Cobertura Minuto HM – Keynote do Bruce Dickinson no VTEX Day 2018 – parte 2 – resenha

Chegando para a resenha desta terceira palestra em São Paulo de um Bruce Dickinson versão “entrepreneur”, vou tentar não me alongar muito já que se você tiver lido a resenha da Campus Party 2014 ou da FEBRABAN 2015, temperando com o que escrevi quando do lançamento do livro dele em Londres em 2017, você pode ter certeza que cobriu mais de 95% do que escreverei abaixo.

O início, previsto para 12h30, fez praticamente o evento inteiro parar para que entre 12h00 e 12h30, as (milhares?) cadeiras do local estivessem tomadas. Digo “milhares” não consigo estimar exatamente a quantidade, mas posso estimar aqui grossamente que eram algo em torno de 4.000 lugares.

O início se deu, como vimos na parte 1 desta cobertura, com vídeos de grandes líderes. Fiquei pessoalmente muito feliz em ver que a produção trouxe um pouco das frases e histórias de Ayrton Senna como o primeiro destes. Ao final, um vídeo de ump rojeto social vindo do Nordeste, da bonita Salvador, cujo maestro, que é membro do Stomp, de NY, faz um trabalho espetacular com comunidades carentes para trazê-los para o mundo da música.

Esse projeto, voltado à percussão, logo após o vídeo ganha o palco e toca por 30 minutos. Eles tocam, dançam, tem coreografias. Muito legal, muito bonito. Apesar disso, minha crítica vai para o seguinte: eles poderiam ter aberto o evento desta forma, mas antes das 12h30. Eu, por exemplo, estava na fila, sem ir ao banheiro, depois sentado, idem, no clássico horário do almoço brasileiro, e ali foram 30 minutos até o início do Bruce. Vi muita gente perder o foco ali e levantar as sobrancelhas já em tom de “ok, já deu”. Uma pena, pois era um projeto legal, ainda que não tenha combinado com a abertura que seguiria, com um instrumental de “Invaders”. Fiquei pensando naquilo como algo que atrasaria o restante do evento também. Por fim, era tudo previsto, pois a palestra do Bruce, que imaginei que fosse durar 1h30, durou, britanicamente, uma hora.

O que tentarei aqui contar é um resumo, portanto, da palestra que, ainda que não igual, trouxe os mesmos elementos das oportunidades citadas no início deste post. Mas sim, Bruce deu uma “revigorada” em alguns dos exemplos – alguns, apenas – comentando brevemente sobre “criptomoedas”.

O início, portanto, foi com aquela frase de efeito de que ele odeia clientes – afinal, clientes olham um produto e vão embora, não tem compromisso. O fã, não. Transformar um cliente em fã, ou seja, ter um relacionamento faz você ser melhor e ficar mais feliz. Bom, tenho que, pessoalmente, confessar que é exatamente o que faz eu ir às palestras dele… sou um fã, não um cliente, independente de qualquer coisa. Bruce então dá o exemplo de um time de futebol, no qual ninguém para de torcer pelo time mesmo que você saiba que vai perder todos os jogos até você morrer. Há um senso de união, de comunidade, de relacionamento, de fidelidade.

Ele passa então sua experiência em fazer as coisas em vida real. Neste momento, noto o primeiro sinal de atualização da sua apresentação, em uma clara mescla entre o PPT que ele usava + o PPT usado no lançamento de seu livro. Ele traz, então, o slide com a foto com seu “Uncle John”, já visto por mim em Londres e contado no link do início do post, e o slide da foto da carta da professora com sua expulsão da escola quando ele urinou no jantar do diretor. Os detalhes já foram contados e Bruce, como moral da história, aborda que nem sempre o que os outros te falam é o que vai acontecer – para o bem ou para o mal.

Noto então que Bruce deixou mais claro a URL das fotos, esta aqui, que se trata basicamente de como contactar seu staff para trazê-lo para sua empresa e dar esta palestra. Mas, além disso, o site traz entrevistas, testemunhos, e até um blog do que anda acontecendo, como o início nos cinemas do Reino Unido do Scream For Me Sarajevo. Eu, particularmente, nunca tinha dado atenção a esta URL e passarei a acompanhá-la. E, quem sabe um dia, o Minuto HM não o traz? Basta só o dinheiro, o resto, já temos tudo, imagino.

Voltando à palestra, Bruce então começa a abordar sua carreira na parte que o conhecemos mais, a música. A primeira banda, que ganhava, segundo ele, USD 30,00 por semana (o Samson).  Depois, abordou que o sucesso absoluto depois de apenas 1 ano no Iron Maiden, o fez ficar deprimido, porque sua vida seria sempre a mesma: fazer um álbum, tour, viajar e, basicamente, morrer depois. Aí ele pensou o que poderia fazer para manter seu cérebro ocupado.

