Discografia Iron Maiden – [Apêndice C]: Pescando com Adrian Smith

Eu pesquei uma única vez na vida. Era adolescente. Meu tio me levou em uma represa, que não era pesqueiro, e eu só me lembro que enchemos um balde de lambaris. Da pescaria não me lembro muito. Não me marcou. Não é para mim. Mas é para Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden.

Todo fã da banda sabe que Adrian é apaixonado por pescaria. Nos bônus do DVD do Rock in Rio existe uma sessão onde você espiona o tempo livre de cada membro da banda: Janick tomando uma água de côco na praia, Bruce em um simulador de voo, Steve vendo um jogo de futebol, Dave e Nicko jogando golfe. E Adrian Smith pescando. É de longe o vídeo de extras mais chaaaato que você pode imaginar. Dá sono! Nada acontece! É só o silêncio e Adrian segurando uma vara sem pegar nada e volta e meia falando com a câmera.

E é esse silêncio que Adrian descreve no prefácio de seu livro, fechando os olhos no meio de um trânsito caótico na Cidade do México, enquanto a van que a banda está só falta dar piruetas para não chegar atrasada ao show que o Iron Maiden deveria fazer em pouco tempo.

Monsters of River and Rock – My Life as Iron Maiden’s Compulsive Angler foi lançado em Novembro de 2020 pela BMG Books e ainda não tem tradução nas livrarias tupiniquins. E é óbvio que essa pessoa que vos escreve comprou o livro, o leu e está aqui trazendo o supra sumo do resumo de tudo de interessante que existe em suas 290 páginas, criando um novo apêndice na Discografia do Iron Maiden, assim como fiz com o livro de Bruce Dickinson.

A primeira coisa que você precisa saber é que realmente o livro é sobre pesca e como Adrian Smith é realmente apaixonado pelo esporte. A narrativa até começa com o guitarrista criança, descrevendo a Londres antiga e como seu pai levava os filhos para pescar nos lagos locais. Porém, o livro não segue uma ordem cronológica. Adrian separou os capítulos, literalmente, por peixes. Cada grupo de páginas descreve uma determinada aventura do guitarrista em alguma parte do mundo para conseguir pescar uma determinada especie. E é impressionante a quantidade de detalhes. Muito além dos nomes dos lagos e chalés, Adrian detalha a fundo os tipos de equipamentos usados, as iscas, os alarmes, as “brigas” com cada peixei. E, por incrível que pareça, a narrativa muitas vezes é engraçada e prende a atenção (outras é chata que só, mas é uma minoria).

E é no meio das paisagens, lagos, varas, equipamentos, silêncio e muito chá, que Adrian resolve comentar alguma coisa fora do mundo da pescaria. E é aí que entra o meu interesse: detalhes de composições, turnês e curiosidades que não temos registro a não ser pela visão do, na minha opinião, melhor guitarrista da banda.

Então aqui começamos o apêndice terceiro da discografia, com algumas informações bem interessantes para que você não tenha que passar por páginas e páginas movidas à barbatanas e muito cheiro de peixe. O aglomerado de informações está em ordem cronológica e eu não usei bullets nos parágrafos para não ficar mais 1 ano brigando com o WordPress e sua fantástica ferramenta de formatação de texto.


Todo mundo sabe que os guitarristas Adrian Smith e Dave Murray se conhecem da época de colégio. Agora, até então, eu nunca tinha achado um registro tão antigo, com os dois na pré-adoslencência:

Adrian gostava de fuçar nos discos da irmã. Foi graças à ela que um tal de Machine Head deu sentido ao futuro do então nada guitarrista.

Foi através de Dave Murray que Steve Harris convidou Adrian Smith para um teste para entrar no Iron Maiden (que na época já estava sem Dennis Stratton). O primeiro convite foi negado, pois Adrian queria compor e cantar, o que estava dando certo para ele em sua primeira banda, o Urchin. Quatro meses depois do primeiro convite, as coisas não estavam indo muito bem para Adrian, que estava andando à pé por não ter dinheiro para ônibus. Em um ponte, em alguma parte de Londres, Adrian trombou com Dave e Steve, que fez um segundo convite, que também foi um ultimato do baixista. Dessa vez, Adrian aceitou.

