Os alavanqueiros (e a homenagem ao maior de todos os tempos)

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Amigos do Minuto HM, volto por aqui nesta pandemia sem data para terminar para trazer um pouco de caos e altas frequências nos exemplos que conheço dos guitarristas que mais usam e abusam dos efeitos de uma alavanca móvel. Então, se você gosta mesmo desse nosso gênero musical tão amado, vá buscar um fone de ouvido e não vale botar o áudio em menos que 100% do volume… se você fizer isso, sei não hein, vá ouvir pagode e desiste dessa parada.

Antes, porém, de trazer os exemplos abaixo e deixar o espaço aberto para quem quiser contribuir outros exemplos de barulheira com qualidade nos comentários, faço antes um registro histórico importante daqueles que começaram a desafiar as altas frequências do instrumento. O ponto de partida não poderia ser outro que não o primeiro e até hoje considerado pela imensa maioria dos apreciadores o maior do instrumento. Hendrix (ainda sem poder utilizar da ferramenta mais útil para um guitarrista que deseja se aventurar pelo caminho das alavancas – a alavanca flutuante do tipo Floyd Rose) foi quem mostrou ao mundo por onde a guitarra poderia se aventurar e um dos exemplos mais clássicos dessa busca é justamente o hino nacional americano. Abaixo a perfomance de Hendrix em Woodstock (“start” mais clássico, impossível):

Eddie Van Halen é considerado pela maioria atrás apenas de Hendrix, portanto segundo maior guitarrista de todos os tempos, sua inventividade já foi descrita aqui no blog com bastante propriedade. Ele é um dos primeiros a usar as Floyd Roses e é chover no molhado dissertar sobre sua qualidade. O que se segue é aqui uma pequena homenagem trazendo um breve registro de Eddie nos bastidores mostrando dois de seus truques com a alavanca:

Até aqui o objetivo foi fazer um necessário registro histórico aos que considero precursores dos caminhos “alavanqueiros”. É certo que há outros bons exemplos nos primórdios do aventurar-se por tais caminhos dissonantes, me vem de cara a lembrança do grande Ulrich Roth, que sempre foi altamente influenciado pelo próprio Hendrix, mas aí essa lista não ia parar mais.

Aliás, cabe aqui também um outro registro, do uso da palavra “alavanqueiro” neste blog, que é de precisa autoria do Rolf, que sabe como poucos definir um propósito. Ao Rolf, obrigado pela inspiração e pelo uso da expressão.

E agora sim, seguem abaixo 5 exemplos dos guitarristas que me vêem à mente como expoentes do uso das alavancas, suas cacofonias, suas altas frequências, seus “dive-bombs”. A escolha dos vídeos, deixo claro, baseou-se em trazer também imagens dos escolhidos em ação, assim deixei de lado as versões de estúdio de canções igualmente relevantes da carreira deles, pois teríamos apenas o áudio. Vamos lá:

 

1. Vernon

VERNON

O primeiro exemplo é interessante pelo fato de que nem toda a saudável ” barulheira” que o mesmo executa vem do uso das alavancas. Isso por que considero que Vernon Reid tem uma espécie de “alavanca embutida” em suas mãos, de onde saltam solos que são de uma expressão absurda, misturando virtuosismo, velocidade e sim, sujeira. Sujeira essa que faz de Reid uma espécie de alavanqueiro em dose dupla, às vezes usando a própria alavanca de suas guitarras, às vezes mostrando as suas ” alavancas embutidas “. E às vezes tudo junto. Uma autêntica maravilha, como se pode observar abaixo :

Aqui em Desperate People, eu sugiro avançar os primeiros 50 segundos e se deleitar com a “marca” Vernon Reid.

 

2. Vernon

KK DOWNING

Vou agora trazer um exemplo de um guitarrista que já estava na ativa bem antes de Eddie Van Halen, por isso podemos entender que sua maior influência é possivelmente o ícone Hendrix mesmo. K.K. Downing que mostrou ao mundo o que é um dos maiores exemplos de dupla guitarrística junto a Glenn Tipton. K.K. se diferenciava de seus parceiro Tipton( para mim, um dos melhores no instrumento de todos os tempos) por ser o “mais barulhento” do Judas Priest. Um saudável barulho, diga-se de passagem, como podemos ver nos exemplos das faixas Sinner e Victim of Changes (esse com uma inicial ótima participação mais clássica do parceiro Glenn).