Bruce então volta a usar seu slide “clássico”do celular Nokia, que ele faz questão de tirar do bolso também, dizendo que ele carregou a bateria “no último ano”, em um claro comentário de como hoje em dia somos escravos das baterias que não duram nada. Ele o usa para “conversar com pessoas” e aproveita para criticar que as pessoas não se comunicam mais, fazem apenas broadcasting e isso não é comunicação, é como ver TV, e que gente na mesma sala no trabalho mandando mensagens e e-mails…

Então Bruce traz mais slides já usados em apresentações anteriores, como do míssil teleguiado que ele queria construir e que, no Texas (EUA, em 1984, se podia entrar em um hotel que ninguém questionaria nada (aquelas piadas que americanos riem, mas nós não), além de suas aventuras com a esgrima, que ele considera o esporte mais difícil do mundo. Bruce então continua sua linha de pensamento sobre manter-se ocupado e traz seu emprego na encerrada Astraeus (2002-2011), além de comentar que negócio se faz com muita observação, trazendo então o slide do “mosquito”, onde ele diz que há muitos mosquitos espalhados nos eventos e salas, esperando para se encontrarem e finalmente estabelecer-se uma comunicação / relação.

Dickinson então traz (novamente) o case de locomocação de Jimi Hendrix, trazendo a história de como ele se locomovia antes, e que o Maiden também tinha um problema de locomoção. Perguntando à plateia quem era contador ali (aparentemente, ninguém levantou a mão), ele disse que contador sempre diz “não”, e é necessário então contornar essa situação. Com a banda querendo chegar a qualquer lugar do mundo, “ter” seu próprio avião fazia cada vez mais sentido. Ah! Teve uma piada nova: ele disse que se o problema não fosse resolvido, que os fãs iriam buscar outra coisa – “they were going to buy MetallicA records, for God’s sake”. Ahhhh, a velha rivalidade… Bruce sempre “brincando” com o tema Iron Maiden x MetallicA.

Ele relata então como o sucesso do avião os ajudou a conseguir até mais visibilidade, por exemplo, com a atenção ao avião mais fotografado do mundo, cobertura das grandes mídias tradicionais etc. Depois ele disse que, com a empresa anterior (Astraeus) não vingando, que ele queria abrir uma nova airline, mas que não tinha dinheiro. A empresa em questão é a Cardiff Aviation. Então ele menciona que as empresas áreas quebram pois elas têm aviões [nota por Eduardo: faz bastante sentido este comentário]. E ele queria ter aviões sem ter dinheiro. Então Bruce comenta como ele transformou a empresa em MRO (termo técnico da aviação para Maintenance, Repair & Overhaul) – a empresa área, com muitos aviões velhos ou parados, muitas vezes não tem clientes para todos os aviões e é aí que ele entra. Bruce também menciona que a Cardiff está treinamento novos pilotos.

Bruce entra no tema de como ter atitude para lidar com falha / erro. De como ser entrepreneur vai fazer você errar uma ou mais vezes e que tudo depende de como você aprender e começa de novo, ou modifica sua ideia, se adapta. Ele solta uma frase que não é dele: “nenhum plano sobrevive seu primeiro contato com seu inimigo”. Ele aproveita também para mostrar fotos pilotando uma réplica de um avião da WW1, no qual ele elogia o design e a engenharia da aeronave (ainda na linha “manter-se ocupado”).

No meio da situação instável com a empresa, ele descobriu o câncer. No começo da palestra, lá na foto com o seu tio John, ele havia dito que nunca se deve deixar crescer um bigode em tom de piada. Então, ele diz que, em um ato que nunca tinha feito antes (tirar uma selfie), ele tirou uma, apenas esta, com um bigode. Ele comenta que fez esta foto como uma reação ao câncer.

Então Bruce aborda a questão do câncer e que o mundo não pararia porque ele tinha um problema.

Com sua recuperação, Bruce contou a missão em um país africano, onde foi criada uma empresa para levar alimentos para uma região devastada por guerra, Djibouti. A empresa criada foi a Air Djibouti, hoje com o comando passado para as autoridades locais, e é uma empresa com 3 anos. Foi uma linda missão que poderia ter arrancado alguns aplausos do público – que não vieram – imagino que por uma questão do inglês e do sincronismo da tradução simultânea.

Outro case trazido é do Airlander, o maior avião do mundo, e como começou a ideia para levantar dinheiro para fazer o Chemical Wedding (o filme, não o álbum). Há um vídeo abaixo mais ou menos deste momento, com Bruce explicando como surgiu a ideia para se envolver com o projeto do Airlander, a negociação, etc:

O final do vídeo acima mostra o drone de comida que a empresa dele ajudou a fazer voar… ele aborda que,  quando vê desastres na TV, com pessoas precisando de comida em lugares inacessíveis após desastres ou guerras, ele pensa no projeto funcional do drone.