O baterista Clive Burr também gostava de pescar e acompanhou Adrian em muitas pescarias. O guitarrista descreve as farras de Clive durante os pubs e hoteis como algo além da imaginação humana: “…falar que Clive pegava pesado é pegar muito leve. Precisaria de um livro a parte para descrever as maluquices que esse cara fazia”. (tradução adaptada de minha autoria)

Adrian relata muito explicitamente problemas com cocaína durante os primeiros anos de Urchin até a época das gravações de Powerslave. A causa maior que ele coloca era a timidez e a dificuldade de se enturmar. As coisas só foram melhorando quando ele conheceu Nathalie, que é sua esposa até hoje. Adrian à conheceu no casamento de Dave Murray.

A construção da música Stranger in a Strange Land, do Somewhere in Time, foi baseada na exumação do corpo do tripulante John Torrington, que foi exibida na televisão britânica e impressionou Adrian devido aos detalhes humanos que o jovem ainda possuia (na verdade, impressiona qualquer um – leia aqui a uma das materias relativas à Expedição Franklin, porque eu não vou deixar uma foto da múmia explícita aqui no post). De longe, essa informação valeu o livro!

Durante uma de suas viagens (acho que foi para o Canadá) com sua mulher, na década de oitenta, Adrian comprou dois CDs em uma casa de estrada, onde um deles se tornou a principal influência para a composição do material que viria a se tornar o projeto ASAP. O guitarrista é Kim Mitchell, com o álbum Akimbo Alogo. Confesso que gostei bastante. Ouve aí:

Adrian tocou com Michael Kiske antes de se juntar à Bruce Dickinson, no álbum Instant Clarity, de 1996. Talvez muitos conheçam isso, mas, se você é como eu, que não acompanhou a carreira solo do maior vocalista que o Helloween teve, então também é novidade para você. Adrian tocou (e participou da criação) em três faixas: The Calling, New Horizons e Hunted, inclusive tocando junto de Kai Hansen. Segue uma das faixas:

Durante as gravações do álbum Dance of Death, Adrian Smith e Janick Gers foram surpreendidos pela presença de Noel Gallanger, vocalista da extinta Oasis, que fora visitar alguém no mesmo estúdio. Janick resolveu mostrar o local de gravação da banda ao britânico encrenqueiro. “O estúdio é um local sagrado para a banda. Entrar no estúdio de gravação é como entrar na sua casa. Eu estava feliz só em dizer ‘oi’ ao cara, mas o Janick … ah não o Janick! Vocês não tem ideia da cara do Steve quando o Janick entrou com ele dentro da nossa sala e começou a mostrar as guitarras” (tradução adaptada de minha autoria).

Adrian tinha um problema no tendão de Aquiles e por muito tempo ele tocou com dor. Esse era um dos motivos que fazia o guitarrista correr menos pelo palco. Na época do The Final Frontier, quando houve uma pausa na turnê, Adrian foi operado. O guitarrista não data de quando o problema foi diagnosticado e quando as dores surgiram.

O EdForce One da turnê do The Book of Souls quebrou na América do Sul, entre Argentina e Brasil. Até aí, ok. O que eu não sabia é que tiveram que chamar uma equipe da Finlândia para consertarem a parte elétrica da aeronave.

E para fechar, não poderia deixar sem uma foto com o que mais há no livro: peixes e mais peixes!


Se você precisar de vocabulário de pescaria e nomes de peixes em inglês, pode me procurar!

Beijo nas crianças!
Kelsei



Categorias:Discografias, Iron Maiden

1 resposta

  1. Bem , aqui , entendo , há duas constatações bem óbvias:

    1 – Precisamos separar ” o joio do trigo” , a não ser que o leitor comungue da mesma paixão de Adrian com a pescaria.

    2 – Esse post tornou-se por tabela um atestado incontestável da admiração quase canina de Kelsei pelo genio Smith.

    Parabéns, Kelsei, Adrian deveria ser notificado disso.

    Em relacao as informações do post , eu nem imaginava a relação de Adrian com drogas, embora eu entenda hoje a relação com a sua timidez. Faz todo o sentido. Essa foi a minha maior surpresa, rodeada dos lambaris em profusão.

    Valeu!

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