocês: depois de tudo isso aí em cima, cá estou eu de volta onde o último capítulo tinha sido reiniciado. Presenciei a volta do Shaman com a formação original e presencio agora um novo renascer, com a turnê intitulada Nagual Fly Tour.

São Paulo. Audio Club. Noite chuvosa. Saio de casa para ir, literalmente, ao quarteirão do lado. Cheguei 19:30, com a casa em 50% ocupada. A banda de abertura, Sioux 66 (se lê “Siôuquis meia meia”, pelo que consegui entender), prevista para 20:00, entrou 19:40, bem mais cedo do que o previsto.

O som dos moleques é bom! Com um pé no rock/metal  e o outro pé em um metalcore/hardcore, as músicas próprias são todas cantadas em português. Uma cozinha bem básica, mas com solos de guitarra muito bons. Fizeram dois covers, um do Ozzy (Bark at the Moon) e um dos Titãs (Diversão). Achei que a versão do Madman, mesmo fiel, foi a que menos que encaixou no repertório, por não ser tanto parte da identidade da banda. A apresentação durou até 20:20, totalizando quarento minutos e alguns probleminhas de som que foram resolvidos na segunda música.

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Sioux 66! Vou atrás de mais coisas! Recomendado!

As cortinas se fecharam e o palco começou a ser preparado para a atração principal da noite. Por volta das 21:00, com o abrir das cortinas, Junior Carelli (tecladista do Noturnall e produtor musical) deu início a uma ótima notícia: teríamos gravação de video-clipe na primeira música, sendo que ninguém deveria gravar com celular! E, do que eu vi, a galera obedeceu. Jogaram duas camisetas da KISS FM e eu quase peguei, sendo o felizardo o cara da minha frente.

Com a Audio Club agora com cerca de 70% da casa cheia, o backtrack de Ancient Winds iniciou, mas logo foi alterado para outro som, que introduziu Turn Away como sendo a primeira música e o novo video-clipe do Shaman. A emoção dos músicos era visível e Hugo Mariutti quase perde o timing do solo, dando uma erradinha na entrada.

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“Se você veio com a pessoa errada hoje, se deu mal, porque você vai aparecer no novo video-clipe do Shaman” – Junior Carelli

As primeiras quatro músicas foram alternadas entre o Reason e Ritual, sendo que foram: Turn Away, Distant Thunder, Reason e For Tomorrow; essa última quando Alírio Netto falou pela primeira vez, visivelmente emocionado, em André Matos e tudo o que ele representou para a música. Eu fiz alguns vídeos (não vou postar todos, como a música nova, por exemplo, pois pode trazer spoiler para fãs de outras cidades que verão os shows) e vocês já conhecem todo o poderio do meu celular. Perdoem as falhas de som, pois os graves estouram…

Duas coisas tenho que dizer: os irmãos Mariutti estavam com uma energia canalisada nos instrumentos que nunca vi antes, em nenhum outro show do Shaman que presenciei (e olha que vi vários). Os bends e vibratos de Hugo estavam muito fortes (e ele chegou a derrubar o seu pedestal do microfone com a guitarra) e Luis até fazia careta de tanta força que colocava no dedilhado. A outra é sobre Alírio Netto, que cantou e tocou muito bem, o que mostra a dedicação que esse cara teve em pouco tempo de ensaios. Sim, ele teve alguns pequenos erros de letra em uma canção aqui outra ali (principalmente enquanto estava ao piano), mas nada que comprometesse. Imagina você tendo que substitui o Messi, quero ver a camisa não pesar…

O show seguiu com Time Will Come, o cover do Systers of Mercy, More (que eu não gosto), a fantástica Innocence, que traz o público para cantar a plenos pulmões e, na sequência, a nova canção, Brand New Me. Alírio enfatizou que a nova canção é mais um renascer na banda e que compondo material novo é uma das maneiras de prosseguir com o legado que o André deixou. A música é boa, mas só ouvi ela no show (alguns teasers e o refrão foram disponibilizados antes pela própria banda, mas eu preferi não ouvir, pois não gosto de ouvir coisa nova em pedaços), então não consigo dizer muita coisa, a não ser o fato de que ela é bem melódica e com boas harmonias.

