Discografia HM – Meu tardio agradecimento para 2022!

Nunca que um planejamento dá certo! A ideia do que eu criei em 2021 era para ter ficado por lá, mas se no ano passado eu quase fui entubado pela COVID, em 2022 eu tive uma hérnia de disco que precisei operar. Adicionalmente, depois de quase 10 anos, Ana Luiza vai ganhar uma irmã, a Alice, que fez com que todas as minhas energias fossem concentradas em encontrar lugar no apertamento (com ‘e’ mesmo) aqui de casa.

Todos os momentos que consegui usar para o blog foram focados nas resenhas dos shows que fui no ano, que foram muito gratificantes. A lista completa o presidente vai colocar ou no post do final do ano ou no do aniversário do blog. Eu sempre confundo e não vou atrás de aclarar, pois quanto mais dúvidas for possível de gerar, mais o Rolf se embanana e mais divertido fica!

Então, dado tudo isso (e considerando que o B-side pediu), vou repetir o que fiz no ano passado e vou deixar aqui um apanhado de álbuns lançados em 2022 que precisam de destaque. A próxima marcha foi engatada na retomada do mundo pós-covid e não tinha como não agradecer à 2022 pela leva de excelentes álbuns lançados, assim como algumas poucas decepções, que você mesmo pode ouvir e tirar suas conclusões.

E não, os álbuns não obedecem ordem alguma (a não ser uma coisa ou outra colocada propositalmente).


Shaman – Rescue

Esse tinha que ser o primeiro da lista! Era o álbum pedra cantada em 2021, com lançamento já anunciado à época. O resgate da banda após a morte de André Matos. Novas composições pelo novo time, agora com Alírio Neto oficialmente nos vocais. Óbvio que eu trouxe esse álbum para o pessoal ouvir no podcast! Óbvio que o presidente odiou! Rescue é um power-metal fora das linhas harmônicas convencionais do estilo (não tem bumbo duplo ultra sônico em toda faixa), mas tem refrão alegre, tem piano com guitarra, tem um Luis Mariutti tocando uma barbaridade, voltando a criar linhas de tapping. No todo, é um álbum que tem algumas senoides baixas, mas passa de ano sem dificuldade. Ao vivo, não funcionou na íntegra (no show em São Paulo reportei muitos problemas de som, o que ajudou na torcida do nariz), mas tem faixas para ficarem em todas as turnês da banda, como “The I Inside” e “Brand New Me”.

Tears for Fears – The Tipping Point

Tem gravadora no pé de banda para lançar álbum de dois em dois anos. Mas não aqui. Não para esses caras. Eles não precisam disso. E dezoito anos depois, Roland Orzabal e Curt Smith, heróis de infância de muitos, se reuniram para lançar The Tipping Point. Os reis do pop! O pop de verdade, bem longe do Mainstream! Aqui o “do, ré, mi” soa diferente. Soa criativo! Soa com alma! Ouça a beleza em “Rivers of Mercy”! Sinta a paz em “Please Be Happy”! Cante o refrão de “Long, Long, Long Time”! Obrigado Tears For Fears!

Megadeth – The Sick, The Dying … And The Dead!

Bons solos! Boa produção! Mas para uma banda presente no Thrash Metal faltou muita coisa, principalmente o Thrash Metal. O Kiko é um dos meus heróis nas guitarras, mas ainda acho que ele não combina com a banda. As bases não são sujas e feitas com muita técnica, e isso é algo ruim no estilo. Também deu para sentir a voz do Dave pedindo força. No final, você ouve um bom álbum de uma banda que você não diria ser o Megadeth.

Envy Of None – Envy Of None

Quando fiquei sabendo que Alex Lifeson estava trabalhando em um novo “projeto”, os pelos até arrepiaram. Mas quando eu ouvi Envy Of None foi a maior água na cerveja! Que chute nos culhões! Eu trouxe a menção desse álbum aqui porque ter uma pessoa da importância e da idade do Alex ainda trabalhando em músicas novas é algo louvável! Mas passe longe.

Ghost – Impera

A banda do momento para as revistas do estilo lançou álbum novo e esse que vos escreve esperava muuuuuito por algo superior ao muito bom Prequelle, de 2018. Impera ganhou tudo quanto é título de “melhor álbum” em 2022, mas eu torci o nariz. O clima sombrio e denso foi varrido para debaixo do tapete, dando lugar a melodias muito mainstream. Para quem cantava de galo por anunciar as trombetas dos portões do inferno, caiu uma água benta nos instrumentos…

Stratovarius – Survive

Os finlandeses são mais um exemplo de banda que possui “fases”. Com o guitarrista Timmo Tolkki era uma banda. Sem ele, é outra. Acompanhando a banda nesses últimos 25 anos, já não é de hoje que digo que a voz do Kotipelto já era. Tanto que nesse novo lançamento não é incomum ouvirmos efeitos vocais para disfarçar a falta de potência de sua voz dos tempos de outrora. Entretanto, a banda entrega um álbum competente dentro do estilo e me agradou bastante. Coloco-o facilmente em destaque na discografia da “nova fase” da banda.

Marillion – An Hour Before It’s Dark

Dica para sua existência valer a pena: consiga 1 hora da sua vida, se tranque no quarto, coloque esse álbum e se deixe levar pelas nuances musicais que o Marillion entrega nesse sensacional disco. Gênios!