Ele entra no assunto da criação da cerveja Trooper, inicialmente abordando que a ideia original que lhe deram era para a criação de um vinho tinto, mas que a banda queria uma cerveja, mas não apenas colocar o rótulo em uma já existente, e sim ter a sua própria… enfim, também nada novo. Bruce então faz um paralelo que, hoje em dia, as bandas não vendem mais discos, mas vão bem ao vivo, acabam vendendo pouco, que a música é de graça hoje em dia, mas a camiseta é USD 100,00… e que tudo, no final, é sobre pessoas, “stupid” :-)…

Também traz que as gravadoras estão indo mal e que não se adaptaram, e as gigantes das indústria indo mal e mal… mas traz o lado que as pessoas ainda querem coisas físicas ainda, como o vinil, porque é bonito, porque é bom ter. Ele também abordou que o mais recente álbum da banda é duplo, e que com ele dá para beber muitas Troopers (fazendo um comentário irônico que a cerveja se compra, não se faz download). Por fim, mostra também a evolução das Troopers, que ganhou variações em seus 5 anos de vida, como a Red ‘N’ Black e a Hallowed. Vídeo abaixo traz um pouco disso:

Ah! Bruce aproveitou pra confirmar que o Iron Maiden não volta ao Brasil em 2018, mas que tem dúvida para 2019…

Ele ainda “jogou” um monte de coisas para o final – ele encerra sua keynote versão 2018 falando da  linha de relógios de aviador exclusiva com seu nome, com apenas 666 (…) unidades (para quem o tiver se sinta “especial”), que saiu de uma conversa com um francês responsável pelo design do relógio lá pelas alturas que a bebida começou a fazer efeito. Ele traz a clássica foto no Rock in Rio 1985também fala de sua biografia e ele também fala do lançamento do jogo Legacy Of The Beast, último lançamento do Iron Maiden.

Aqui o final da palestra em vídeo:

Minha conclusão: sempre vale a pena, ainda que, no meu caso, após ver ele dando esta palestra 2x e o lançamento do livro, não “agregue” muitas novidades. Mas ele mesmo diz: “transformar clientes em fãs”. É, um fã está sempre lá, curtindo e admirando esse grande cara. E, por isso, como disse, valeu cada segundo.

Para terminar: o evento foi bem organizado – critico apenas o esquema de alimentação que, além de ABSURDAMENTE caro, não proporcionou muito conforto com mesas em quantidade suficiente para acúmulos como durante o intervalo da palestra do Bruce para a entrada da palestra do Marc, fundador e ex-CEO do Netflix (ótima palestra também, por sinal). No final, valeu, ainda que há espaço sempre para melhoras na organização em geral e no treinamento dos funcionários que ali trabalhavam.

E Bruce, até 2019 com o Iron Maiden, talvez. Ou com sua keynote 2019, 2020… ou sei lá como. Até já, de qualquer maneira. Um cara com tanta energia sempre afloram a inspiração e admiração.

[ ] ‘ s,

Eduardo.



Categorias:Artistas, Curiosidades, Iron Maiden, Jimi Hendrix, MetallicA, Off-topic / Misc, Resenhas

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4 respostas

  1. Que riqueza de detalhes. Você estava com a tradução simultânea e foi anotando tudo? Esses nomes dessas empresas eu esqueceria fácil ….

    Volto a dizer aqui o que eu sempre digo: O Bruce como palestrante, é um ótimo cantor. Eu falei pro Rolf e pro Villas que a palestra ia ser semelhante a que vimos na Febraban (sim, eu também estava lá).

    Com certeza a palestra é mais para fá do Bruce do que para algum empreendedor que queira ouvir algo inovador. Bruce não trás essas coisas ao palco, no meu ver. Acho que essa parte “fã” minha do Bruce como palestrante eu vou ficar devendo …

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    • Kelsei, valeu e não, não usei tradução simultânea… eu já acostumei com a voz do Bruce “falando” também, hehehe. E as empresas eu já conhecia… e um pouco de background em aviação me ajuda a entender os termos mais técnicos, como MRO.

      Não vou discordar do restante dos comentários, ainda mais que você já viu uma das palestras. Eu acho, entretanto, que assistir 1x vale. Mais de uma, é mesmo um exagero, especialmente para quem não é fã. Bom, no meu caso, assistirei quantas eu puder, mas não é normal, eu concordo.

      [ ] ‘ s,

      Eduardo.

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  2. Muito bom sua avaliação, deu para perceber que vc não estava com tradução simultânea, eu usei, pois não queria não quis perder nada, mas na verdade perdi muito, vamos lá aprimorar o inglês para a próxima. Sobre a critica sobre alimentação, sei que conforto e barriga cheia é bom, mas como conhecia a dinâmica do evento em si, levei lanchinho para não perder nada na hora do almoço, e almocei mesmo as 4 da tarde hehehe. Olhando a palestra como empresária achei válida sim, principalmente sobre o olhar que nunca para, observar o todo, procurar soluções, empreender sempre, não acreditar no não, enfim, gostei, a Vtex está de parabéns pelo evento.

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