E sem a introdução de Ancients Winds, deu-se início a Here I Am. Equipe do Shaman, por favor, coloque a introdução, nem que parcial de Ancients Winds, pois ela é crucial para já “aquecer” o público. Não que a galera não tenha pulado e cantado até o talo, mas a introdução instrumental é quase que parte de Here I Am e torna a sua introdução ainda mais forte, pois dá “aquela preparada” para o que vem. Quanto à execução em si, eu confesso que umidifiquei os olhos no refrão e cheguei a perder a voz. Para mim, é um dos hinos do Power Metal Brazuca e a força do refrão é algo fora do comum.

Depois da execução de Iron Soul, tivemos a entrada de Marcus Viana, músico clássico, violinista, amigo pessoal de André, que já tocou com a banda várias vezes. Ele falou ao microfone umas palavras bem bonitas sobre seu amigo e, obviamente, tocaram Fairy Tale.

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O músico e compositor clássico Marcus Viana

Eu pensei que Marcus só tinha sido convidado para Fairy Tale. Como é bom estar enganado nessas horas. Alírio trouxe a roupa de maestro que André vestia, colocou-a ao pedestal do microfone e, junto com o violinista, fizeram um Medley piano + violino sensacional, com canções do André do Viper, de sua carreira solo, do projeto Virgo e, para matar, Queen.

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Foi lindo isso aqui!

Hoje de manhã eu li que a esposa do André e outras pessoas caíram de críticas. Eu sinto pena das pessoas que não conseguem seguir em frente e acho extraordinária a homenagem, pois é o MÍNIMO que se deve fazer para um dos caras que influênciou uma geração a nível mundial. Lembrá-lo foi mais do que merecido e, acima de tudo, um agradecimento.

Marcus continou no palco ainda para a execução de Born To Be (que foi espetacular com violino) e Over Your Head. Nessa última, houve problema no equipamento do Hugo no início da música e, junto do solo de guitarra, houve solo de violino! A apresentação da banda também foi bem legal e descontraída, com Luis Mariutti tomando vinho (Jesus!) e com os irmãos Mariutti falando da escolha de Alírio para os vocais. O Luis disse algo como: “Tinha que ser alguém que fosse além do vocal! E tinha que ser alguém do rock. O pessoal gosta de falar que o André era da música clássica, mas o André era do rock! Nunca arregou um show! Gostava de cantar e correr pelo palco! Cantou muito metal por aí afora! Bem-vindo cara! (virando-se para Alírio)”.

Encerraram com Ritual, e em uma das linhas (não lembro qual), o Alírio trocou a letra pela frase “Shaman is Back”. Houve uma paradinha básica e pausa para uma cervejinha (no caso do Luis, foi engraçado ele voltar fumando onde não pode fumar).

A volta teve a execução de Lisbon, clássico do Angra do álbum Fireworks e uma nova homenagem ao André. E Bruno Sutter foi chamado para o encerramento com Pride, fazendo a voz de Tobias Sammet (da mesma maneira que ele fez 1 ano e meio atrás). Bruno cantou muito bem e eu o gravei falando sobre o show e as homenagens antes da música:

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Bruno Sutter dividindo o palco com o Shaman

O pessoal do Shaman fez a famosa foto para as redes sociais, mas acabaram não fazendo um agradecimento para o público, como fazem (acho que o alívio do peso da primeira apresentação sem o André tinha saído das costas e eles acabaram esquecendo). O melhor que consegui foi na foto abaixo:

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Um dia de cada vez, mas eu espero que o Alírio fique fixamente na banda e que façam um novo álbum somente como Shaman (tirando esse featuring Alírio Netto). Mas vamos escrever a próxima página com calma, porque a história já teve emoção além do limite e o final, acho que todos queremos, que seja feliz!

SHAMAN IS BACK!

Beijo nas crianças!

Kelsei

 



Categorias:Artistas, Cada show é um show..., Covers / Tributos, Curiosidades, Músicas, Resenhas, Setlists

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2 respostas

  1. Bastante detalhado aquele que parece ser um momento histórico

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  2. Que o Shaaman tenha uma vida produtiva no pós trauma André Matos. Ele vai fazer falta, é verdadeiramente impossível preencher de forma plena essa lacuna.
    Mesmo assim, a banda fez uma ótima escolha e merece sim ter uma sequência digna.
    Espero ter boas impressões desta sequência. Os irmãos Mariutti são monstros e merecedores de todo o reconhecimento.
    A resenha está impecável, Kelsei. Como sempre.

    Alexandre

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