Sonata Arctica – Acoustic Adventures (Volume 1 and 2)

Começou com um streaming ao vivo para levantar fundos durante o início da pandemia e culminou com dois álbuns lançados no mesmo ano. Dois álbuns acústicos! Sabemos que bandas de metal ao fazerem um unplugged sempre é pisar em rio congelado: um passo errado, o gelo rompe e você morre congelado. Às vezes o problema é a adaptação da canção, às vezes é o fã que não aceita a ideia. Eu poderia inclusive falar de acústicos de bandas famosas que, para mim, nunca deram certo – talvez isso dê um post. Mas, especificamente da discografia do Sonata, acho que eles souberam escolher o que deixar acústico. Algumas músicas tiveram arranjos completamente novos. O vocalista e líder Tonni Kakko deu uma entrevista dizendo que essas músicas deveriam ser como são nesse projeto, mas que a banda teve que lançá-las “power metal ultrassônico” por imposição da gravadora à época. Só essa “justiça” já fez os álbuns valerem a pena.

Scorpions – Rock Believer

Álbum que está na nossa lição para o podcast de número 52! Esse aqui eu nem vou falar nada para não influenciar nas audições do pessoal do blog, que comparecerão em peso no podcast para não ganharem aquela camiseta regata do Rolf! Só de termos o Scorpions lançando novo álbum de estúdio em 2022 já é algo de se aplaudir de pé! Vida longa ao rock!

Arch Enemy – Deceivers

Senhor álbum! Do Ursinho! Muito peso! Criativo! Uma música mais legal que a outra! Michael Amott está espetacular nas seis cordas, com muita versatilidade! Eu não esperava um álbum com tanta qualidade pelos suecos e cada audição me surpreende ainda mais! Um dos melhores álbuns do ano, fácil fácil. Para mim, só perdeu para o que está aí embaixo.

Blind Guardian – The God Machine

Se reinventar é algo muito difícil! Se reinventar após os cinquenta anos então, nem imagino! Perto de completar 40 anos de banda, os alemães do Blind Guardian lançaram um álbum memorável! The God Machine, para mim, desbancou o perfeito Nightfall In Middle Earth e entrou no podium da discografia dessa que, para mim, é uma das melhores bandas do mundo. Assim como é minha relação com muitas bandas, eu já tinha jogado a toalha pelo Blind Guardian há muito tempo, esperando eles virem ao Brasil para ouvir os clássicos. Em 2023 eles pisarão em São Paulo, bem pertinho de casa, e o que eu mais quero é ouvir o máximo possível de músicas desse álbum. Mataram a pau!


Sim, faltou ainda muita coisa! Dava para colocar mais uns dez álbuns com tranquilidade aqui (a volta do Wizards, Rammenstein, Muse …). Já estou aquecendo a voz para o novo do Metallica e o novo do Angra!

Em 2023 meu tempo será muito dedicado a um bebezinho que chegará em Janeiro, mas eu espero poder acompanhar os lançamentos desse próximo ano. Aos leitores e amigos desse inigualável blog, muita saúde, paz e metal! Tudo de bom para vocês!

Hoje é Natal! Bora comer panetone que em algumas semanas teremos o meme do Moises abrindo o mar morto e embaixo escrito “que venham os boletos”.

Beijo nas crianças, adultos e velhinhos!

Kelsei



Categorias:Artistas, Curiosidades, Discografias, Ghost, Marillion, Músicas, Megadeth, Resenhas, Scorpions, Shaman, Stratovarius

6 respostas

  1. Kelsei, mais um excelente post. Fiquei com muita vontade de ouvir o Marillion e o Blind Guardian, após ouvir duas bandas de coração: Megadeth e Scorpions ( com a menção da camiseta cinza). Eu só agradeço pelas resenhas que fazem um norte perfeito!
    Agora uma pergunta: se vc tivesse que eleger apenas 02 álbuns em 2022 quais seriam?

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    • Começa com o Marillion. Blind Guardian é Power Metal!

      Só dois?! Eu vou ter que eleger um com a emoção e outro com a razão: Arch Enemy e Blind Guardian!

      Em 2022 também tivemos novo single dos Los Hermanos, inédito (se chama “Corre Corre”), algo que não saia há muitos anos. Eu pensei em trazer a música pra cá, mas primeiro que não é escopo do blog e segundo que não é um álbum, é só um single. Foi o streaming mais escutado por mim, segundo minha retrospectiva do Spotify. Quem sabe não vem mais um álbum para resenhar em 2023?!

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  2. Realmente (mais um) excelente post, sempre muito direto ao ponto e conciso, mas com os detalhes necessários.

    Boa, Kelsei – vou tentar o Megadeth e olha lá, hahaha…

    E sim – bora para a Retrospectiva 2022!

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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  3. Fala povo, bem ausente eu estou por aqui, hein….. pois é…. mas é muito bom voltar e ler um post retrospectiva como esse. Muito mais do que o material em si ( o que é um pena , aliás) o post vale em muito pela qualidade da escrita e pela paixão e entusiasmo do autor que salta pelas letras.
    Em relação aos álbuns, até agora vou de Scorpions e é isso. Outras saudáveis indicações dos acima são Tears For Fears, Megadeth , Marillion e Shaaman. Álbuns que estão na categoria de bons trabalhos que não me motivaram a ouvir muito mais . O Shaaman eu acabei ouvindo bem mais ,mas foi para o podcast, então não vale.
    Tô tentando dar um chance para o novo Queensryche sair dessa lista acima ( eu acabei de incluí-lo). Pode ser que sim, pode ser que não.
    Um pouco ou muito disso deve ser por que eu tenho me motivado cada vez menos em ouvir novos trabalhos ( que em grande parte revivem o passado, sem o frescor deste).
    Assim, novamente seguem muitos e muitos elogios para o Kelsei !
    E que venha a Alice para a alegria de todos na casa !

    Alexandre

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