 

3. Dimebag

DIMEBAG

O terceiro exemplo da lista sempre citou Van Halen como sua maior influência no instrumento e vai deixar muita saudade. Dimebag Darrell sempre usou como muita propriedade as suas icônicas guitarras Dean, em todas as facetas das bases e solos, dedicando generoso espaço para o ótimo uso das alavancas. O final de clássica faixa Cemetery Gates deixou também um legado de uma técnica chamada “squealing”, onde o uso da alavanca é feito trazendo a mesma para parte de trás do instrumento. Não acredito que seja Dimebag o precursor do efeito, mas certamente é ele um dos maiores exemplos do espetacular uso dessa técnica, como se vê abaixo.

Podemos ouvir no vídeo abaixo os “squealings” a partir de cerca de 5 minutos. O solo principal, mais melodioso inicialmente e igualmente espetacular em seu desenvolvimento, está em cerca de 3 minutos e meio:

Aqui, já no Damageplan, o saudoso Darrell tentar explicar em detalhes o uso da técnica:

 

4. Gillis

BRAD
O quarto exemplo fez uma aparição relâmpago na banda de Ozzy Osbourne substituindo o insubstituível Randy Rhoads, após sua trágica morte durante a turnê do álbum Diary of Madman. Randy foi uma lenda do instrumento, mas não se pode nunca deixar de ressaltar a qualidade de Brad Gillis, da banda Night Ranger. E como complemento aos suas habilidades, talvez uma das maiores seja o espetacular aproach dele junto às suas Floyd Roses instaladas inclusive em uma Les Paul, algo que se tornou um pouco mais comum à frente, nessa época era uma raridade. Para sempre vai se ouvir sua espetacular interpretação dissonante dos clássicos solos de Randy durante aquele final de perna de turnê. Mais do que tentar copiar o mito Rhoads, a escolha de Brad por apimentar com alavancas os solos icônicos deixados nos álbuns Blizzard of Ozz e Diary of a Madman foi sim uma bela alternativa, como se pode ver abaixo. E, deixemos registrado, o que ele faz no álbum Speak of the Devil, tocando os clássicos do Sabbath, é de estarrecer. Dividido em duas partes, um best of de Gillis junto à Ozzy se segue abaixo:

Aqui em uma ótima brincadeira, o atual Whitesnake Joel Hoekstra, quando indagado a usar os “Whammy Bar”, mostra a reputação de Brad no uso do citado efeito :

 

5. Vinnie

VINNIE

Por fim, vai aqui a homenagem ao maior alavanqueiro de todos os tempos. Quase 40 anos se passaram, continua a lenda!!!! Cabe, no entanto, observar que hoje a atual situação da lenda meio que “já élvis”… voltando ao que interessa, Vinnie Vincent teve menos de 2 anos junto do Kiss, mas seu legado vai ficar pra eternidade. Ao invés de tentar colocar em palavras o que VV fez nas icônicas Jacksons Randy Rhoads, melhor é ver e ouvir.

Aqui ele faz o melhor solo que a faixa clássica Calling Dr. Love já possuiu. Aos críticos contrários à tal afirmação, joguem as pedras. Quem quiser checar, avance ao vídeo abaixo (gravado no histórico show de 1983 no Maracanã, trazido em detalhes em tantos diferentes momentos no blog – aqui, aqui e aqui) para cerca de 1:35 min. Em tempo: o solo original, de Ace Frehley, é também muito bom…

Aqui a qualidade do som beira o inaudível. Não há um registro oficial da fase de VV na banda, uma lástima. Ainda assim, resolvi trazer esse exemplo da tour do álbum Lick It Up, a faixa Young and Wasted, para mostrar os diversos caminhos que VV pôde desempenhar nos poucos anos de Kiss. Sugiro avançar o vídeo para cerca de 3 min, pois dali em diante há o solo principal e um final cheio de feedback e saudável abuso da alavanca, para a desaprovação evidenciada de Paul Stanley.

O terceiro vídeo traz uma improvisação de Vinnie em cima de temas, já na época do Vinnie Vincent Invasion, que ele gravou para sua vídeo-aula. A partir de pouco mais de 1 minuto do vídeo, a improvisação segue em cima da faixa Ashes to Ashes, que abre o segundo trabalho da banda.

Bem, se você chegou aqui e está em êxtase com a impressionante demonstração dos vários exemplos acima que esses maravilhosos guitarristas puderam nos trazer, é chegada a hora dos fortes. Um solo de cerca de 6 minutos da tour do Lick it Up. Eu não recomendo aos covardes e fracos de espírito.

Aos que me acompanharam até o fim desse post e ainda não estão surdos, meu muito obrigado e parabéns por se enveredarem pela barulheira infinita que os monstros acima nos deixaram como legado. Quem puder trazer mais exemplos, eu agradeço também.

Viva as Floyd Roses e seus alavanqueiros!!

See ya.

Alexandre Bside

“Tunou” essa maravilha de post: Eduardo [dutecnic]



Categorias:Artistas, Black Sabbath, Curiosidades, Entrevistas, Instrumentos, Jimi Hendrix, Judas Priest, Kiss, Músicas, MetallicA, Pantera, Pink Floyd, Scorpions, Van Halen, Whitesnake

6 respostas

  1. b-side aos poucos vou lendo aqui esse post ao qual me interessa muito
    muito muito boa a sua análise
    vou lendo aqui

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  2. Muito interessante o post. Como não toco guitarra muitas vezes não consigo perceber o uso do equipamento apenas na audição, apenas quando é pra fazer barulho e olha lá.
    Mas após iniciar a leitura do post assisti alguns vídeos do David Gilmour em sua carreira solo e também no Pink Floyd. Me chamou muito a atenção o uso constante da alavanca. Nos solos em que a mesma não é utilizada ele usa até outra guitarra sem alavanca, como pude perceber no último show em Pompeii de 2016. Porém, em oposição total aos exímios músicos citados, as belos melodias imperam nesse guitarrista que admiro muito. Obviamente o estilo é outro. Uma das músicas que destaco pelos longos solos e tudo mais é a maravilhosa Comfortably Numb. E lá esta a alavanca correndo solta.
    Nem só de barulho vivem os alavanqueiros!!!
    Valeu!

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    • Cláudio, ótimas as suas impressões sobre o uso da alavanca simples por Gilmour. Ele realmente também traz mais esse em seus atributos, embora o fato de usar as alavancas não flutuantes ( conhecidas inicialmente nas Fenders) faz com que o uso tenha um ” range” menor, ou seja, menos possibilidades , menos angulação entre o máximo e o mínimo que a alavanca pode fazer. Ainda assim, GIlmour faz bonito.
      Sugiro o solo de No more Lonely Nights, onde a participação de GIlmour é brilhante, como outro exemplo a ser juntado ao bem citado Confortably Numb.
      Valeu !

      Alexandre

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  3. Bom, o post é qualquer coisa que sensacional, o que é pleonasmo quando Alexandre e/ou Flávio passam por aqui com posts… o tempo passa, e incrível, os caras ficam melhores e melhores e melhores na aula…

    Talvez em uma prateleira inferior, quero trazer aqui Kirk Hammett, é claro (não podia faltar). Como não quero discutir aqui que a alavanca pode ser usada em RÉ BEMOL SUSTENIDO (hahahahahahaha – piada interna do blog), não observei NENHUM exemplo disso acima, o que é uma lástimas (mais risadas internas), fica na pendência o B-Side trazer algum exemplo REAL de uso (HAHAHAHAHAHA final).

    Mas voltando ao que interessa, o que traz até a ideia do próximo post do B-Side ser de pedais e pedaleiras famosas (que tal, mestre?), o Kirk e seus WAH-WAH também usa e abusa de alavanca, não? A referência dele, Satriani, e também o outro aluno de Joe, Steve Vai, não seriam exemplos a figurar por aqui também, mestre B-Side?

    Vamos de Kirk em um exemplo relativamente recente:

    B-Side, queremos mais posts!! MAIS! MANDE MAIS!!! CADÊ MAIS???

    [ ] ‘ s,

    Eduardo.

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    • Eduardo, a escolha por Hammett é bastante justa,assim como os colegas citados . Eu não o colocaria na relação acima, mas ele entraria logo depois, minha opinião.
      Em relação a pedais, talvez ficasse muito específico eu citar , por exemplo, do uso do Tube Screamer da Ibanez como booster de distorção do Mesa Boogie do Metallica. Aí é ser chato em extremo….. Eu acho que tá bom pensarmos no que “salta” de forma sonora, e aí a questão dos alavanqueiros é também mais visual.

      Ah, o ré bemol sustenido …….. coisa linda ……. Desculpe o esquecimento…..falha lastimável…..hahahhahaha

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